Review 2015: #05 – Clown

Jon Watts, diretor escolhido para a próxima aventura solo do Homem-Aranha nos cinemas, iniciou a carreira com um filme de terror trash. Assim como um tal de Sam Raimi… 😉


No começo da tarde da última terça-feira (23), o mundo nerd entrou em polvorosa com o anúncio do ator Tom Holland como o novo Homem-Aranha. BOOM! Mas, de forma bem discreta, a Marvel também anunciou o diretor do próximo filme solo do Cabeça de Teia, um tal de Jon Watts. Ele foi escolhido por conta de seu longa anterior, Cop Car, thriller com Kevin Bacon que fez burburinho quando exibido no último Festival de Sundance. Ninguém parece ter dado muita importância pra esta informação, em particular.

O lance é que Clown, é um dos primeiros longas dirigidos pelo cineasta que, antes disso, basicamente tinha trabalhado com filmes para a TV. E vejam só, é um filme de terror, sobre um palhaço assassino.

Nos créditos, em destaque, aparece Eli Roth como produtor — e o cara manja dos paranauê, com filmes como O Albergue, Cabana do Inferno e o talvez-eternamente-inédito Canibais (o tal The Green Inferno, inspirado no famoso ciclo italiano antropófago dos anos 70 e 80) no currículo, além de ser produtor de O Último Exorcismo, produtor executivo da série Hemlock Grove e parça do Tarantino (e responsável pelo MELHOR momento de Bastardos Inglórios ao dizer: MAR-GHE-RI-TI com seu sotaque italiano fake).

Mas eu sou o pagliacci

Mas eu sou o pagliacci

Clown é um filme deliciosa e sadicamente divertido. Por incrível que pareça, ele se leva a sério a todo momento, por mais bizarro e estapafúrdio que seja seu roteiro, que aliás, foi coescrito por Watts. O pequeno Jack (Christian Distefano) escolheu o tema PALHAÇOS para sua festa de aniversário, e sua mãe Meg (Laura Allen) contrata um arlequim para alegrar a garotada, que acaba furando de última hora. Para não deixar o pivete na mão, seu pai Kent (Andy Powers), um corretor de imóveis, encontra em uma casa à venda uma antiga fantasia de palhaço dando sopa (ah, vá!) e resolve vesti-la.

Só que no dia seguinte ele não consegue tirar a roupa — que, por algum motivo bizarro, está colada ao seu corpo. Ele tenta com um estilete, com uma lixa elétrica, e nada funciona. Aos poucos, sua personalidade vai se deteriorando, assim como sua aparência, até descobrir que o falecido dono da fantasia era irmão de um antiquário que trouxera a indumentária da Islândia, e, na mitologia nórdica original, o mito do palhaço na verdade é uma criatura demoníaca que raptava as crianças para se alimentar durante o inverno.

Kent começa a se transformar nessa criatura mutante maligna sedenta pela carne dos infantes (que passa a ser interpretada pelo próprio Eli Roth, com uma maquiagem e caracterização dignos de nota) e a única forma de quebrar a maldição é descolar cinco guris para ele jantar. O que eu tenho a dizer disso tudo é que Clown é REALMENTE DO MAL!

Não vai rir da minha piada?

Não vai rir da minha piada?

Pense em um filme ERRADO? É esse daqui, pois em nenhum momento ele se sente constrangido em mostrar CRIANCINHAS SENDO AMEAÇADAS, MORTAS, DESTROÇADAS, DEVORADAS e sangue para tudo quanto é lado.

Sabe o que mais? Palhaços, pessoal. Tem realmente uma pá de gente que tem medo deles. Coulrofobia é o nome disso. É estritamente não recomendado a esta galera assistir a Clown. Certeza que Pennywise, o palhaço de A Coisa do Stephen King, o suprassumo dos bufões malvados eternizado por Tim Curry em It – Uma Obra Prima do Medo, deve ter ficado orgulhoso. E mais, não pense na bobagem divertida e farrista do clássico dos clássicos, Palhaços Assassinos do Espaço Sideral, campeão de audiência do Cine Trash da TV Bandeirantes nos anos 90. Clown tem um tom bem sério e sádico e com o desenrolar da história, apesar de ser uma bobagem, dá logo para sacar que um final feliz é praticamente impossível.

Agora resta esperar Cop Car chegar por aqui no Brasil (se é que vai chegar…), e a longa e tortuosa estrada até 2017 para ver a sua visão para o personagem em quadrinhos MAIS DA HORA de todos os tempos. Só espero que a molecada fã do Aranha não resolva assistir Clown para conhecer o passado do diretor de seu herói favorito. Isso poderá render noites mal dormidas, uma baita dor de cabeça para seus pais e futuros anos de terapia.

 

3,5 fantasias de palhaço para Clown

Texto originalmente publicado no Judão
Pronto para descabelar

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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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