Review 2016: #10 – Orgulho e Preconceito e Zumbis (2016)

Uma bobagem divertida que agrada tanto fãs de zumbis, gore e ação, quando fãs de comédia, romance, e claro, da sofrência de Jane Austen


 

Você é fã de filmes de zumbi, de gore e de porradaria. Sua namorada é fã de Jane Austen e filmes sofrência. Ou vice versa. Suas brigas intermináveis em escolher o que assistir no cinema terminaram, ou pelo menos, ganharam uma trégua, com a estreia de Orgulho e Preconceito e Zumbis nessa quinta-feira nos cinemas brasileiros.

Vai por mim, o longa do diretor Burr Steers, inspirado no livro mashup de Seth Grahame-Smith, vai agradar ambos. É uma grande bobagem, fato. Mas uma bobagem divertida, que passeia pelo terror, ação, romance e comédia, e se mostra como um passatempo despretensioso, daqueles filmes deliciosamente toscos que você nem vê o tempo passar.

Lançado na época da febre dos mashup literários, Smith pegou o famoso romance de Jane Austen, que traz a história de Elizabeth Bennet lidando com problemas relacionados a educação, cultura, moral e casamento na sociedade aristocrática britânica do Século XIX, e principalmente, seu romance conturbado com o egocêntrico, orgulhoso e preconceituoso Mr. Darcy, e colocou-o no meio de uma hecatombe zumbi.

Uma misteriosa praga se espalha pela Inglaterra, confinando a capital Londres atrás de uma muralha, e após uma violenta guerra contra os mortos-vivos e de uma parcial vitória, algumas das famílias abastadas passam a voltar para os campos, morando em grandes casarões fortificados. Mr. Darcy, ou Coronel Darcy, como gosta de ser chamado, vivido por Sam Riley, é o mais voraz e eficiente caçador de zumbis do reino, que não tem misericórdia das criaturas comedoras de carne humana e usa de moscas carniceiras para detectar os infectados.

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As Bennetts ninjas

Do outro lado temos Elizabeth Bennet, papel de Lily James (que fisicamente lembra muito a Keira Knightley, protagonista da famosa e mais recente adaptação cinematográfica de Orgulho e Preconceito), que junto de suas outras quatro irmãs, foram enviadas para a China para se tornarem mestres shaolin nas artes marciais e em várias armas brancas. Tá bom pra você?

Os caminhos dos dois se cruzarão quando o amigo de infância de Mr. Darcy, o belo e cheio da grana Mr. Bingley (Douglas Booth) resolve fazer um baile na tentativa de encontrar uma futura esposa, e a Sra. Bennett quer que alguma de suas filhas se case com um homem de posses. Elizabeth é a única que não tem interesse em arrumar marido, só nas tretas. Quando os zumbis invadem o baile, as irmãs Bennet se colocam em ação, junto com Mr. Darcy, para enfrentar as horrendas criaturas, e daí começa a relação de amor e ódio entre os dois personagens, principalmente depois que o sujeito vê a moçoila em combate.

Mais tarde, surge um terceiro elemento nessa história, o Mr. Wickham (Jack Huston), militar, charmoso, polido e que desenvolve uma queda por Elizabeth e também mantém o mesmo desprezo por Darcy, por conta de questões familiares. Diferente dos demais combatentes, ele acredita que seja o momento de tentar encontrar um diálogo com os zumbis, que são em maioria e esse desequilíbrio na balança uma hora irá ser responsável pela derrota da Grã-Bretanha, que já tem seus recursos praticamente escassos por conta dos anos de guerra.

Ele descobre que a fome e o comportamento agressivo deles é proveniente de sua alimentação por cérebro humano, mas que eles podem ser controlados se alimentados de cérebro de porco, como descoberto em um pequeno vilarejo de zumbis que vive em paz na Paróquia de São Lázaro. O lance é uma coexistência pacífica entre os dois.

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Carne nobre!

Como um bom clássico zumbi, o filme tem lá suas doses de crítica social, seguindo a escola de George A. Romero, e no final fica bem claro, quando descoberto o verdadeiro vilão da história, que os humanos são sempre piores que os mortos, o que forçará uma aliança entre Elizabeth e Mr. Darcy, de onde florescerá seu amor.

Mas isso é o de menos, porque a regra do dia de Orgulho e Preconceito e Zumbis é a galhofa, principalmente encarnado no personagem Parson Collins (Matt “Dr. Who” Smith), definitivamente o mais engraçado personagem do longa. Para os fãs de Games of Thrones, vale também ver dois Lannisters, pai e filha, na tela grande: Sr. Bennet, vivido por Charles Dance, o Tywin e Lady Catherine de Bourgh, interpretada por Lena Headey, a Cersei.

Os grandes méritos, e consequentemente acertos, de Orgulho e Preconceito e Zumbis é não se levar a sério desde o começo, primando apenas pelo puro e simples entretenimento besta, não ter vergonha de parecer ridículo (e ele é) em vários momentos, tirar sarro da sua própria cafonice e não abusar das sequências de ação e lutas coreografadas, e não se importar com a violência gráfica em off. Em compensação, era completamente desnecessária algumas maquiagens dos zumbis feitas de CGI, em pleno 2016, época em que The Walking Dead elevou o patamar dos efeitos práticos das criaturas desmortas na televisão.

Deu um match no Tinder ou um crush no Happn e quer um programa a dois que misture mortos-vivos, comédia besteirol e romance piegas? Orgulho e Preconceito e Zumbis é a pedida certa!

Texto originalmente publicado no Boca do Inferno
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Podre de rica!

 


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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