Review 2016: #33 – Viral

O ministério da saúde adverte: Viral causa sono e desânimo. Procure um filme melhor 


Sabe quando o pôster de um filme tem os dizeres “Dos mesmos produtores de Atividade Paranormal, A Entidade e Sobrenatural”? Na grande maioria das vezes isso quer dizer que o filme em questão é produzido pela Blumhouse Pictures, empresa que menciono continuamente por aqui no Review 2016, tão frequentes são seus lançamentos.

Tal empresa tem se especializado em filmes de terror teen, ou seja, com uma pegada mais adolescente. Geralmente são baratos, com poucas locações, muitos clichês de gênero, com atores muitas vezes desconhecidos e, em sua maioria, jovens. Tais filmes não são necessariamente ruins, vez ou outra alguma coisa interessante surge desse meio. Viral não é um desses casos.

Emma é a nova aluna no ensino médio do colégio Malhação. Ela logo se apaixona pelo colega Evan. A irmã mais velha e descolada de Emma, Stacey, adora colocar lenha na fogueira do lance dos dois, enquanto curte o próprio relacionamento com o doidão do colégio. Para deixar a vida dessas duas ainda mais louca, o pai delas é o novo professor de biologia! Em meio aos relacionamentos, intrigas e traições, essa galerinha tem que lidar com uma doença parasitária mortal transmitida através do sangue (e altas confusões)!

O paralelo com Malhação é a forma mais simples de condensar o que Viral tem a oferecer. O primeiro ato do filme transcorre com uma série de clichês adolescentes de colégio, ao ponto de ser quase vergonhoso. A impressão é de que cada frase dita pelos atores já foi utilizada em algum outro filme. Fruto de um cinema enlatado que tenta suprir um mercado que parece se satisfazer momentaneamente. A perspectiva banal e despreocupada dos jovens frente ao caos causado pelo parasita é de fazer o mais atento dos espectadores dormir de tédio.

Espanto com a ruindade do filme

Espanto com a ruindade do filme

Se de um lado temos personagens desinteressantes e atuações pouco inspiradas, que repetem clichês, de outros temos um plot igualmente desinteressante e um desenvolvimento que não se apropria do tema, relegando os infectados a meros zumbis. Por mais que tentem dar voltas com a trama da infecção para nos convencer de que é uma doença plausível e uma situação realista, o que vemos no fim das contas é simplesmente outro filme de zumbi. Ah, eu já mencionei os jumpscares? São daqueles de pior qualidade!

Apesar disso tudo, é interessante observar, mais uma vez, a boa qualidade técnica por trás do filme. A produção é decente, os diretores criaram e executaram alguns planos bonitos, especialmente com o uso de tomada aéreas, provavelmente utilizando drones. É perceptível que o problema com o filme não é falta de perícia por trás das câmeras e sim no papel. Essa insistência em reutilizar os mesmos temas das mesmas formas continua se provando um desperdício eterno de qualidade.

No fim das contas, Viral não é nojento, tenso, assustador, sanguinário, gore, inteligente e nem nada que possa torna-lo sequer recomendável. E não se engane com o pôster style que copia descaradamente um dos cartazes de The Neon Demon. O filme não tem qualquer estilo própria, é visualmente muito sem sal. Aquelas luzes neon então, pff… E detalhe: a palavra viral, relaciona-se a um vírus. O filme é sobre um parasita. Logo…

Ah, se vocês estiverem interessados em filmes semelhantes, vale sempre a pena retornar ao neoclássico do horror Extermínio, ou então conferir o found footage The Bay. Fugindo um pouco do horror e entrando mais para o território do suspense e do drama, o sul-coreano Deranged (Yeon-ga-si) é também uma ótima opção.

 

1,5 lombrigas para Viral

Don't breathe

Don’t breathe

 


Daniel Rodriguez
Daniel Rodriguez
Fã de horror em suas diferentes formas, principalmente cinematográfica. Incapaz de adentrar igrejas, pelo risco de combustão espontânea, dedica sua vida pagã a ensinar inglês, escrever sobre o gênero e, mais recentemente, fazer seus próprios filmes.

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