Review 2016: #14 – The Lesson

Filme mostra que a melhor maneira de aprender é com pregos e um martelo!


O ano de 2016 tem sido no mínimo, curioso para os filmes de terror, alcançando extremos como um forte concorrente a melhor filme de terror do século, até coisas horríveis que mal merecem ser chamadas de filme, enquanto a grande maioria cai no campo da neutralidade e do esquecimento imediato, tão genéricos eles são. Felizmente, The Lesson chega para encorpar a lista de filmes interessantes, mesmo que não seja um filme para todos os gostos. Entenda o porquê:

Escrito e dirigido pela atriz veterana Ruth Platt, que faz seu debute no comando de um longa-metragem, The Lesson entra para o quadro de “mulheres do horror”, que foi debatido por aqui durante a semana da mulher. E atenção! Em 2014, um drama búlgaro chamado Urok recebeu o título em inglês The Lesson e, em português, A Lição. Os dois envolvem professores e alunos problemáticos, mas a versão que nos interessa é a mais nova e mais cheia de sangue.

O filme acompanha Fin, um jovem estudante do ensino médio que, em parceria com seus colegas, dedica o tempo livre com vandalismo e comportamentos delinquentes, isto quando os garotos não o fazem em sala de aula. Em casa, Fin divide espaço com um irmão mais velho com quem não se dá muito bem e com a namorada do mesmo, por quem ele tem uma queda. Há ainda um outro personagem importante na trama, o senhor Gale, professor de língua inglesa e/ou literatura. Cansado de ser humilhado em sala de aula e de ser incapaz de ensinar certos alunos, Gale tem seu dia de cão e sequestra alguns alunos para uma lição que eles nunca vão esquecer.

A premissa é bem comum e à primeira vista remete ao subgênero torture porn, mas existem alguns elementos bem peculiares que o difere destes. O primeiro detalhe que com certeza mais afastará os espectadores é que The Lesson tem um estilo visual bem art-house, típico daqueles dramas europeus popularmente conhecidos como filmes de hipsters.

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Se a moda pega no ensino público do Brasil…

A estética tem uma pegada mais realista, utilizando luz natural e atores pouco conhecidos. Apesar disto, também abusa de um estilo mais onírico em alguns momentos, por vezes de forma bem sutil como na sequência final, mas também com algumas verdadeiras viagens de ácido, como nas cenas de tortura.

Se esse aspecto já o diferencia do convencional, a parte mais sanguinária do filme agradará ainda menos. The Lesson quebra a convenção dos filmes de tortura ao colocar a violência como secundária à um outro objetivo, e não como o objeto de sua própria satisfação. O torturador/professor, utiliza da violência exagerada como forma de segurar a atenção dos jovens para aquilo que lhe interessa mais, dar-lhes uma lição sobre comportamento e ética.

Não há aqui um assassino em série que tortura por bel prazer. A tal lição, que é uma verdadeira aula de língua e literatura inglesas, consiste em uma discussão entre professor e aluno sobre vários conceitos como idealismo e motivação, além de mencionar com frequência a obra de grandes autores como John Milton, William Blake, William Golding e George Orwell. As discussões em si não são tão complexas quanto podem parecer, mas é necessário ter o mínimo de noção sobre o tema para que algo faça mais sentido. A tentativa de injetar um debate filosófico dentro da tortura é sem dúvidas o maior mérito do filme, mas também pode ser seu maior limitador, em termos de alcance ao público.

Nem tudo são flores, no entanto. A estética é cansativa e arrastada, por vezes expondo personagens de forma a deixar pontas soltas. Ao longo do filme, uma série de flashbacks mostram a relação do protagonista com a mãe, mas isso não leva a lugar algum. No fim das contas, essas tramas paralelas poderiam muito bem ter dado lugar à um pouco mais de gore. Para os interessados na temática, vale a pena conferir o thriller japonês Confessions, de 2010.

3.5 pregos para The Lesson

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Hoje é dia de prova?????

 


Daniel Rodriguez
Daniel Rodriguez
Formado em psicologia, professor, futuro roteirista e fã incondicional do terror, tanto no cinema, quanto na TV, literatura e quadrinhos. Mais que estudar o gênero, quer ser um historiador do horror para sua geração e futuras. E ao contrário do estereótipo do mineiro quieto, adora alimentar uma treta.

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