HQRROR #35 – Wytches

Feche os olhos e imagine uma bruxa

A imagem que se formará em sua mente é fruto das mais diversas representações iconográficas que essa figura mitológica possui, em diferentes culturas e em diferentes mídias. De Thomasin até as irmãs más de Hocus Pocus e a Bruxa do 71, geralmente imaginamos uma figura feminina, ora jovem e sedutora, ora velha e decrépita, com ou sem uma vassoura voadora, sempre em acordo com seus objetivos nefastos. Salvo Hermione Granger, bruxas são frequentemente associadas ao capiroto, caldeirões, poções mágicas e florestas escuras.

Em Wytches algumas dessas características são aparentes, mas antes de adentrar nas páginas dessa HQ de Scott Snyder, já lhes adianto que o conceito pode ter outras representações e absolutamente nenhuma delas é igual ao que você encontrará aqui. Então esqueça tudo que você sabe e embarque em um dos melhores títulos de terror da atualidade.

Lançado no Brasil pela Darkside Books, editora famosa pelo trabalho quase que artístico com o material gráfico produzido, Wytches traz em sua capa uma recomendação de muito peso. “É fabulosa, um triunfo.” Foi o que disse Stephen King sobre a aclamada graphic novel, originalmente publicada entre os anos de 2014 e 2015.

“Quando uma família se muda para a remota cidade de Litchfield, em New Hampshire, para escapar de um trauma assombroso, está confiante em recomeçar a vida. Mas algo maligno e impiedoso está esperando por eles na floresta vizinha. Observando nas árvores. Algo secular… e faminto.“

O escritor de livros infantis Charlie e sua mulher cadeirante, Lucy, têm uma difícil tarefa pela frente: sua única filha, a adolescente Sailor, vive uma fase conturbada após o desaparecimento de uma conhecida, caso este que é um mistério para quase todos, exceto para a própria garota. Enquanto na escola ela é acusada de ter dado cabo (das inimiga) da colega, a jovem moça lembra-se de algo bem diferente, envolvendo aberrações saídas dos troncos de árvores. Quiseram eles que o problema permanecesse no campo do bullying e do mistério.

Só apertar que cabe!

As tais coisas na árvore eram bruxas! Em comum com as lendas clássicas, apenas sua moradia e existência secular e diabólica, no mais, essas figuras são criaturas grotescas e horripilantes que fazem um barulhinho arrepiante de se imaginar (chit chit) e habitam cavernas subterrâneas, utilizando árvores de portais. As bruxas sequer se parecem seres humanos, são como distorções profanas das formas criadas por Deus. Ou talvez obra de alguém que gostou muito de assistir Abismo do Medo.

Outro interesse dessas monstruosidades é o consumo de carne humana, com direito a caldeirão e tudo. No entanto, nem só de desgraças vivem essas bruxas. Elas precisam de algum poder especial! Através de algo chamado “jura”, elas oferecem pactos com humanos. Jure alguém para uma delas e tenha um desejo concedido, um preço bem baixo de se pagar, se ignorarmos o fato de que os jurados serão abduzidos e devorados.

Antes da história mostrar-se minimamente intrigante, a arte já garante a atenção total e absoluta do leitor. Os desenhos de Jock variam de painéis coloridos e cheios de vida à imagens dantescas e incompreensíveis. Mas o que mais chama atenção na arte são as cores de Matt Hollingsworth, sem dúvida alguma. O colorista utiliza uma técnica que se aproxima do pós-impressionismo (estilo Van Gogh, sabe?), no uso de cores para expressar emoções. Ele o faz aplicando camadas de tinta aquarela sobre a arte final, essa que ultrapassa todos os limites dos painéis, no sentido de dar conformidade as imagens e retratar diversas camadas afetivas.

Apesar de se basear em um conceito fantástico e uma representação original, fruto da mente de Snyder, a trama sofre um pouco com algo que parece saído das origens do autor. A progressão da história, que tem apenas seis partes, é rápida demais, dando sempre a ideia de continuidade ou algum prolongamento que pudesse se aprofundar em alguns detalhes.

Ao final do volume único, fica uma sensação de incompletude e um desejo de revisitar esse mundo. Talvez seja possível fazê-lo através da possível adaptação cinematográfica. Como tudo que faz sucesso hoje em dia, Wytches já está em negociações para se tornar um longa-metragem, com produção de Brad Pitt e mais alguns. Infelizmente ritmo da produção parece ter esfriado, já que quase não existem informações sobre.

 

FEIA PRA DIABO

 


Daniel Rodriguez
Daniel Rodriguez
Fã de horror em suas diferentes formas, principalmente cinematográfica. Incapaz de adentrar igrejas, pelo risco de combustão espontânea, dedica sua vida pagã a ensinar inglês, escrever sobre o gênero e, mais recentemente, fazer seus próprios filmes.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *