Review 2015: #17 – Tales of Halloween

Segmentos bons e outros muito ruins, sortidos como os doces encontrados nas sacolinhas de gostosuras e travessuras!


Antologias já se tornaram uma tradição no cinema de horror. Desde o seminal Na Solidão da Noite, o primeiro a trazer esse recorte de filme mosaico para o gênero, essas produções compostas por vários segmentos com histórias independentes (ou coligadas por um tema principal) sempre despertaram o interesse do fã do terror.

A produtora inglesa Amicus, concorrente da Hammer, foi uma das mais prolíficas em produzir esses filmes portmanteau nos anos 60 e 70, sempre estrelados por grandes atores do gênero, como Peter Cushing, Christopher Lee, John Carradine, David Pleasence, Jack Palance, entre outros. Stephen King e George A. Romero também se uniram em Creepshow – Show de Horrores e Creepshow 2 para dirigir, escrever e produzir curtas inspirados pelos quadrinhos da E.C. Comics. Mais recentemente esse tipo de produção retornou ao menu em filmes como V/H/S/ e O ABC da Morte.

Tales of Halloween é mais uma incursão no que já pode ser até considerado um subgênero, que assim como Contos dos Dias das Bruxas, traz uma série de segmentos que se passam na noite da véspera do dia 31 de outubro, a chamada “Noite de Todos os Santos” da mitologia celta, que deu origem ao famoso feriado macabro nos países anglo-saxões.

Ao todo, são 10 histórias independentes, mas que possuem ligação de alguns atores, personagens e menções entre si, dirigidas por conhecidos nomes do terror moderno, como Neil Marshall (Dog Soldiers – Cães de Caça e Abismo do Medo), Darren Lynn Bousman (Jogos Mortais 2, 3 e 4), Lucky McKee (May – Obsessão Assassina), Dave Parker (Colinas de Sangue), Mike Mendez (Maldita Aranha Gigante! e Carta para a Morte) e Paul Solet (O Mistério de Grace).

Travessuras infernais

Travessuras infernais

Idealizado por Axelle Carolyn, Tales of Halloween traz fantasmas, monstros, trolls, demônios, alienígenas, serial killers e até uma abóbora assassina (???!!!) que estão à solta em um subúrbio americano na fatídica noite, em histórias entrecortadas que tem como link um programa de rádio apresentado por Adrienne Barbeau, quase reprisando o seu papel no clássico A Bruma Assassina de John Carpenter.

O primeiro segmento, “Sweet Tooth”, um dos melhores da antologia, é dirigido por Dave Parker e traz uma lenda urbana de um garoto cujos pais não permitiam que comesse as guloseimas coletadas durante a noite e ao descobrir que eles ficavam com todos os doces para eles, mata ambos e os devora, fazendo com que seu espírito retorne ano após ano para comer aqueles que não lhe deixam doces de oferenda.

Segue com “The Night Billy Raised Hell” de Bousman, onde um velho cansado de ter sua casa depredada todo Halloween, rapta o jovem Billy, que não fazia ideia que ele é o próprio capeta em pessoa, e resolve pregar uma peça nele, saindo com seu pequeno demônio de estimação para causar na cidade e colocar toda a culpa no garoto. Em “Trick”, o diretor Adam Gierasch traz um macabro conto de vingança contra adultos que se divertiam em sequestrar, torturar e mutilar crianças. “The Weak and the Wicked”, dirigido por Solet, também é uma história de vingança, de um adolescente que conjura um demônio para se vingar de uma gangue de delinquentes que provocaram a morte de seus pais anos atrás.

Carolyn traz seu conto sobrenatural sobre uma garota que se perde do caminho e é seguida por um espírito em “Grimm Grinning Ghost”. Já McKee abusa de toda sua maluquice e exagero caricato em “Ding Dong”, onde Pollyana McIntosh (com quem trabalhara em The Woman) vive uma bruxa frustrada por não conseguir ter filhos, que desconta toda sua raiva em seu marido estéril, obrigando-o a se vestir de João (da fábula João e Maria) enquanto anseia por uma criança para poder cozinhar em seu forno. “This Means War”, codirigido por Andrew Kersch e John Skipp traz uma batalha entre dois vizinhos que decoram suas casas para o Halloween de maneiras bem diferente: um de forma convencional para receber crianças e outro que junta seus amigos bêbados headbangers para ouvir música no último volume.

O Ataque das Abóboras Assassinas

O Ataque das Abóboras Assassinas

A sequência dos três últimos contos são as cerejas do bolo de Tales of Halloween: “Friday the 31st” é uma óbvia paródia a Sexta-Feira 13 com um assassino inspirado em Jason Voohrees perseguindo uma garota vestida de Doroty. Porém ao ser assassinada, um disco voador aparece no local e um alienígena feito de stop motion desce à Terra para pedir gostosuras ou travessuras, e daí a história vira uma verdadeira galhofa gore. “The Ransom of Rusty Rex” traz dois desafortunados sequestradores que querendo ganhar uma grana com resgate e sem saber acabam raptando um troll que vai arrastar para o lado deles com todo tipo de traquinagem, no segmento dirigido por Ryan Schifrin (filho do lendário compositor Lalo Schifrin, responsável pela famosa música tema de Missão: Impossível). Por fim, Neil Marshall apresenta “Bad Seed”, outro conto de humor camp onde uma abóbora assassina mutante geneticamente alterada sai por aí devorando pessoas, ao melhor estilo O Ataque dos Tomates Assassinos.

Tales of Halloween ainda conta com uma série de participações especiais no elenco, como Lin Shaye (da trilogia Sobrenatural), Barry Bostwick (The Rocky Horror Picture Show), Barbara Crampton e Stuart Gordon (atriz e diretor de Re-Animator – A Hora dos Mortos Vivos e Do Além), John Landis (diretor de Um Lobisomem Americano em Londres), Joe Dante (diretor de Grito de Horror e Gremlins), Mick Garris (diretor de Sonâmbulos e A Dança da Morte) e Adam Green (diretor de Terror no Pântano), além de prestar várias homenagens e ser recheado de easter eggs.

Como toda antologia, Tales of Halloween tem segmentos bons e outros muito ruins, sortidos como os doces encontrados nas sacolinhas de gostosuras e travessuras, apresentando um resultado regular mas que se mostra um passatempo descompromissado e divertido para aqueles que não exigem muito para um programa cinematográfico de Dia das Bruxas.

 

3,5 doçuras ou travessuras para Tales of Halloween

Fantasiado!

Fantasiado!


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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