Requiem: dramalhão sobrenatural britânico bem méh!

Série é produção da BBC, mas chegou nestas bandas distribuída pela Netflix. Senão, podia passar batida numa boa…


A Netflix faz a gente assistir cada coisa, né? Principalmente pela comodidade e pela estreia quase que semanal de novidades em sua grade. Você às vezes faz o login a fim de conferir o que está passando e procurar algo para matar o tempo, e acaba se deparando com algumas séries de temporada completa como Requiem, e resolve assisti-la.

Corta para sete horas depois, e você se amaldiçoou por ter desperdiçado tanto tempo do seu fim de semana, e por ter se sentido compelido a ver até o final, num processo quase masoquista. Mas, quem nunca?

Requiem é uma produção britânica bem méh da BBC, que chegou em terras brazilis pelo streaming, mas se não fosse, poderia muito bem ter passado batida e não faria falta nenhuma. Mega dramalhão sobrenatural, com uma protagonista insuportável, um emaranhado de clichês que envolvem uma criança desaparecida, forças fantasmagóricas, suicídios, espelhos, conspiração, cultos e uma cidadezinha do interior do País de Gales, que mais parece um verdadeiro enlatado direto da Terra da Rainha.

E ah, muito jumpscare também!

Matilda Gray (Lydia Wilson) é uma estrela do violoncelo viciada no Tinder que testemunha sua mãe se suicidando ao abrir a própria jugular, aparentemente sem nenhuma razão. Isso logo após um velho galês também dar cabo da própria vida se jogando do alto de sua propriedade rural, não antes de quebrar os espelhos de casa. Em luto, a moça fuçando nas coisas da mãe, descobre uma caixa de recordações com fotos, recortes e metade de um antigo pingente que remetem ao desaparecimento da jovem Carys Howell no ano de 1994, crime sem solução.

Os mortos, e o público, merecem respeito!

Junto de sua dupla de concertos e compositor, Hal Fine (Joel Fry) eles partem para o País de Gales para tentar solucionar o mistério do suicídio da mãe, e no processo, ela começa a desenterrar uma série de terríveis segredos da remota comunidade, incluindo a presença de sinistras forças ocultas, conhecidas como “Os Finos” e uma seita satânica que esperou 23 anos pelo retorno de Matilda, que enquanto isso, tenta descobrir se ela é na verdade Carys, sequestrada por aquela que se dizia sua mãe durante todos esses anos, e tentar entender o porquê daquilo tudo e qual seu protagonismo nessa charada.

Ou seja, como ela supõe ser a menina sumida no final do piloto, Matilda ficará insuportavelmente rondando em círculos durante mais cinco episódios, em uma trama rasa que nem um pires, com personagens completamente X, testando a paciência do espectador, misturando elementos sobrenaturais e atmosfera gótica aqui e acolá – daqueles mais banais, tipo sussurros, aumento abrupto do som e uns encostos em CGI – que também não metem medo em ninguém, até que de repente, em seus dois últimos episódios, acontece um plot twist, a série dá uma engrenada no fim e descobrimos a verdade por trás da porra toda.

Pelo menos, sua conclusão é bastante interessante, diga-se de passagem, mas na boa, não compensa aguentar o tédio enorme até chegar lá, fora o caminhão de situações previsíveis, nada originais, e as tentativas tacanhas de se fazer mistério e assustar, tentando prender a atenção do espectador. Sem contar o quanto a Matilda é uma personagem irritante, que chega a dar nos nervos, inclusive o tanto de presepada que ela faz.

A palavra Réquiem vem do latim, e significa “Missa dos Mortos”, oferecida pela Igreja Católica (também pela igreja anglicana, no caso) para o repouso da alma das pessoas falecidas, frequentemente usada no contexto de um funeral. Ao terminar de assistir a série, de tão sem graça, quase pensei que um Réquiem tivesse de ser celebrado para o meu repouso.

Espelho meu, existe protagonista mais chata que eu?


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

1 Comentário

  1. Anna Belchowish disse:

    Obrigado por me poupar 7 horas

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