Review 2015: #16 – O Último Caçador de Bruxas

Semi-blockbuster cuja intenção é agradar aos fãs de RPG e gamers por conta de sua estética cinematográfica inspirada nessas mídias!


Caso você não saiba, muito antes de se tornar o marombado Nic Toretto na já infinita franquia Velozes & Furiosos, Vin Diesel era um nerd de carteirinha, viciado em RPG e jogador assíduo de Dungeons & Dragons. Até difícil de acreditar, né? Fica mais fácil conceber a imagem de um pequeno Mark Sinclair (seu nome de batismo) rolando dados D20 em uma mesa de tabuleiro e rabiscando a lápis pontos em uma ficha de personagem depois de assistir O Último Caçador de Bruxas, que estreou ontem nos cinemas do Brasil.

Kaulder, o personagem de Diesel no longa, fora inspirado em um guerreiro medieval caçador de bruxas chamado Melkor (nome roubado de O Silmarillion, de J. R.R. Tolkien, segundo o próprio ator), com sua espada flamejante, vestimenta de pele, longa barba e tranças, o qual ele jogava em suas maratonas de D&D, trazido à vida pelo roteirista Cory Goodman, que coescreve o longa junto de Matt Sazama e Burk Sharpless.

Os primeiros 15 minutos do filme, que se passa durante a Idade das Trevas, mostra uma cruzada de intrépidos guerreiros no encalço da Rainha Bruxa, uma poderosa feiticeira que espalhara a Peste Negra com o altruísta pretexto de acabar com a humanidade que se reproduzia como ratos e estava interferindo o equilíbrio com a natureza. Kaulder tem ainda um motivo mais particular para acabar com a bruxa: sua esposa e filha foram mortas pela criatura.

Após travar uma batalha com a monstruosidade em seu sinistro covil e derrotá-la, a Rainha roga uma maldição contra o guerreiro lhe concedendo imortalidade, para que ele viva por toda a eternidade carregando a dor da perda. Caso o filme tivesse terminado aí, como um curta metragem, seria dos mais interessantes. Ou que pelo menos sua trama continuasse durante a Idade Média, com toda aquela pegada medieval e Diesel com seu visual bárbaro viking, ao melhor estilo Senhor dos Anéis ou Game of Thrones.

Barbado e furioso

Barbado e furioso

Mas não, eis que 800 anos depois ele está nos tempos atuais atuando como uma arma viva de um grupo conhecido como A Ordem do Machado e Cruz, cuja missão é monitorar e controlar as bruxas e feiticeiros que ainda convivem ente nós como uma sociedade secreta, vivendo sobre um tênue acordo de paz, tendo que seguir algumas leis e regulamentos. De Dungeons & Dragons, passamos para um conceito famoso em outro sistema de RPG: Vampiros – A Máscara, substituindo os chupadores de sangue pelas bruxas que estão entre nós, porém proibidas terminantemente de usar seus feitiços contra os humanos.

Kaluder é sempre acompanhado por um sacerdote conhecido como Dolan, que irá lhe prestar auxílio durante toda a vida e será seu elo de ligação com a Ordem. O 36º Dolan, papel de Michael Cane, acaba de se aposentar e passar o bastão para o novato Elijah Wood, que será o trigésimo sétimo sidekick do último caçador de bruxas. Só que o personagem de Cane acaba sendo assassinado e Kaulder descobre indícios de bruxaria em sua morte. Suas investigações o levará ao fato de que um grupo de feiticeiros dissidentes, liderados pelo parrudo Belilal (Ólafur Darri Ólafsson), pretende trazer a Rainha Bruxa à vida novamente, para que mais uma vez ela espalhe a praga no intuito de dizimar a humanidade.

Contando com a ajuda do 37º Dolan e Chloe (Rose Leslie, a Igritte de Game of Thrones), uma bruxa com capacidade telepática de penetrar e manipular o sonho das pessoas, Kaulder descobrirá que nada mais é que um peão manipulado há oito séculos pela própria Ordem a qual faz parte e sua imortalidade possui uma ligação muito mais intrínseca com a Rainha Bruxa do que imaginava.

O Último Caçador de Bruxas é um semi-blockbuster cuja intenção é agradar em cheio aos jogadores de RPG e gamers, tanto por conta de seu roteiro quanto sua linguagem estética e cinematográfica inspirada nessas mídias. O abuso violento de CGI, as investigações que vão desenrolando a trama e as batalhas contra as criaturas usando desde armas brancas, passando por armas de fogo e luta corpo-a-corpo dão aquela nítida sensação de que alguém está por trás de um joystick controlando Kaulder e você está assistindo a um gameplay, ou participando como NPC de alguma quest de Role-Playing Game.

Como exemplar do cinema fantástico moderno ele deixa a desejar, mas também não é tão ruim quanto o esperado, caso você esteja no mood e desligar seu cérebro por 106 minutos, sem exigir absolutamente nada demais, ignorar aquela costumeira atuação bisonha de Diesel e um final clichê dos mais piegas. Pode até ser que se divirta (principalmente na sequência inicial, ambientação que o filme deveria ter se mantido) e capaz até de lhe render várias ideias para mestrar uma hipotética partida de D&D para os amigos. Caso contrário, é só mais um filme de ação completamente “a cara de Hollywood”, que não fará a menor diferença na sua vida.

 

3,5 dados de RPG para O Último Caçador de Bruxas

Os caçadores

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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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