Review 2016: #46 – A Maldição da Floresta

A clássica vingança da natureza contra o homem no “melhor filme de criaturas desde Abismo do Medo”


Pouco tempo depois que o 101HM deixou de ser um blog com uma lista de filmes e passou a se tornar um portal sobre o gênero no ano passado, eu lembro de certa noite postar uma notícia sobre o trailer de A Maldição da Floresta, após sua exibição em Sundance fazer burburinho, que lhe rotulava com a tagline de “melhor filme de criaturas desde Abismo do Medo”.

Bem, exageros a parte, uma vez que estamos falando de um dos filmes mais fodas das duas últimas décadas, o longa irlandês de debute do diretor Corin Hardy é de fato uma grata surpresa nos subgêneros que envolvem criaturas e florestas, que só chega agora às telas de cinema brasileiros depois de um atraso absurdo, como de praxe, quando se trata dos lançamentos da PlayArte Pictures, e ainda com um título mais genérico possível. Para se ter ideia, já figurou com uma menção honrosa no meu TOPE NOVE dos melhores de 2015.

A Maldição da Floresta é um contos de fadas as avessas, bastante sombrio, com uma excelente atmosfera, construção de suspense e de personagens, que evoca o folclore celta, colocando como ameaça entidades mágicas maliciosas que vivem escondidas em uma secular floresta, banidas pela humanidade que tomara seu lar. Claro que isso não ficaria barato, principalmente para aqueles que ousem invadir seu já limitado território ao longo dos anos.

Bem, uma família formada por Adam (Joseph Mawle), Clare (Bojana Novakovic) e seu bebê se muda para uma remota casa no meio dessa mesma floresta, alvo recente de uma inescrupulosa exploração imobiliária e madeireira. Adam é um arbologista que descobre um misterioso fungo negro no local e decide estuda-lo, ignorando o folclore e os avisos de outros moradores, como Colm Donnely, vivido por Michael McElhatton (o Roose Bolton de Game of Thrones), para manter-se afastado.

thehallow_1920x1080

Em casa de ferreiro…

Esse fungo possui uma relação simbiótica com as tais criaturas da floresta além de uma capacidade neuro-ativa, e Adam acaba sendo infectado, enquanto ele, esposa e filho são ferozmente perseguidos pelos seres fantásticos que habitam a região na calada da noite. Fora isso, o cientista precisa lutar contra a acelerada metamorfose viral que vai o transformando em uma deles, colocando-o em uma verdadeira batalha contra sua nova natureza versus o amor pela sua família.

O desenrolar macabro da descoberta do fungo e da mitologia maligna dos moradores originais daquela floresta vão se desenvolvendo de forma intensa de sua metade para frente, sendo o suficiente para prender a atenção do espectador até o final. À experiência, acrescenta-se o cuidado na criação dos monstros, misturando efeitos práticos com doses de CGI bem balanceadas, auxiliado pela fotografia escura e lúgubre e o design de som.

Na verdade toda a parte técnica de A Maldição da Floresta é impecável, surpreendendo, uma vez que se trata de um filme independente, porém feito com afinco. A direção de Hardy é precisa, utilizando o recurso do jumpscare de forma correta, além de ataques selvagens e gráficos, contando com algumas cenas bem aflitivas, principalmente durante a transformação de Adam, ao melhor estilo David Cronenberg. Se você tem algum tipo sensibilidade com olhos, é recomendada cautela.

A Maldição da Floresta é a clássica vingança da natureza contra o homem, com a metáfora da insensibilidade com o meio ambiente de pano de fundo, porém sem nunca parecer eco-chato, mantendo o pé na atmosfera assustadora e pegada visceral, como manda a cartilha do subgênero. Pode não chegar a ser um grande filme ou novo clássico instantâneo do gênero, mas merece crédito e, principalmente, a ida ao cinema.

 

3,5 fungos mutantes para A Maldição da Floresta

hallow2

Piquenique em família na floresta

 


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: