Into the Dark: Festas de Final de Ano

Feriados macabros pra fã do horror nenhum botar defeito


Que Jason Blum está tentando dominar o mundo, já não é mais novidade pra ninguém. O Midas do Horror, cabeça da produtora Blumhouse Pictures, já ultrapassou os limites continentais, atuando em produções até na Índia, assim como barreiras midiáticas, saltando direto das telonas pras telinhas, com a criação da Blumhouse Television.

A mais recente empreitada da produtora é uma série original Net… ops, Hulu – um dos serviços de streaming concorrentes direto da Netflix (e ainda indisponível no Brasil): Into the Dark é uma série a lá Masters of Horror (porém sem os masters), com cada episódio sendo, na verdade, um longa-metragem televisivo totalmente independente.

A proposta é de disponibilizar capítulos mensais, cada qual abordando uma história de terror que acontece em um feriado notável de cada mês, sem que haja quaisquer semelhanças entre si. Tendo início no Halloween passado, a série já conta com seis partes, realizadas por diretores e roteiristas diversos e com um elenco no geral pouco conhecido.

Abordo aqui os filmes que correspondem às datas comemorativas de fim de ano. Os outros serão analisados futuramente, em outros textos.

The Body

Assassino 47 com cabelo e Maria Antonieta, melhor casal.

O primeiro episódio, como esperado de uma série de horror, foi lançado em outubro e com a temática de Halloween. Na verdade, o Dia das Bruxas é o pano de fundo no qual a trama se desenrola, ao invés de um mote central.

Inspirado em um curta-metragem homônimo de 2013 e contando com os mesmos diretor e roteirista – no melhor estilo “Quando as Luzes se Apagam”, The Body é uma espécie de comédia de erros com uma pitada de thriller.

Um assassino de aluguel é flagrado por um grupo de jovens enquanto transportava um cadáver inteiramente enrolado em plástico. Porém, em meio ao cenário festeiro de Halloween, a trupe que o encontra acredita piamente estar diante de um carinha com uma fantasia super elaborada e o convidam para uma festa. Preocupado em manter o disfarce, o assassino topa o convite.

A premissa pode parecer um pouco boba, mas a execução é absolutamente divertida, principalmente nos primeiros minutos. Como acontece com filmes oriundos de curtas, em certo ponto a história se torna um pouco arrastada e repetitiva, mas consegue se recuperar próximo ao final, com algumas boas reviravoltas. Destaque para a presença do queridinho de Ash vs Evil Dead, Ray Santiago.

Flesh and Blood

Casos de Família: “Minha filha se recusa a sair de casa”

O feriado americano de novembro é o Thanksgiving, no qual os americanos se reúnem para compartilhar a #GRATIDÃO. Por aqui, a data é conhecida por anteceder a famigerada black friday.

O Dia de Ação de Graças é uma data bastante centrada na união familiar e é daí que parte o episódio de Patrick Lussier – que dirigiu o remake de Dia dos Namorados Macabro, além dos filmes da série Drácula 2000.

Henry Tooms (Dermot Mulroney) e sua filha Kim Tooms (Diana Silvers) tentam recolher os cacos da própria vida, despedaçada com o assassinato de sua esposa e mãe de Kim, Rose Tooms (Meredith Salenger). No período de luto, a garota desenvolveu um transtorno psicológico grave chamado agorafobia, no qual se torna incapaz de sair de casa, sofrendo de crises de ansiedade agudas. O pai, por sua vez, precisa lidar com as paranóias da menina, que se acentuam conforme a noite do Dia de Ação de Graças – data até então especial para eles – se aproxima.

Misturando serial killer com paranóia adolescente, Flesh and Blood é o menos original e inspirado da série até o momento. Sem oferecer nada de novo, só se encontra quando abraça de vez a temática do abuso e manipulação psicológica familiar. Existem diálogos e monólogos incríveis que retratam bem a dura realidade das vítimas desse tipo de abuso que parte dos próprios familiares.

Pooka!

Pooka Legal ou Pooka do Mal?

 

O episódio natalino não tem nada de Papai Noel. Nas palavras de um personagem, o Pooka chegou pra arrombar o natal! Dirigido por ninguém menos que Nacho Vigalondo, o episódio mais surtado da série mostra um ator meio fracassado tendo que se submeter à uma posição pouco confortável: “atuar” dentro de uma fantasia de boneco.

Só que o tal do boneco Pooka é uma bizarrice completamente assustadora por si só. Desse modo, a fantasia tamanho humano da criaturinha não poderia ser diferente. A vida do ator se transforma dia após dia enquanto ele tenta se adaptar ao novo trabalho, nova rotina e novas pessoas, enquanto é atormentado diariamente pela roupa de Pooka que parece ter vida própria.

A direção fica por conta do insanamente criativo Vigalondo (Crimes Temporais, Colossal). O cineasta espanhol acrescenta contornos coloridos e compõe as imagens bizarras imaginadas pelo roteirista Gerald Olson. É facilmente a fita com mais sofisticação visual e mais originalidade em sua execução. O plot twist final foi bem surpreendente, mesmo que não seja algo exatamente inédito.

Além desses três, outros episódios foram lançados cobrindo os meses de janeiro, fevereiro e março. O primeiro é New Year, New You, passado no Ano Novo. Em fevereiro, Desce? abarca o Valentine’s Day, enquanto o mais recente, Casa na Árvore, se passa no dia 15/03, nos Idos de Março, data da morte de Júlio César e período no qual os romanos realizavam cerimônias religiosas e consideravam como o último dia para a quitação de dívidas. Lá fora, o episódio de páscoa já foi anunciado para o dia cinco de abril.

Os filmes-episódio começaram a ser exibidos no Brasil pelo canal Space em fevereiro passado, a partir de Desce?. Casa na Árvore também já está disponível para os assinantes do canal, porém, infelizmente, só em versão dublada.

A recepção ao seriado, assim como acontece com tudo que leva o nome Jason Blum carimbado, é bastante favorável. O tom despretensioso e direto e os finais com reviravoltas parecem atingir em cheio o público. Também tem se mostrado uma fonte interessante de novos talentos, já que boa parte dos envolvidos – dos diretores aos atores – não são muito conhecidos.

Vale a conferida.

Casa na árvore especialmente construída para crianças.


Daniel Rodriguez
Daniel Rodriguez
Formado em psicologia, professor, futuro roteirista e fã incondicional do terror, tanto no cinema, quanto na TV, literatura e quadrinhos. Mais que estudar o gênero, quer ser um historiador do horror para sua geração e futuras. E ao contrário do estereótipo do mineiro quieto, adora alimentar uma treta.

1 Comentário

  1. José disse:

    Só uma correção , no Brasil começou a ser exibido no dia 25 de janeiro com o New Year , New You .

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