Review 2016: #01 – A Casa do Medo

Nova seção do 101HM traz as resenhas fresquinhas dos filmes de terror lançados neste ano!


E foi dada a largada! Já estão brotando nos confins do universo virtual os primeiros filmes de terror de 2016, para alegria geral da nação fã de horror! A pequena amostra de filmes já anunciados está bem animadora e com certeza os festivais mundo a fora já estão preparando suas surpresas.

Considere esta resenha como o pontapé inicial de uma nova seção do 101HM, na qual eu, Daniel Rodriguez do antigo blog Dead Dans, estarei analisando e comentando os lançamentos de terror de 2016, dos famosinhos aos mais desconhecidos.

O filme inaugural da sessão é o norte americano Intruders (ou ‘Shut In’, segundo o iMDB), trabalho de estreia de Adam Schindler. Muita atenção! Cuidado para não confundir este filme com Intrusos de 2011 ou A Casa do Medo de 2015, pois em inglês estes se chamam ‘Intruders’ e ‘The Intruders’ respectivamente. Curiosamente, o título extremamente genérico reflete na própria falta de originalidade do filme.

Intruders acompanha a história de Anna, interpretada pela desconhecida Beth Riesgraf, uma jovem que sofre de agorafobia, um tipo de transtorno severo que a impede de sair de casa. Anna vive cuidando de seu irmão Conrad (Timothy McKinney) que está em leito de morte. Sua única relação social, além do próprio irmão, se dá com o entregador de comida Danny, interpretado por Rory Caulkin. Sim, você não leu errado, Rory é o irmão mais novo de Macaulay Caulkin e por mais surpreendente que possa parecer, é aquele garotinho asmático do filme Sinais!

A dama de preto

A dama de preto

O irmão logo vem a falecer, deixando Anna sozinha como sua herdeira. Sem saber o que fazer, a moça oferece à Danny um saco cheio de dinheiro, parte de sua herança, mas ele recusa o estranho presente. A notícia da pequena fortuna desprotegida na casa rapidamente chega aos ouvidos de três amigos, J.P. (Jack Kesy), Perry (Martin Starr) e Vance (Joshua Mikel), que então planejam assaltar o local durante o velório, esperando encontrar a casa vazia. Mas como Anna é incapaz de sair do local, um encontro inesperado entre ela e os invasores acontece.

O primeiro ato do filme transcorre da forma mais genérica possível. As atuações são decentes, apesar de não haver química alguma entre Anna e Danny nos poucos momentos de contato entre eles. Os diálogos são simplórios, assim como a sequência de acontecimentos que leva ao fatídico encontro entre a moradora da casa e os criminosos, que também são personagens ultra genéricos. No entanto, a partir daí o filme toma um rumo completamente inesperado. Atenção! O trailer do filme entrega a reviravolta de bandeja, o que claramente tira o impacto deste que é o ponto alto do filme. Nem vamos postar aqui então!

Essa segunda parte do enredo, pós reviravolta, tira o longa do patamar clichê por alguns momentos. O suspense e a expectativa tomam conta, mas infelizmente por pouco tempo. O filme falha em trabalhar esse suspense devido ao ritmo aceleradíssimo que faz os eventos parecerem acontecer em tempo real, sem que os personagens sequer tenham tempo de se preocupar verdadeiramente com a situação em que se encontram.

Quer fogo, gata?

Quer fogo, gata?

Intruders tem vários lapsos de qualidade e potencial não desenvolvido. O roteiro utiliza muito bem um MacGuffin, técnica narrativa popularizada por Hitchcock que consiste em um elemento no filme que coloca a história em andamento, mas que se torna irrelevante no desenrolar dos eventos. A produção também fez um trabalho ótimo com a criação da casa misteriosa, cheia de passagens e cômodos secretos, apesar desta ter sido apresentada de maneira extremamente confusa.

Já na reta final, o grande plot twist mencionado agora há pouco é justificado de maneira pouco convincente, em uma tentativa vã de criar algo diferente e inteligente. A força do clichê acaba por assumir o roteiro mais uma vez, apontando para um final previsível e decepcionante.

Intruders poderia ter se destacado no gênero se fosse mais ousado, mais agressivo, algo na linha de A Invasora, por exemplo, ou mesmo se tivesse focado mais no suspense, como no Hitchcock que tenta evocar a todo tempo. No fim das contas é um filme decente, porém esquecível.

2.5 invasores para Intruders

Modo stealth

Modo stealth


Daniel Rodriguez
Daniel Rodriguez
Formado em psicologia, professor, futuro roteirista e fã incondicional do terror, tanto no cinema, quanto na TV, literatura e quadrinhos. Mais que estudar o gênero, quer ser um historiador do horror para sua geração e futuras. E ao contrário do estereótipo do mineiro quieto, adora alimentar uma treta.

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