TOPE NOVE – Melhores HQs Internacionais de 2018

O ano de 2018 foi marcado por uma das piores crises editoriais dos últimos tempos. Grandes redes de livrarias devendo milhões à editoras, que se viram obrigadas a tirar o pé do acelerador e reduzir drasticamente o cronograma de lançamentos para o ano. Títulos foram adiados, tabelas reajustadas e, no meio desta confusão toda, o horror floresceu.

O site Guia dos Quadrinhos mostra mais de 2100 títulos lançados em 2018, com 81 destes pertencendo ao gênero. Se por um lado a crise obrigou as editoras a reorganizar seus lançamentos, esta mesma crise as obrigou a selecionar só o puro creme do milho verde para garantir boas vendas e cobrir eventuais prejuízos originados pela redução do catálogo.

Pra facilitar a vida do nosso fiel leitor™, o 101 HM separou duas listas bacanudas com os melhores quadrinhos de horror de 2018. Esta primeira só com material internacional e, uma segunda a ser publicada na próxima semana, só com quadrinhos nacionais. Os critérios são os mesmos de sempre. Damos preferência a materiais inéditos, salvo quando são reedições de originais lançados há muito tempo ou edições realmente superiores às versões anteriores.

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9 – Dampyr (Editora 85)

Os fãs de fumetti passaram muito bem em 2018. Enquanto a Mythos reassumiu a publicação de diversos títulos há muito tempo esquecidos das bancas brasileiras, a Editora 85 entregava um belo trabalho de fã para fã resgatando Diabolik, Mister No e Dampyr. Este último, um fumetti de horror que conta a história de um caçador de vampiros em meio a uma guerra civil no leste europeu com textos e arte de primeira ao melhor estilo Bonelli. A editora trouxe duas edições ao longo de 2018 e promete mais volumes para breve.

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Arte de Rossi Mario.


8 – Dylan Dog – Mater Dolorosa (Mythos)

Dobradinha bonelliana na lanterninha do nosso Tope Nove. Mater Dolorosa, de Roberto Recchioni (roteiros) e Gigi Cavenago (arte) é uma das melhores aventuras do Detetive do Pesadelo, mas apesar de toda a beleza da arte e sutilezas de roteiro, a graphic novel publicada pela Mythos depende de um prévio conhecimento que pode confundir um pouco para alguns leitores. A edição possui diversos textos que situam o marinheiro de primeira viagem na história, mas acaba colocando Dylan Dog no penúltimo lugar da nossa lista.

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Arte de Gigi Cavenago.


7 – Ragemoor (Mino)

A Mino trouxe alguns títulos de primeira para o fã do horror ao longo de 2018. Um dos mais interessantes é Ragemoor, da dupla Jan Strnad (roteiros) e Richard Corben (arte). E não adianta, é impossível não colocar qualquer coisa ilustrada pelo monstro Corben em uma lista de melhores coisas publicadas de qualquer ano. A história sobre um castelo vivo com pitadas góticas e lovecraftianas de Strnad casam perfeitamente com a luz e sombra cinematográfica de Corben. Aliás, 2018 foi um ótimo ano para o artista no Brasil que além de Ragemoor também apareceu em Hellblazer, Hellboy e Flinch, pra citar os mais manjados.

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Arte de Richard Corben.


6 – Drácula (Mino)

Mais uma dobradinha neste TOPE NOVE com a Mino graças a este belo resgate histórico da adaptação em quadrinhos da versão de Drácula dirigida pelo Coppola e ilustrada por ninguém mais, ninguém menos, que o DEUS Mike Mignola. Com roteiros de Roy Thomas, o homem que deu vida ao Conan nos quadrinhos publicados pela Marvel nos anos 70, Mignola nos dá uma aula de luz e sombra com muito nanquim. Cada página é uma obra de arte. E eu pago pau mesmo.

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Arte de Mike Mignola.


