OST #22 – A Forma da Água

Sem dúvida nenhuma, o carequinha mais cobiçado do cinema para a melhor trilha sonora original de A Forma da Água, entregue no último domingo, foi merecidíssimo!

Alexandre Desplat, compositor responsável pela trilha do filme “ com certeza tem que comemorar mais uma estatueta. Para o filme do nerd mor Guillermo Del Toro, criou uma partitura original e perfeitamente adequada a esta fábula adulta, o a ausência de voz dos dois protagonistas, favorecendo a transição e a sutileza da excelente obra que diga-se de passagem, também mereceu a premiação de Melhor Filme, assim como o mexicano, Melhor Diretor.

A melodia cálida e ondulante remete a música romântica dos anos 50 com gaitas de boca, acordeão, assobios (do próprio Desplat, detalhe) e uma grande sessão de flautas,instrumento principal do compositor no começo de sua carreira, que disse em entrevista durante o Tapete Vermelho que é apaixonado por música brasileira, mais especificamente a Bossa Nova, e grande amigo de Edu Lobo.

A canção “The Creature”, como diz o título, é dedicada à criatura. Nesta faixa, cordas graves e flautas retratam a ameaça, e principalmente o mistério representado pelo homem anfíbio. Em “Elisa’s Theme”, flautas, acordeão e assobios tornam a melodia alegre e romântica refletindo a graça e otimismo da personagem interpretada por Sally Hawkins. Já em “The Escape”, com quase onze minutos de duração, Desplat faz o uso de timbres eletrônicos e de piano para marcar o suspense e metais, madeira e cordas para marcar a ação da loucura que a cena necessita, durante a operação de resgate da “forma”.

Lembra que falei de música brasileira? Tirem o chapéu pro cara pela escolha de “Chica Chica Boom” de Carmem Miranda, cantada na cerimônia de entrega do Oscar, e uma versão de “You’ll Never Know” interpretada por Renée Flaming. Estas canções deram algo a mais ao filme, somado  a originalidade de Alexandre Desplat que se inspirou no som e movimentos da água para criar a perfeição desta obra.

Alexandre Desplat é um compositor francês reconhecido pelas suas trilhas sonoras compostas especialmente para filmes. Possui obras de peso e de maior destaque estão: A Rainha, O Curioso Caso De Benjamin Button, O Discurso do Rei, Harry Potter e as Relíquias da Morte e Hotel Budapeste que também lhe rendeu um Oscar de Melhor Trilha após oito indicações. Além dessas, ainda sete indicações para o Bafta, vencendo duas, e oito indicações para o Globo de Ouro, ganhando uma com a trilha do filme O Despertar de uma Paixão.

Quem pode, pode! Quem não pode, feche os olhos e nade na beleza dessa obra.


Val Vallone
Val Vallone
Paulista, professora de inglês, foi apresentada aos primeiros filmes de terror por sua mãe ainda criança, apaixonando-se por Christopher Lee, Peter Cushing e Bela Lugosi. Quando adolescente, conheceu o universo dos games e também os incluiu em suas prioridades de vida.

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