OST# 17 – George A. Romero

Infelizmente mais um grande mestre nos deixou esta semana e minha última homenagem ao “Pai dos Zumbis”, não poderia ser outra além do ADEUS por meio da música. A qual só fez abrilhantar as grandes obras do diretor George A. Romero.

As trilhas de seus filmes nos mostram uma extrema criatividade, indo do jazz melancólico ao italiano progressivo. Som variado que se tornou tão icônico quanto seus filmes.

A Noite dos Mortos Vivos (1968) – Vários Artistas

Em “Noite dos Mortos Vivos”, Romero optou por não usar uma partitura única. Ao invés disso selecionou fragmentos da biblioteca de músicas da Capitol. Foram temas e músicas que já haviam sido usadas em vários filmes de terror e ficção de baixo orçamento sendo utilizadas de uma forma irônica para criar um cenário nostálgico para o seu filme que define o gênero zumbi. Os toques distintos de Spencer Moore foram a abertura perfeita para Os Adolescentes do Espaço de 1959, mas se tornaram muito mais sinistros quando Romero os usou no final de A Noite dos Mortos Vivos.

Martin (1976) – Donald Rubenstein

O compositor Donald Rubenstein tinha apenas 26 anos quando teve que se disciplinar para compor a trilha para um conto de identidade e abuso de Romero. Seu irmão, Richard Rubenstein, foi o produtor do filme, ajudando o diretor a sair da segurança da biblioteca de músicas para algo bem mais arriscado. Tão arriscado que Rubenstein evitou completamente as mesmices de terror e optou por embelezar o conto único de vampiro com um jazz melancólico ao invés de cordas assustadoras e facadas. Deu tão certo que Romero pediu ao compositor para colaborar novamente em Contos da Escuridão.

Despertar dos Mortos (1978) – Goblin

Sem dúvida o melhor trabalho de Romero, embelezado por uma trilha sonora adequadamente complicada. Graças ao envolvimento do mestre do horror italiano, Dario Argento, que editou a versão européia do filme, a sua banda-fetiche de rock progressivo, a Goblin de Claudio Simonetti, foi envolvida, dando conta do recado com seus sons mais memoráveis. Com influências de King Crimson e Genesis, a banda possui trilhas nervosas, experimentações eletrônicas e vocais bizarros. Essas tendências os levaram ao título de “Banda Legendária”. Fizeram muitos trabalhos com Argento (Suspiria, Prelúdio para Matar) antes de serem apresentados a Romero. Já na edição americana de Despertar…, o público poderá perceber a mistura de toques variados da biblioteca de Romero juntamente com o som da Goblin.

Creepshow – Show de Horrores (1982) – John Harrison

Romero inicialmente escolheu um punhado de músicas do arquivo para a trilha do filme Creepshow, sua homenagem aos quadrinhos de terror da EC Comics. Tudo ia bem, mas percebendo que o som não estava dando ao filme a sensação que precisava, pois Romero e King queriam que a música nos levasse aos anos 50, quando os quadrinhos estavam no seu auge absoluto. Sabiam precisar de algo muito maior do que simples acordes e temas. Foi quando o diretor assistente de Romero, John Harrison, um guitarrista de rock se propôs a trabalhar na trilha e para surpresa, foi um dos melhores trabalhos em seu catálogo musical! Foi a primeira tentativa de Harrison em escrever trilhas sonoras e podemos dizer que o fez com entusiasmo e acerto! O uso de sintetizadores é impressionante e o ambiente dos fifties ficou em evidência.

Dia dos Mortos (1985) – John Harrison

Ao contrário de Creepshow, Dia dos Mortos foi completamente concluído antes que Harrison começasse a compor a trilha. A versão final diferiu ligeiramente do roteiro inicial de Romero que envolveu um cenário caribenho muito mais óbvio, mas o diretor foi inflexível, fazendo com que Harrison trabalhasse com as idéias iniciais para enfatizar a localização do filme. É importante destacar que, para compor, Harrison usou um Sequencial Circuits Prophets (um dos primeiros sintetizadores analógicos polifônicos), um sampler e a lendária e mais vendida máquina de bateria LynnDrum para elaborar uma de suas criações mais incomuns. Uma mistura de ritmos de tambores de aço influenciada pelo caribean staccato (ritmo de bandas caribenhas) e sintetizadores bombásticos que ainda hoje em dia são classificados como bizarros, porém brilhantes. Sem esses instrumentos específicos, por isso os destaquei, esses sons não teriam acontecido.

 

 


Val Vallone
Val Vallone
Paulista, professora de inglês, foi apresentada aos primeiros filmes de terror por sua mãe ainda criança, apaixonando-se por Christopher Lee, Peter Cushing e Bela Lugosi. Quando adolescente, conheceu o universo dos games e também os incluiu em suas prioridades de vida.

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