Bibliofobia: #01 – Joyland

Livro de Stephen King, um dos mais lights de sua carreira, é como andar no trem fantasma de um parque de diversões. Só que desses falidos.


Essa semana o mestre do horror, Stephen King, completou 68 anos (\o/). Eu, que sou uma Leitora Fiel desde que comecei com o hábito da leitura, ainda menina, já devorei uma enorme fatia de sua carreira, entre livros e adaptações pro cinema. A grande maioria aprovei com louvor, mas algumas obras ainda me causam certa decepção, embora isso seja algo tão raro que me surpreendo quando não gosto de algo que venha de King. Infelizmente, foi assim com Joyland.

Stephen King nos entrega um dos seus livros mais light, uma história bem enxuta, por assim dizer. O livro tem 239 páginas e seu mote principal, mesmo que de forma pouco abordada, é o amadurecimento de Devlin, um estudante de 21 anos que, após um pé na bunda homérico, decide passar as férias de verão trabalhando num parque de diversões. Esse mesmo tema já havia sido abordado, de certa forma, no conto Outono da inocência – O Corpo, presente no livro As Quatro Estações, que gerou uma das melhores e mais adoradas adaptações pra telinha, o clássico “Sessão da Tarde”, Conta Comigo. Só que aqui King decide, além do drama, inserir notas sobrenaturais á trama.

joyland-stephen-king-livroNa tentativa de entrar no ritmo frenético do emprego, e também fazendo o possível para esquecer a ex-namorada, Devlin se joga de cabeça no parque e em sua história, e acaba descobrindo que o trem fantasma guardava realmente uma assombração, uma jovem garota que foi assassinada dentro do brinquedo, num crime até então nunca solucionado. Devlin, juntamente com seus amigos, começa a investigar o caso, e descobre estar mais perto do assassino do que imaginava.

Paralelo a esse lado sobrenatural, King ainda nos guarda aquele drama já mencionado nesse texto ao incorporar á história Mike Ross, um garotinho que sofre de distrofia muscular e por isso vive preso numa cadeira de rodas. Devlin começa a nutrir grande amizade com o menino e sua mãe, até culminar num desfecho daqueles que nos deixa com um nó na garganta (quem já se emocionou com um livro ou filme de King sabe do que estou falando). A adaptação à uma cidade estranha, a exaustiva jornada de trabalho, as novas perspectivas de vida, acabam fazendo com que Devlin perceba que crescer e amadurecer não são tarefas tão simples quanto ele pensava, e que o aprendizado pode ser bem doloroso.

Apesar da narrativa tão bem escrita e leve, e também de Stephen King descrever o cenário e ambientação do parque com tantas detalhes como só ele consegue, o livro acaba se tornando um tanto quanto maçante. Particularmente, achei que King economizou no drama e no horror, o que vindo dele é quase uma heresia, porque na maioria das vezes esse é o segredo do sucesso de suas obras. A certa altura da leitura, acabei torcendo para Devlin descobrir logo quem diabos era o assassino, mas não por curiosidade, como seria de praxe, e sim porque a leitura já estava me cansando.

Joyland pra mim foi como andar no trem fantasma de um parque de diversões, desses quase falidos como o da história: prometeu emoção e bons sustos, mas saí do brinquedo com a sensação de que poderia ter gasto meu dinheiro com outra atração.

Num deu...

Num deu…


Ficha técnica:

Stephen King – Joyland – 2013
Tradução: Regiane Winarski
lançamento no Brasil – 2015
Editora Objetiva – Suma de Letras

 


Niia Silveira
Niia Silveira
Mentalidade de Jack Torrance num corpinho de Annie Wilkes. Foi criada em locadoras e bibliotecas e se apegou ao universo do horror ainda pequena. Não cresceu muito em estatura de lá pra cá, mas sua paixão por sangue e desgraça aumenta a cada dia.

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