Review 2016: #04 – The Veil

Thomas Jane, Lily Rabe e Jessica Alba se reúnem ao redor de um culto religioso suicida na nova produção da Blumhouse


Os fãs de horror já estão mais do que acostumados com a frase “Dos Produtores de Atividade Paranormal e Sobrenatural” estampada em cartazes de filmes. Essa é a marca da BlumHouse, produtora norte-americana que se tornou um fenômeno no mercado cinematográfico com sua produção maciça e econômica de filmes, em sua maioria de terror e suspense. O mais recente trabalho da produtora é The Veil, ou em tradução literal em português, O Véu, que periga receber o nome de “O Véu do Mal” por aqui, pode apostar.

Em The Veil, uma equipe de produção encabeçada por Maggie (Jessica Alba) viaja até a sede do antigo culto religioso Véu do Paraíso, que sob a liderança de Jim Jacobs (Thomas Jane), cometeu suicídio coletivo vinte e cinco anos atrás. Interessada em realizar um documentário com novas informações sobre o suicídio em massa, Maggie entra em contato com Sarah (Lily Rabe), a única sobrevivente da tragédia. Porém, no local já há muito abandonado, a equipe encontra muito mais do que o esperado.

A temática de The Veil é inspirada por dois casos reais de suicídio coletivo: O caso norte-americano da comunidade Portões do Paraíso, onde 39 pessoas cometeram um suicídio quase ritualístico, que envolveu a ingestão de fenobarbital misturado com molho de maçã e vodca, sacos plásticos na cabeça para induzir asfixia, roupas idênticas, pedaços de pano roxo cobrindo o rosto e alguns dólares no bolso. A outra inspiração vem do caso mais notório de suicídio coletivo da história, o massacre de Jonestown, na qual o líder espiritual Jim Jones conduziu mais de 900 pessoas à morte através da ingestão de cianureto. Apesar da inspiração real, o filme toma rumos sobrenaturais que o diferenciam da realidade e de filmes exploradores de tragédia como O Último Sacramento.

Como mencionado anteriormente, o filme acompanha a produção de um documentário, mas surpreendentemente ele não é um found footage. De forma semelhante ao filme A Entidade, da mesma produtora, exibe esporadicamente algumas filmagens do culto, revelando aos poucos o que realmente aconteceu com Jim Jacobs e seus seguidores. No decorrer da história, os personagens encontram e assistem imagens gravadas pelos próprios cultistas.

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#chatiada

A performance de Thomas Jane no papel de líder espiritual é excepcional e irreconhecível. O ator parece evocar um verdadeiro rock star espiritual, há quem aponte semelhanças com Jim Morrison inclusive. Jessica Alba parece viver um paradoxo temporal em sua vida. Enquanto fisicamente aparenta ter rejuvenescido, mantendo toda sua beleza, a carreira como atriz claramente perdeu o brilho. Entrega aqui uma performance pouco dedicada e nem um pouco memorável. Lily Rabe, no papel da atormentada Sarah, leva um pouco de sua personagem mais icônica, a conflituosa Irmã Mary Eunice de American Horror Story, o que com certeza agradará aos fãs da série.

A temática sobrenatural do filme tem elementos bem interessantes, baseados no gnosticismo. Mas infelizmente o conceito diferenciado fica jogado em meio à um filme completamente enlatado, que não oferece nada de novo ou diferente em termos de cinema. The Veil é basicamente mais um filme com o selo Blumhouse de qualidade, ou seja, é bem feito, bem produzido, com rostinhos familiares e zero de ousadia. A previsibilidade reina, os clichês estão por todos os lados, desde os jumpscares até o comportamento dos personagens. Fica a impressão de ser um filme feito apenas para cumprir a cota anual de terror genérico.

Seguindo a filosofia do próprio Jim Jacobs (que vale ressaltar novamente, é a melhor parte do filme), existe algo maior e mais complexo por baixo da aparência frágil e comum de O Véu. Apesar do filme ser decente e fácil de assistir, é mais um caso de potencial desperdiçado pela mediocridade cinematográfica.

3 líderes espirituais loucos para The Veil.

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Mentalista


Daniel Rodriguez
Daniel Rodriguez
Formado em psicologia, professor, futuro roteirista e fã incondicional do terror, tanto no cinema, quanto na TV, literatura e quadrinhos. Mais que estudar o gênero, quer ser um historiador do horror para sua geração e futuras. E ao contrário do estereótipo do mineiro quieto, adora alimentar uma treta.

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