HQRROR #39 – Creepshow

A antologia clássica de Stephen King e George Romero no formato que a inspirou!

Todo mundo conhece Creepshow – Show de Horrores, antologia clássica idealizada pelo vencedor do Troféu Golden Stephen King, e o pai do zumbi moderno George Romero. Ambos se juntaram e decidiram homenagear os quadrinhos da EC Comics, enorme sucesso em 1950 que foram sua principal fonte de inspiração para se tornarem o que são.

King então escreveu cinco contos baseados em suas histórias e chamou Romero para dirigir o filme. Óbvio que, como era uma homenagem aos gibis que liam na infância, nada mais justo do que também produzir um gibi para ser lançado em conjunto. Eis então que o gibi foi impecavelmente produzido com arte de Bernie Wrightson e a capa feita por Jack Kamen. E agora, 35 anos depois de seu lançamento, a Darkside Books finalmente traz esse material para os fãs brasileiros.

A HQ é composta por nada mais do que as cinco histórias do filme, mas sem o prólogo e epílogo envolvendo o garotinho que é proibido pelo pai de ler seu exemplar da revista Creepshow. As histórias são “Dia dos Pais”, “A Solitária Morte de Jordy Verril”, “Indo com a Maré”, “A Caixa” e “Vingança Barata”. Se você já viu ao filme, sabe muito bem quais são as histórias, mas, caso não saiba, darei um breve resumo sobre elas:

“Dia dos Pais” conta a história de Nathan Grantham, um velho autoritário que é assassinado pela filha Bedelia após mandar matar o amor de sua vida  e ficar enchendo o saco por causa de um bolo de Dia dos Pais. Todos os anos, na data comemorativa, Bedelia vai até o túmulo de progenitor e fica por uma hora lá remoendo sobre o ocorrido. Eis que no sétimo aniversário de sua morte, Nathan resolve levantar do túmulo para se vingar e, claro, tentar conseguir seu mimo.

Torcicolo

“A Solitária Morte de Jordy Verril” mostra o caipira do título que encontra um meteorito que cai em sua fazenda e pensa em vendê-lo para especialistas por 200 dólares. Porém ao tentar esfriar o meteoro com um balde d’água, o fragmento acaba se partindo e liberando um estranho líquido que, ao entrar em contato com a pele de Verril passa a transformá-lo em uma planta mutante, além de espalhar a vegetação por todo seu território.

“Indo com a Maré” mostra Richard Veckers, um marido traído que resolve se vingar enterrando a esposa e o amante até o pescoço na praia deixando-os para serem afogados quando a maré subir, gravando todo o ocorrido em vídeo. Porém o que ele não esperava é que os dois voltariam das profundezas (hein?) para se vingar.

“A Caixa” mostra o zelador de uma universidade encontrando uma caixa fechada e datada de 1834. Ao chamar o professor Dexter Stanley para tentar descobrir o que há dentro do compartimento, descobre uma criatura assassina. Após duas pessoas morrerem, Dexter resolve pedir ajuda para o professor Henry Northup, um homem que é constantemente humilhado pela esposa infiel, contando todo o ocorrido. Henry então decide usar a criatura para se vingar da esposa que sempre lhe fez de besta durante anos.

Por fim, “Vingança Barata” mostra Upson Pratt, um empresário inescrupuloso, racista e que não hesita em destruir a vida de qualquer um de seus funcionários ou concorrentes se isso resultar em grana na sua conta. Pratt é germofóbico, tem um TOC extremo, pavor de insetos e uma tremenda mania de limpeza. Numa fatídica noite, o apartamento totalmente impermeável de Pratt começa a ser invadido por baratas, que aparecem cada vez em maior número, reservando um terrível destino ao empresário.

Abra bem a boca e diga RRARGHHH

Um dos fatores que mais chama atenção na HQ, é a fidelidade ao filme na questão dos desenhos. Em cada história, todos os personagens são extremamente parecidos com os atores do elenco, e você praticamente lê o filme quando abre o gibi. Outro ponto fortíssimo é que a falta do prólogo e do epílogo é suprida pela presença do anfitrião The Creep (mais uma clara homenagem aos anfitriões dos gibis da EC Comics), que fica nos apresentando as histórias e participando delas (sem interferir), fazendo comentários totalmente sarcásticos e repletos de humor negro.

Creepshow é uma HQ que serve mais como acompanhamento, pois é a mesma coisa do filme. Mas é um quadrinho divertido de ler, daqueles que você pega no seu tempo livre ou no intervalo do trampo, pois tem pouco mais de 60 páginas e dá pra ler em uma sentada só. A edição da Darkside em capa dura feita de forma impecável ainda dá um charme a mais.

Se você não leu, recomendo que leia porque vale muito a pena. E se não viu o filme, eu não sei o que você está esperando.

“Miga, o bofe me deixou molhadinha ontem”


Angelus Burkert
Angelus Burkert
Psicopata em formação. Pegou gosto pelo cinema de horror após ir até a sessão de VHS de terror na locadora e olhar todas as capas de filmes possíveis. Fã confesso de música e games, provável que não mude nada com o passar dos anos, exceto o amor pela carnificina.

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