Review 2015: 19 – June

A impressão é que você teve uma lobotomia temporária enquanto assistia ao filme!


Sabe aquele filme que ao término você tem vontade de mandar um e-mail para os idealizadores pedindo sua 1h30 de vida de volta? Esse é o caso de June, que batalha ferozmente pelo posto de pior filme de 2015.

Uma trama completamente subaproveitada, um roteiro pobre, óbvio e cheio de clichês, misturado com efeitos especiais meia-boca e atuações desastrosas (salvo a protagonista, Kennedy Brice, da série The Walking Dead) já bastariam para afastar qualquer bravo que tente assistir o longa até o final. Mas, além disso, simplesmente NADA acontece em June, a trama não se desenvolve, as situações são forçadas e arrastadas até seu final inócuo, e a impressão que dá é que você teve uma lobotomia temporária enquanto a película passava diante dos seus olhos.

Uma mistura que deu errado de Carrie – A Estranha, A Filha da Luz, A Profecia e O Bebê de Rosemary, June traz uma já batida trama do cinema de horror: uma grávida que oferece sua criança a um culto satanista onde o bebê será o receptáculo de uma força das trevas chamada AER, que trará a danação para a humanidade.

Porém o ritual é sabotado por uma das participantes na hora H e o bebê é roubado. Passados oitos anos, June cresceu e divide seu corpo com a entidade maligna que lhe dá poderosas habilidades telecinéticas e vez ou outra, quando estressada, triste ou ameaçada, a garotinha perde o controle e coisas ruins acontecem.

#chateada

#chateada

Após um desastroso período vivendo num lar adotivo de uns caipiras negligentes, o assistente social Victor Emmanuel (Eddie Jemison), único que parece se importar com o bem-estar da garota, sabe de suas habilidades sobrenaturais e tenta a todo custo achar uma família que dê amor à garotinha, resolvendo escolher os Andersons como novos pais adotivos de June.

Dave (Casper Van Dien, de Tropas Estelares e A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça) e Lilly (Victoria Pratt) parecem ser o casal perfeito que dará abrigo e amor para June, ainda mais depois de Lilly ter perdido seu bebê durante a gravidez. Só que aos poucos, o comportamento de June influenciado por AER, e a desconfiança de Dave com relação aos poderes da garota (ainda mais quando ela começa a riscar o sujeito em seus desenhos e dizer a ele com sua voz de possuída que ele irá morrer), fará com que o casal entre em conflito, apenas para que as verdadeiras intenções dos envolvidos para com June sejam reveladas.

Parece que nada no roteiro tem um propósito, pelo menos até seu terceiro ato, quando uma manjada conspiração é revelada, e alguns momentos são verdadeiramente confusos e sem o menor sentido, como por exemplo, por que a família de rednecks adotaria mais uma filha, sendo que já possuem cinco e estão nem aí para as crianças (eles ganham algum tipo de Bolsa Família por lá?), ou por que o serviço de assistência social não mandou June para a casa dos Anderson logo de prima, já que tudo estava maquinado desde o começo.

Se há uma única coisa que se salve é a fotografia de Ryan Patrick Dean e toda a pegada de filme artsy, com a trilha sonora monocórdia e minimalista de Juliette e Sean Beavan, que dá certo ar de beleza e melancolia ao filme, fora que a direção de L. Gustavo Cooper não compromete, obviamente prejudicada por todos os outros pormenores (leia-se roteiro e atores).

June não assusta, não intriga e não envolve. Não é criativo, ousado e simplesmente não desenvolve a trama indo a lugar algum, dando ao espectador aquela ingrata sensação de tempo perdido diante da tela.

 

1 poder telecinético para June

Dando a luz!

Dando a luz!


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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