Review 2016: #31 – Carnage Park

O diretor Mickey Keating mirou em Sam Peckinpah, mas acertou Quentin Tarantino 


O filme que você está prestes a ver é talvez o episódio mais bizarro na história do crime americano.

Em respeito às vítimas, todos os nomes foram alterados.

Apesar dessa introdução chamativa, encontrar informações sobre o tal caso não é tarefa fácil, o que é de se estranhar, considerando o nível excessivo de violência envolvida. Em compensação, é bem fácil achar uma história bem parecida do outro lado do mundo, nos desertos australianos, mas isso é assunto para daqui a pouco.

Em algum momento durante a divulgação do filme, o diretor Mickey Keating disse ter se inspirado em sujeitos como Sam Peckinpah, referência máxima de como se fazer um faroeste sanguinário e sujo, além de outros filmes dos 70’s e 80’s, na veia de A Morte Pede Carona. Soma-se a essa referência a predileção do diretor por terror, e temos um filme daqueles bem diferenciados que bebe da fonte de vários gêneros. Curiosamente, Keating mirou em Peckinpah, mas acabou acertando em Quentin Tarantino.

A cena de abertura, que por sinal é a melhor sequência do filme, apresenta o antagonista de forma bem criativa e “divertida”. Pat Healey, um dos nomes mais importantes nesse cenário de horror contemporâneo americano, interpreta um veterano do Vietnã e atirador de elite completamente perturbado que acredita piamente ter o direito de expurgar a terra de pessoas que ele julga indesejáveis, frutos de uma sociedade fracassada.

Após a resolução desse primeiro momento, quando a protagonista Vivian – Ashley Bell, de O Último Exorcismo – se vê presa dentro do vasto deserto dominado pela mira telescópica do rifle de Wyatt Moss (Pat Healey), há uma mudança drástica de ritmo e até da própria narrativa, que se torna linear. O deserto é exibido como um território infinito, destacado da civilização, um lugar agourento e apocalíptico, no qual o atirador é a vida e a morte. Moss acredita que seu território é um lugar que lhe foi reservado por Deus, mas é ele mesmo que ocupa a posição divina lá dentro.

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Don’t look back in anger

 

Durante o tempo em que Vivian vaga pelo deserto, a mercê do desejo insano de seu captor e se deparando com outras vítimas e um festival de corpos, é impossível não pensar em Wolf Creek – Viagem ao Inferno, a referência australiana mencionada anteriormente. A presença cruel e impiedosa de Moss, muitas vezes na forma de sua voz ou do rastro de morte deixado por ele, é extremamente parecida com a retratação de Mick Taylor no longa de Greg McLean, especialmente no segundo filme.

A semelhante é notória, mas não chega ao ponto do plágio, já que ambos têm influências na mesma fonte e Keating acrescenta doses de estilo próprio, por exemplo com os autofalantes que repetem mensagens e sons de guerra, ou com os flashes de imagem que saltam aos olhos ocasionalmente.

Carnage Park é um filme dinâmico, de apenas uma hora e vinte minutos de duração, que parece mais rápido que um episódio de televisão. O filme é corrido, mas não tem nenhuma gordura de conteúdo, resultando em uma experiência que entretêm e choca em igual medida. O final deixa um pouco a desejar por ser muito prematuro, mas a experiência como um todo ainda é uma das melhores do ano dentro do cinema de gênero.

 

4 headshots para Carnage Park

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Gotcha!


Daniel Rodriguez
Daniel Rodriguez
Formado em psicologia, professor, futuro roteirista e fã incondicional do terror, tanto no cinema, quanto na TV, literatura e quadrinhos. Mais que estudar o gênero, quer ser um historiador do horror para sua geração e futuras. E ao contrário do estereótipo do mineiro quieto, adora alimentar uma treta.

1 Comentário

  1. Filho do Capeta disse:

    Sem sombra de dúvidas… um dos PIORES – senão “O” pior de todos – filmes que eu já tive o desprazer de ver em toda a minha vida.
    E eu achando que O Massacre da Serra Elétrica era ruim…
    Aquilo é OURO perto dessa…’coisa’. 😛

    A Atriz é ruim!!!
    Os atores (TODOS!) são muito ruins!!!
    A trilha sonora não assusta nem bebê de colo!!!
    A Paleta de luz e cores é paupérrima, batida, clichê!!!
    Nem vou entrar no mérito do roteiro, porque seria como me rebaixar a condição de acéfalo – tal qual aos envolvidos nessa bizarrice.
    TUDO no filme é horrivel! Literalmente! Nada se salva…
    Clichês nem vale a pena ressaltar, porque Hollywood já está batendo nesta tecla.. a DÉCADAS. É patético!
    Vc até chega a gargalhar em determindos pontos, mas a “linha de raciocinio” norte-americana, a forma de ‘pensar’… (o que DIABOS faz uma criatura, sendo perseguida por um assassino, ou o que seja,… chegar no alto de uma montanha, rodeado do “NADA”,… e ficar gritando: “Hello??? Hello??? Hello???”) chega a ser inacreditável, de tão estúpida.

    Fico me perguntando…até quando vamos viver nesse mundo, infestado por esse Capitalismo Selvagem, aonde quem tem dinheiro (roteiristas, escritores, diretores, produtores, etc) faz o que bem entender, o que quiser, escrevendo, pintando, tocando, e fazendo porcarias só porque “pode”, porque tem grana… e com isso contaminando o mundo com a sua medíocre e estúpida falta de tato no que diz respeito à expressividade humana.
    ISSO – esse lixo!!! – é um indicativo claro e evidente de que alguns individuos vem “regredindo” ao longo da sua existência, mentalmente falando.

    Uma genuína OFENSA a quem anseia por obras que mostrem o verdadeiro terror como grande gênero que é.
    É isso o que esta grande bosta (…que nem qualifico como um filme) é.
    Terrível!!!!

    Definitivamente… os piores minutos gastos em toda a minha vida.

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