Review 2016: #36 – The Mind’s Eye

Seria o filme, o sucessor espiritual de Scanners? DESCUBRA!


Segundo o dicionário online Merriam-Webster, a palavra inglesa throwback refere-se à uma pessoa ou coisa que é similar a alguém ou algo do passado; que é apropriado para um período antigo; ou simplesmente uma reversão para um tipo ou fase anterior. Mas qual a importância dessa informação?

Bem, The Mind’s Eye – ou, O Olho da Mente, em tradução literal – é mais um longa de terror que se enquadra em uma forte tendência dentro do gênero atual que tem sido comumente referida como throwback, na qual diretores e roteiristas regressam à décadas passadas em busca de referências e fontes de inspiração. O ápice dessa tendência se deu nas telinhas, com a série ultra popular Stranger Things, que destilou homenagens e piscadelas em direção aos anos oitenta e se esqueceu da autenticidade, fato que se repete aqui, no filme da vez.

The Mind’s Eye é o segundo longa-metragem do jovem talento Joe Begos, que assim como eu e você (provavelmente), tem uma formação e paixão por cinema de horror, que transparece em cada plano de seu filme. Da mesma forma que em seu trabalho anterior (Quase Humano), Begos parece focado em fazer o tipo de terror que ele mesmo gostaria de assistir, atribuindo a seus filmes uma série de formas e ideias semelhantes as vistas no anos setenta e oitenta, de forma que um espectador desavisado possa vir a confundir o período em que foram feitos.

Produzido de forma independente, no melhor estilo DIY, o filme teve Begos se desdobrando em um esforço colossal nas funções de roteirista, diretor, diretor de fotografia, produtor e operador de câmera! (NE: também deve ter coado e servido o cafezinho). Seus colegas de produção, incluindo aí o ator Graham Skipper, que já nos permitiu publicar um de seus textos aqui no 101, também trabalharam duro para dar vida ao filme.

A trama do longa em questão envolve um cientista louco fazendo experimentos em pessoas com poderes psicocinéticos – Sabe a Jean Grey, dos X-Men? –. Esses fulanos são, aparentemente, humanos comuns, mas possuem o poder de manipular objetos com telecinese, poder este que varia entre arremessar objetos tipo cadeiras e mesas até explodir cabeças. Explodir cabeças te fez pensar em algo? Se você pensou em Scanners – Sua Mente Pode Destruir, está certo. Há quem diga por aí que The Mind’s Eye é um sucessor espiritual do clássico body horror de David Cronenberg. Ah, e ainda há também uma pitada de Os Filhos do Medo no meio! É muito Cronenberg pra um filme só!

The-Minds-Eye

Percebam o confronto nas cores do #TeamValor versus #TeamMystic ao fundo

 

O primeiro ato, ponto mais fraco do filme, se desenvolve de forma corrida, sem que se estabeleçam as regras do jogo. Tanto os poderes, quanto as motivações dos personagens não são bem delineados, pelo menos a princípio, devido ao ritmo atropelado de apresentações. Com o desenrolar de eventos, a histórias vai aos poucos encontrando o próprio ritmo, sempre regada a muito sangue e uma trilha sonora de sintetizador.

Esteticamente, o longa remete constantemente a outros filmes. A fotografia, por exemplo, explora de forma extenuante as luzes vermelhas e azuis, reverenciando o cinema italiano sempre tão afeito ao uso de gel na iluminação. Os enquadramentos que sempre buscam dar enfoque total ao gore extremo, também são uma forma de acenar para cinema que tanto homenageia.

O filme é sem dúvidas muito interessante visualmente, mas infelizmente fica apegado por demais ao passado, abrindo mão de qualquer noção de autenticidade para fazer algo que busque sempre se adequar à um padrão estético de outrora. A utilização desses artifícios audiovisuais nem sempre é condizente com aquilo que é mostrado, sendo na maioria das vezes deveras gratuito, nem sempre harmonioso. Os efeitos especiais do filme são de uma ordem inteiramente diferente. 100% práticos, feitos na raça, o resultado é de cair o queixo e fazer gritar “OOOOOOOO GOOOOOORE” de tempos em tempos. As cenas de mutilação extrema talvez sejam as melhores e mais bem-feitas do ano, ou ainda dos últimos anos.

The Mind’s Eye possui uma certa pobreza em termos de originalidade, mas claramente por uma opção de seu criador, já que o longa é divertidíssimo e Begos se mostra inteiramente capaz de fazer cinema de qualidade, especialmente no final insano e empolgante, onde o caos psicocinético explode. Literalmente. Apesar de estar abaixo de Scanners, o tal título de sucessor espiritual parece válido!

Fica no ar uma curiosidade de ver um trabalho mais autoral e menos referencial da parte da Joe Begos, nome que devemos ficar de olho!

 

3.5 cabeças explodidas para The Mind’s Eye.

Tá precisando de um hidratante aí...

Tá precisando de um hidratante aí…

 

 


Daniel Rodriguez
Daniel Rodriguez
Fã de horror em suas diferentes formas, principalmente cinematográfica. Incapaz de adentrar igrejas, pelo risco de combustão espontânea, dedica sua vida pagã a ensinar inglês, escrever sobre o gênero e, mais recentemente, fazer seus próprios filmes.

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