Bibliofobia: #06 – A Morte do Demônio [Arquivos Mortos] e O Massacre da Serra Elétrica [Arquivos Sangrentos]

Livros que deram o pontapé inicial da Coleção Dissecando da DarkSide Books são tão imprescindíveis para os fãs quanto os próprios filmes


 

Pense em dois dos mais importantes filmes de terror da história. Esse exercício, feito com qualquer fã, cineasta ou estudioso do gênero, com toda certeza contaria com O Massacre da Serra Elétrica, de Tobe Hooper, lançado em 1974, quanto A Morte do Demônio, de Sam Raimi, de 1981, na resposta.

A escolha da editora DarkSide Books ao começar sua Coleção Dissecando, no outono de 2013, em trazer os livros dos bastidores da criação de dois longas tão importantes e seminais, não poderia ser mais acertada. Evil Dead: A Morte do Demônio [Arquivos Mortos], de Bill Warren e O Massacre da Serra Elétrica [Arquivos Sangrentos], de Stefan Jaworzyn são duas leituras obrigatórias para os fãs das franquias e aficionados pelo gênero.

Os dois livros trazem, em informações minuciosas, a vida e a obra dos cineastas responsáveis pela criação dos dois filme de culto, além de entrevistas com os envolvidos e todo tipo de detalhe inerente a pré-produção, as filmagens, pós produção e lançamentos dos filmes, incluindo a recepção de público, crítica e censura. Tudo isso em um acabamento gráfico impecável, com direito a fotos exclusivas, imagens de divulgação, pôsteres e afins.

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Evil Dead: A Morte do Demônio [Arquivos Mortos] traz não só como fora desenvolvido o cult de terror independente definitivo, mas uma pesquisa total de Warren, com acesso irrestrito aos arquivos do diretor Sam Raimi e também entrevistas com Robert Tapert e Bruce Campbell, quem deu vida ao eterno anti-herói Ash Williams, trazendo desde a infância do trio nos subúrbios de Michigan, os experimentos em câmeras Super8, a influência das comédias pastelão dos Três Patetas, a decisão de fazer um filme de terror após o sucesso financeiro de Halloween – A Noite do Terror de John Carpenter, até os perrengues sofridos nas gravações na inóspita cabana no meio da floresta, com grana curtíssima e o uso e abuso da criatividade, tanto de atores – os improvisos e os fake shemps, que depois virou uma marca registrada de Raimi – quanto na parte técnica – como a criação da famosa shakycam, substituta de uma tradicional steadcam, fazendo as vezes de POV da entidade kandariana da floresta, e de maquiagem.

Além de mostrar o nascimento à fórceps de A Morte do Demônio, Warren também narra o surgimento do segundo filme, Uma Noite Alucinante e o terceiro, Uma Noite Alucinante 3, assim como o envolvimento com Dino de Laurentiis, e todos os problemas inerentes a produção e captação de recursos, assim como a própria carreira de Raimi em outros longas e sua relação com os grandes estúdios, e principalmente, os imbróglios com a censura, tanto com o MPAA quanto o BBFC no Reino Unido, e claro, a importância do longa para o cinema de terror splatter e a mistura com comédia e a canonização de Ash como personagem da cultura pop.

Entre o material extra, além das toneladas de fotos, entrevista com o diretor do remake, as notificações dos censores, páginas do roteiro do original e os filmes comentados, cena por cena, pelo próprio Bruce Campbell, parecido com o trabalho que geralmente vemos em DVD e Blu-Ray.

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A estrutura de O Massacre da Serra Elétrica [Arquivos Sangrentos] é basicamente a mesma, com a diferença de ser todo escrito em depoimentos e entrevistas com pessoas ligadas a todos os filmes da franquia. Jaworzyn disseca, tal qual o vilão e sua serra elétrica, um dos mais influentes e importantes filmes de terror de todos os tempos, analisando o exaustivo trabalho do diretor Tobe Hooper, do produtor Kim Henkel e sua equipe em trazê-lo a vida, incluindo aí as dificuldades financeiras, o clima hostil das gravações em um Texas escaldante, o quanto existe de real na influência de Ed Gein na criação do famoso movie maniac, o processo exaustivo de montagem do filme na sala de edição, e os problemas futuros com a distribuidora do longa, sendo obrigados a lutar na justiça contra um bando de gangsteres exibidores do meio pornô que maquiavam números, para receber o dinheiro de bilheteria que lhes era de direito.

Ainda de forma extensa, mas não tanto quanto a criação do original, o escritor também conversa com pessoas ligadas aos demais filmes da franquia, inclusive o “pacto dom diabo” de Hooper com Golan e Globus, os donos da infame Cannon Pictures, que resultou no controverso O Massacre da Serra Elétrica 2 e as também malfadas partes 3 e 4, incluindo aí os pitacos da New Line no roteiro do terceiro filme e as mudanças dos engravatados de última hora, e os problemas com o lançamento de O Massacre de Serra Elétrica – O Retorno nos cinemas, envolvendo estúdio e os advogados de Matthew McCounaghey e Renée Zellweger a ponto de virarem grandes astros de Hollywood. E claro, a refilmagem e seu prequel comandados por Michael Bay, Andrew Form e Brad Fuller.

Para os verdadeiros fãs de O Massacre da Serra Elétrica, o livro é ouro puro, também trazendo diversas fotos e imagens exclusivas, resenhas dos críticos que odiaram e amaram, os vereditos dos censores (principalmente no Reino Unido e a campanha contra o longa considerado tão de mal gosto quanto pornografia), a recepção de público e crítica, biografia de diretores, roteiristas, produtores e elenco, e tudo que faz os leitores babarem em cima das páginas. E mais importante, o prefácio é de Gunnar Hansen, o Leatherface original, morto em novembro de 2015, o que dá um aspecto saudosista ainda maior para a obra.

Os dois livros foram lançados tanto em edições simples como edições limitadas de capa dura, naquele tratamento impecável da editora da caveira, e em um box exclusivo, também limitado, lindíssimo, simulando uma fita VHS das próprias distribuidoras que colocaram os filmes nas prateleiras das locadoras brasileiras. Simplesmente um item insubstituível para qualquer coleção sobre cinema e o gênero, assim como os próprios filmes.

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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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