Review 2016: #29 – They Look Like People

Nada de orçamento e muito de coração resultaram em um dos filmes de gênero mais interessantes e únicos do ano


Nem só de grandes orçamentos e rostinhos conhecidos vive o cinema. Existe por aí também aqueles filmes financiados com uma moeda chamada criatividade e trabalho duro. Depois de Invocação do Mal 2, um blockbuster de gênero, assistir a um filme como They Look Like People é uma experiência muito mais íntima e interessante.

O longa do diretor e roteirista estreante Perry Blackshear parece ser um dos vários exemplos de cinema DIY – Do it Yourself, ou Faça Você Mesmo. Estes são filmes independentes, produzidos inteiramente através do esforço de seus criadores. Frente as limitações orçamentárias, só resta a própria competência. Já lhes adianto que este é um filme que não agradará a maioria, mas é uma ótima pedida para aqueles mais chegados em cinema indie e um terror que atravessa outros gêneros.

They Look Like People, ou em uma tradução livre, “Eles Se Parecem Com Pessoas”, adota o estilo estudo de personagem, centrando-se inteiramente em dois melhores amigos que passaram anos longe um do outro. Evan Dumouchel é Christian, homem que sofreu por anos com problemas de autoestima e que luta para se tornar uma pessoa mais confiante. Ele frequenta a academia todos os dias, ouve áudios motivacionais e escreve notas para si mesmo. Seu grande objetivo é conquistar uma colega de trabalho.

MacLeod Andrews é Wyatt, antigo melhor amigo de Christian que, após ter um noivado interrompido por uma traição, passa a acreditar que a humanidade está em ameaça iminente nas mãos de criaturas que invadem os corpos de pessoas, assumindo sua forma, no melhor estilo Vampiros de Almas. Seu grande objetivo é salvar a humanidade. Acreditando piamente que Christian é a única pessoa confiável, reaproxima-se do amigo e passa a viver em seu apartamento.

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HORA DO SHOW PORRA. AQUI É BODYBUILDER!

Predomina no filme uma narrativa mais dramática entremeada por momentos de comédia romântica e até um bromance. Com poucas locações e um elenco reduzidíssimo, o foco é inteiramente na relação entre os dois e nas tentativas de ambos de superar os próprios dilemas para se ajudarem. O horror que perpassa a vida de Christian é de uma natureza realista até demais: relacionamentos fracassados, perda de autoestima, desemprego e um amigo doente. Para Wyatt, o horror existe na própria incapacidade de definir a origem de seus temores. O mundo está realmente ameaçado por monstros, ou a esquizofrenia estaria tomando o controle de sua mente?

A psiquiatria reconhece a existência de pacientes com quadros esquizofrênicos temporários, com duração de dias ou semanas e que muitas vezes são causados por situações traumáticas. Pessoas nesses quadros podem apresentar alucinações, por exemplo, além de medo, ansiedade e paranoia. Com base nisso, a construção do personagem Wyatt é totalmente plausível e interessantíssima, valorizando o filme enquanto um thriller psicológico.

Mas ao mesmo tempo em que essa interpretação se faz possível, a ambientação creepy e as manifestações das entidades malignas, deixam sempre em foco o questionamento se o caso seria real ou não. A escassez de recursos impede que os monstros sejam revelados, mas o uso de efeitos práticos bem simples e efeitos sonoros grotescos tem um resultado extremamente efetivo, causando um incômodo constante. A verdadeira face do mal só é revelada ao final do longa e, obviamente, não será revelada aqui.

O resultado é um filme bem simples, carregado de momentos humanos que visam estabelecer seus personagens como pessoas reais, comuns, mas sem deixar de lado a atmosfera sombria e paranoica de horror. Obviamente, é o tipo de longa que não agradará grande parte do público, exatamente por ser diferente e ter pouquíssima ação. É possível traçar um paralelo com os filmes Resolution (2012) e Ben & Mickey Contra os Motos (2013), que também focavam na relação entre dois melhores amigos em uma situação caótica. Se esses dois filmes te agradam, They Look Like People também o fará. Se não conhece nenhum desses nomes e se interesse por cinema independente, não deixe de conferir esses títulos.

 

4 garrafas de ácido sulfúrico para They Look Like People

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Assistindo Invocação do Mal 2 pela segunda vez.

 


Daniel Rodriguez
Daniel Rodriguez
Fã de horror em suas diferentes formas, principalmente cinematográfica. Incapaz de adentrar igrejas, pelo risco de combustão espontânea, dedica sua vida pagã a ensinar inglês, escrever sobre o gênero e, mais recentemente, fazer seus próprios filmes.

2 Comentários

  1. Assis disse:

    Eu li esse review ontem e assisti o filme hoje. Cara, obrigado. Fazia tempo que eu não assistia algo tão bom!

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