Review 2016: #22 – Bite

Substância mesmo nesse filme, só as viscosidades, gosmas, pústulas, cancros, secreções e purulências, porque de resto…


Bite é aquele tipo de filme que sempre chega carregado de expectativa por conta dos causos, alardeado pelo bom e velho marketing, sobre ocorrências durante sua exibição. Na première realizada no Fantasia Film Festival no ano passado, reza a lenda que duas pessoas passaram mal no meio da exibição e uma delas vomitou, devido a quantidade de cenas nojentas, e uma ambulância teve de ser chamada para outra pessoa que tentou sair às pressas da sessão e bateu a cabeça.

Tenso né? Isso foi noticiado nos principais periódicos do trade do horror, nos sites de cinema e tudo mais, e o grande problema é quando esse furdúncio funciona mais como um antimarketing, que é o caso. Por ventura, se você já passou incólume sem ter chamado o Hugo com Fome Animal ou A Mosca, Bite com certeza não te deixará com nojo e nem com vontade de colocar os bofes para fora.

E pior que isso, é que o longa do diretor Chad Archibald, de substância mesmo só tem as viscosidades, gosmas, pústulas, cancros, secreções e purulências, porque de roteiro, desenvolvimento de trama, e de personagens, nada.

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Acho que tem algum inseto aqui…

Claro, que todo o filme, que é raso como um pires e mais buracos no plot que a pele da personagem durante a primeira fase da metamorfose, foca-se apenas nos excelentes efeitos de maquiagem enquanto a garota picada por algum bicho não identificado durante uma viagem de despedida de solteira com as amigas para a Costa Rica vai se transformando em uma criatura mutante.

Bite realmente salta aos olhos na maquiagem, nos efeitos práticos e protéticos (quando apela para o CGI, como a cauda da monstrenga, dá aquela sensação de baixo orçamento), comandado por Jason Dersuhie – que já havia trabalhado em Justiceiro: Em Zone de Guerra, Morte no Lago, Scarce e Exit Humanity – e a protagonista, Casey, interpretada pela atriz bósnia Elma Begovic está muito bem no papel, tanto nos dramas iniciais devido a sua indecisão com relação ao seu casamento com Jared (Jordan Gray).

A moça não acha que está pronta, a pressão por filhos e principalmente, seu relacionamento péssimo com a sogra tipicamente megera e superprotetora, e alguns, hã, problemas que aconteceram durante a farra e a bebedeira na fatídica viagem (esses apresentados no estilão found footage), quanto no desenvolver da mutação e depois, quando atinge o status de criatura híbrida humana e inseto, que é quando a sua atuação, apoiada em trejeitos e movimentos corporais, brilha de verdade.

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Bug in the hood

Mas tirando isso, por mais que tenha lá suas cenas nojentas, as mortes até economizam no choque grosseiro que esse tipo de filme pede – exceto a hora do revide na sogra ou no destino da personagem, que é daquelas para os fãs do escroto, vibrarem – rola todo um drama canhestro entre ela, o noivo e um terceiro elemento aí nessa história, e é impossível engolir a ideia de que a menina está cheia de manchas na derme, bolhas e infecções generalizadas pelo corpo, necrosando o local onde ela levou a picada, e não procura urgente um dermatologista ou algo que o valha, e apela para tirar suas dúvidas numa espécie de DISQUE-MÉDICO!

Agora, claramente a grande influência de Bite é o já citado a A Mosca, de David Cronenberg. Chad Archibald tenta aqui ser uma espécie de sucessor visceral de seu compatriota canadense, utilizando o expediente de mutação antropomórfica derivada de um inseto e a degradação corporal da carne misturado aos recém-adquiridos instintos, incluindo aí de procriar. Há até uma cena de vomitada gástrica corrosiva para fechar o pacote da homenagem.

A dica é: assista Bite com moderação, sem esperar nada mais que um filme mediano, e sem nenhuma daquela expectativa pré-moldada de gente passando mal e vomitando no cinema. Tudo bem, ele pode não ser um filme para quem tem estômago leve também, mas nada que os fãs mais escolados não tenham visto pior.

3 ovas de insetos para Bite

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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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