HQRROR #55 – Drácula

A lendária adaptação do filme de Coppola pelas mãos do mestre Mike Mignola

Publicado originalmente em 1897, Drácula, a mais famosa obra do escritor irlandês Bram Stoker, mudou o gênero do horror para sempre. A história sobre o conde vampiro romeno que se muda para Londres para expandir seus domínios e acaba enfrentando o grupo liderado pelo médico Van Helsing foi adaptada para as mais diversas mídias, principalmente para o cinema. Começando com Nosferatu, de F.W. Murnau em 1922, passando por Drácula, de Tod Browning em 1931 e pela longa franquia com Cristopher Lee como o conde morto-vivo produzida pela Hammer entre 1958 e 1974 e culminando com a “adaptação definitiva” em Drácula de Bram Stoker, dirigido por Francis Ford Coppola em 1992.

Apesar de tomar algumas liberdades poéticas, como o romance entre Drácula e Mina, que aqui se torna o fio condutor da trama, a obra de Coppola se tornou uma das mais famosas adaptações do romance a chegar às telonas. O estrondoso sucesso da película fez com que a obra fosse adaptada para os quadrinhos no mesmo ano pela extinta editora Topps, que trouxe o escritor Roy Thomas, lendário por sua faze à frente do título do Conan pela Marvel nos anos 70, e Mike Mignola, criador de Hellboy e um dos maiores artistas de sua geração. A minissérie em quatro edições chegou às lojas americanas em outubro de 1992 e, graças ao encerramento das atividades da editora, permaneceu esquecida até este ano, quando foi resgatada do limbo pela IDW.

Numa manobra inédita, até onde me lembro, a Editora Mino traz para o Brasil a edição publicada pela IDW quase que simultaneamente.  O volume único traz, em 136 páginas em preto e branco e capa dura, além da história completa, as capas da minissérie original e algumas páginas sem a arte-final de John Nyberg para a apreciação do traço de Mignola em todo o seu esplendor. A reverência ao artista, verdadeiro protagonista desta adaptação de Drácula, fica ainda mais evidente na escolha do formato maior que ressalta os contrastes de seu traço inconfundível. O papel escolhido, apesar de ótimo para a impressão em preto e branco, infelizmente acaba enrugando com a umidade da própria tinta.

A história adapta a versão cinematográfica de Coppola com precisão cirúrgica. O roteiro de Roy Thomas, experiente em adaptações, consegue extrair as passagens ideais para representar nas páginas do gibi com apenas uma ou outra liberdade em inverter algumas cenas e acrescentar uma ou outra fala para melhor fluidez na transposição de uma mídia para outra. Para aqueles que, como eu, assistiram ao filme até decorar, a leitura fica ainda mais interessante, pois conseguimos imaginar até a trilha sonora e os efeitos de transição de cena. Vale a pena ler ao gibi depois de rever o filme ou vice-versa para comparar as diferenças e similaridades entre as duas versões.

Mas é a arte de Mike Mignola que se destaca em Drácula. Seus quadros carregados em sombras e contrastes refletem com perfeição o clima da obra original. Aliás, não é à toa, pois Mignola trabalhou no departamento de arte na produção do filme de Coppola. Sua familiaridade com a obra fica evidente nos detalhes do figurino, dos cenários e nos rostos dos personagens, evidentemente baseados nos rostos dos atores originais. Para quem se acostumou com o traço minimalista de Mignola no universo de Hellboy, por exemplo, é interessante perceber como ele sintetiza as cenas do filme e as expressões e características físicas dos atores originais. Cenas como a das vampiras atormentando Jonathan, o primeiro encontro de Mina e Drácula e a morte de Lucy merecem destaque.

O valor do encadernado pode acabar afastando o leitor eventual, mas o gibi já está com desconto em algumas lojas virtuais, então vale a pena ficar de olho nas promoções. Em um ano recheado de grandes obras em quadrinhos de horror chegando às livrarias brasileiras, Drácula é uma das mais inusitadas e, por isso mesmo, uma surpresa das mais agradáveis. Indispensável para os fãs do conde, do filme de Coppola e, principalmente da arte absurda do mestre Mike Mignola que já revelou em entrevistas que se interessou pelo horror justamente após ler o romance original de Bram Stoker. O circulo de sangue se fecha.

Ficha Técnica
Título: Drácula
Roteiros: Roy Thomas
Arte: Mike Mignola e John Nyberg
Editora: Mino
Páginas: 136 páginas
Formato: 31,8 x 21 x 1,8 cm
ISBN-13: 978-8569032403
Preço: R$ 84,90

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Rodrigo Ramos
Rodrigo Ramos
Designer, roteirista da HQ Carniça, coautor dos livros Medo de Palhaço e Narrativas do Medo. Fã e pesquisador de quadrinhos e cinema de horror. Tem mais gibis em casa do que espaço pra guardar e tempo pra ler, mas quem nunca?

2 Comentários

  1. Alessandro Masculino Alegrette disse:

    Eu também gostei muito desta adaptação do filme de Coppola, para mim a melhor adaptação da obra original de Stoker para
    o cinema. Vi muita gente reclamando que a edição é preto branco. Mas, acho que a escolha da editora em lançar essa obra
    neste formato foi acertada porque valoriza o traço de Mignola, que trabalhou na produção do filme e na época estava no
    auge de seu talento. Pretendo comprar essa obra, para mim uma das melhores lançadas até agora neste ano. Mas, vou
    esperar uma promoção na Amazon.

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