5 – Hellboy Edição Histórica Volume 9 (Mythos)

Mignola, também conhecido como DEUS, se junta a um time de grandes artistas para nos apresentar diversas passagens do passado de Hellboy, também conhecido como o melhor personagem de quadrinhos de todos os tempos. Temos Krampusnatch, um conto de natal premiado com um Eisner e a aguardada graphic novel Mar Silencioso que conta com a arte acachapante de Gary Gianni em uma das melhores edições de Hellboy Edição Histórica. E isso não é pouca coisa não!

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Arte de Adam Hughes.


4 – Blood: Uma História de Sangue (Pipoca & Nanquim)

De leitura difícil e cheia de camadas interpretativas, Blood: Uma História de Sangue é um dos títulos mais intrigantes lançados em 2018. O roteiro quase surreal de J.M. DeMatteis, sobre um vampiro perdido em uma jornada de autoconhecimento em um eterno ciclo de vida e morte, traduzido pela arte magnífica de Kent Williams, pode fazer o leitor menos exigente, daqueles que acompanham gibis mensais de super-heróis, torcer o nariz, mas vai agradar em cheio aquele que gosta de ficar pensando naquilo que leu. Horror, arte e quadrinhos.

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Arte de Kent Williams.


3 – Uzumaki (Devir)

A obra mais celebrada do mestre do horror moderno, Junji Ito, finalmente de volta ao Brasil em um calhamaço compilando toda a saga sobre uma cidadezinha obcecada por estranhas espirais. Uzumaki já havia sido publicado por aqui no passado pela Conrad, mas merecia uma edição completa e caprichada, ainda que alguns erros de revisão acabem nos obrigando a colocar Junji Ito em terceiro lugar dessa lista. Olha só o que me obrigou a fazer, Devir!

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Arte de Junji Ito.


2 – Os Vampiros (Sesi)

Em tempos onde muito se fala do tal pós-terror, termo hipster para definir filmes de horror mais contemplativos e com algo mais a dizer além de morte e sangue por todo o lado, a Sesi trouxe para o Brasil um quadrinho lindíssimo que se enquadraria perfeitamente nesse subgênero: a obra de Filipe Melo (roteiros) e Juan Cavia (arte) retrata o horror da guerra e seu impacto na mente de jovens obrigados a matar e morrer por seu país, mesmo que eles nem saibam as razões reais por trás dos conflitos. Roteiro, arte e edição de primeira.

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Arte de Juan Cavia.


1 – Réquiem: O Cavaleiro Vampiro (Mythos)

Faça um favor para si mesmo e leia tudo que vier com o nome de Pat Mills na capa. Dono de uma das escritas mais ácidas e politizadas dos quadrinhos, Mills se junta a Olivier Ledroit, que chuta bundas na arte, para criar Réquiem: O Cavaleiro Vampiro, uma história tão porrada quanto insana sobre um soldado nazista que morre e vai para um lugar chamado Ressurreição, uma espécie de mundo invertido onde vai parar tudo quanto é coisa ruim que já andou pela Terra depois de abotoar o paletó de madeira. Sexo, violência e muito sangue em um dos álbuns mais belamente ilustrados e um dos roteiros mais fodas de 2018. E o volume dois já está chegando!

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Arte de Olivier Ledroit.

 


Rodrigo Ramos
Rodrigo Ramos
Designer, roteirista das HQs Carniça e Lama, coautor dos livros Medo de Palhaço e Narrativas do Medo 1 e 2. Fã e pesquisador de quadrinhos e cinema de horror. Tem mais gibis em casa do que espaço pra guardar e tempo pra ler, mas quem nunca?

3 Comentários

  1. Rafael disse:

    Mater dolorosa do Dylan tem uma história que não me cativou tanto, mesmo tendo lido a edição Mater Morbi da editora Lorentz. Mater Morbi achei excelente, Mater dolorosa regular.

    • Rodrigo Ramos Rodrigo Ramos disse:

      Concordo que não seja a melhor história de Dylan Dog, mas a arte e todo o contexto a tornam um gibi importante pro personagem. Assim como você, também prefiro Mater Morbi. Abraço!

  2. Eddievox disse:

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