Bibliofobia: #05 – Sexta-Feira 13 [Arquivos de Crystal Lake]

Os bastidores da criação de Sexta-Feira 13 traz tudo que os fãs do primeiro filme queriam saber, mas tinham medo de perguntar


A Coleção Dissecando, série da Editora DarkSide Books, é um deleite para os fãs do horror, pois ela traz livros que contam os bastidores de todo o processo de criação de famosos filmes de terror, além de informações, entrevistas e todo um material gráfico interessantíssimo.

A caveira já colocou nas prateleiras (e na nossa cabeceira) os making of literários de O Massacre da Serra Elétrica e A Morte do Demônio – inclusive lançando ambos juntos em uma edição dupla aos moldes das antigas fitas VHS. O último volume da coleção foi Sexta-Feira 13 [Arquivos de Crystal Lake], de David Grove, que narra como Sean S. Cunningham e cia limitada deram vida ao filme que mudaria a cara do cinema slasher para sempre (e do terror como cultura pop em si).

Não vou negar a ninguém que Sexta-Feira 13 é minha cinesérie favorita e eu era fã de carteirinha de Jason Voorhees. Apesar do livro não compreender toda a franquia, apenas o primeiro filme, onde nosso assassino mascarado deu as caras apenas como um garoto deformado saído do lago Crystal para puxar a heroína Alice, personagem de Adrienne King, é inegável o quanto a leitura prende os fãs, e principalmente, traz detalhes interessantíssimos sobre o modus operandi de sua realização cinematográfica como filme independente de horror (mesmo distribuído pela Paramount Pictures depois).

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A narrativa entrecortada em fatos, dados e entrevistas com os realizadores, traz desde o desespero controlado de Cunningham em tentar salvar sua carreira, ao mesmo tempo em que lutava contra o estigma de diretor de filmes de terror de baixo orçamento; a batalha por conseguir grana dos donos da produtora e de uma rede de cinemas americanos, que não passavam de um bando de mafiosos; a relação vivaz entre o jovem elenco de desconhecidos, entre eles um novato Kevin Bacon; a escolha aos quarenta e cinco minutos do segundo tempo por Betsy Palmer como Pamela Voorhees – uma vez que muitas outras velhas atrizes de psycho biddy haviam sido sondadas para o papel – que só topou pois precisava pagar o conserto de seu carro; a importância da maquiagem de Tom Savini para o sucesso do longa; e como surgiu a ideia da última cena, a fatídica pulada de Jason da água, pitaco dos produtores/investidores, inspirada pelo choque final de Carrie – A Estranha, de Ridley Scott.

Todos esses causos são divididos em 11 capítulos, que trazem desde a pré-produção, busca por captação de recursos, uma breve pincelada pela carreira de Cunningham e as quatro semanas de filmagens no acampamento No-Be-Bo-Sco, em Blairstown, Nova Jersey, emulando o que seria o famoso Acampamento Crystal Lake. Tudo isso trazendo recordações de pessoas ligadas a produção em todas as esferas de desenvolvimento.

O prefácio é de ninguém menos que Savini, considerado – até entre eles – o verdadeiro responsável pelo sucesso de Sexta-Feira 13 e de elevar o nível de realismo gráfico das maquiagens do cinema de terror, com total liberdade para suas experimentações em efeitos práticos, trazendo toda sua bagagem da época em que trabalhava no exército e ter acabado de fazer o FX de Despertar dos Mortos, de George A Romero. O livro traz o extenso processo de criação das cenas de assassinato e dos protéticos, principalmente como fora realizada a fatídica sequência em que o pescoço de Kevin Bacon é trespassado por uma flecha.

Há até uma parte dedicada às influências de Cunningham para a criação de Sexta-Feira 13, que passam de Noite de Terror de Bob Clark até, claro, Halloween – A Noite do Terror, de John Carpenter e a polêmica sobre o longa ter inúmeras, hã, semelhanças com A Mansão da Morte de Mario Bava, e uma possível solução para esse causo. Outro ponto interessante foi um imbróglio com relação ao título do filme, por conta de outra produção de mesmo nome sendo rodada simultaneamente, e a tacada de mestre em registrá-lo antes e já produzir o famoso logo do vidro quebrando, sequer sem o roteiro pronto, e anuncia-lo na Variety para chamar a atenção do mercado.

Sexta-Feira 13 [Arquivos de Crystal Lake] é aquele tipo de leitura envolvente, informativa, imprescindível para os fãs do icônico longa e do eterno Jason (com uma edição limitada em capa dura emulando sua máscara de hóquei que é sensacional), com aquele tratamento impecável que só a DarkSide Books é capaz.

Ficha técnica:

David Grove – Sexta-Feira 13 [Arquivos de Crystal Lake] – 2013
Tradução: João Marques de Almeira
Lançamento no Brasil – 2015
Editora DarKside Books

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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Norberto disse:

    Carrie, a Estranha de Brian DePalma, acho que você quis dizer….

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