HQRROR #37 – Wasteland Scumfucks: Terra do Demônio

Fofura pós-apocalíptica gore


Quando coloquei as mãos em minha cópia de Terra do Demônio, publicação da Editora Veneta, a capa imediatamente me remeteu aos livros de fantasia infantojuvenil que eu gostava tanto de ler. Talvez pela arte, pela disposição de letras ou cores, não sei ao certo. Um segundo olhar, muito mais atento e revelador, elucidou as palavras “demônio” e “scumfucks”, além de armas ensanguentadas e um personagem que parecia saído de uma banda norueguesa de Black Metal. Realmente, o quadrinho que tinha em mãos não poderia ser mais distante.

O título é escrito e desenhado por Yuri M., paulistano que além de quadrinista também é roteirista, tendo trabalhado com vários programas de humor, incluindo aí Hermes e Renato. Esse carinha peculiar, como entregam a foto e a bio presentes na HQ, foi colega de quarto de Rafael Grampá, um dos diversos quadrinistas brasileiros a receber notoriedade internacional, que também escreve o prefácio do livro. Não pude deixar de pensar, enquanto lia essa introdução, na quantidade de nomes nacionais atuantes no mercado de quadrinhos dentro e fora do Brasil. Só cara cabuloso!

A diversão com Wasteland Scumfucks já começa no acabamento da edição, que permite explorar capa e contra-capa e etc, com desenhos maravilhosos e descrições absurdas sobre coisas como Elfos-góticos, dromechumbos, dragon balls e lagartoides, fornecendo um belo insight no mundo freak contido em suas páginas.  Menção especial para a sessão: “Como diferenciar os GGs”. As cores da capa já apontam uma característica principal do título: preto & branco & vermelho.

Pois bem, Wasteland Scumfucks: Terra do Demônio se passa em um planeta que não é o nosso, em um continente governado pelo Ditador Tirano Deus Rei Lixo, que utiliza mão de obra escrava, robôs e elfos-góticos para gerarem energia. Em um desses recintos de exploração, um camaradinha chamado GG, de nome e visual inspirados em GG Allin (não sabe quem é? Google it, e não vai se arrepender!) se torna amigo de um robô que é um grandessíssimo filho da puta e uma elfa-gótica chamada Sérgio.

O traço propositalmente meio que infantil me faz pensar em um cruzamento de desenho animado do Cartoon Network com alguma zine ou manifesto punk dos anos 80. A história é completamente absurda e funciona sob uma lógica bem particular de seu autor, que inclui um humor pesadíssimo, que achei particularmente hilário. As interações do Robô Z Z com todos os outros personagens é de fazer chorar. Até na forma de escrever, muitas vezes bem informal e sempre debochada, Yuri consegue cativar. Impossível não rir e se identificar da besteira que é um elfo recontar um diálogo sério dizendo coisas tipo “kkkk, tô falando serião”.

A temática pós-apocalíptica é outro charme do título, trazendo uma ambientação propícia para a violência descabida, sempre demarcada pelo uso de vermelho, única cor presente nas páginas além do preto e branco. O nosso amado splatter/gore vem das mais profundezas do inferno e faz o sangue escorrer da HQ, página por página. E cara, que quadrinho gostoso de ler!

A leitura é leve, apesar do conteúdo pesado, é verdadeiramente envolvente e divertida. Com esse tanto de elogio fica até parecendo mentira, mas quem acompanha o 101HM sabe que aqui não é lugar de meias palavras, quando o material é ruim, é ruim. Se o estilo te parecer atraente, pule de cabeça que não tem erro.

O vermelho na cabeça de GG não é cabelo ou peruca, é sangue seco impossível de ser lavado.


Daniel Rodriguez
Daniel Rodriguez
Fã de horror em suas diferentes formas, principalmente cinematográfica. Incapaz de adentrar igrejas, pelo risco de combustão espontânea, dedica sua vida pagã a ensinar inglês, escrever sobre o gênero e, mais recentemente, fazer seus próprios filmes.

1 Comentário

  1. Laz disse:

    Quero saber se possivelmente haverá continuação.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *