Review 2017: #07 – Clinical

Thriller psicológico, produção original Netflix, não serve nem como terapia ocupacional…


A última sexta-feira 13 foi uma data propícia para a chegada a Netflix de mais uma de suas alardeadas produções originais, o suspense Clinical. Ultimamente, o hype em cima das estréia do serviço de streaming é tanto, que parece ter se tornado uma obrigação acompanhar tudo que é lançado sob sua chancela, sempre com uma dose de expectativa altíssima. Caso você não assista algo da Netflix você não é IN.  

Enquanto ao mesmo tempo, eles funcionam como possibilidade para que produções de terror devidamente ignoradas por nossas distribuidoras sejam escoadas para o carente público brasileiro (como aconteceu recentemente com I Am Not a Serial Killer e À Sombra do Medo), criou-se certa acomodação em se assistir qualquer filme ou série que não esteja na grade do serviço, como se não existisse outros meios (mesmo que ilícitos às vezes) de se ver um conteúdo audiovisual. Quantas vezes você não indicou algum filme para uma pessoa e ela te perguntou de prima: “Tem, na Netlix? Porque se não tiver, não assisto!”

O thriller dirigido por Alistair Legrand (que tem em seu CV o longa desconhecido The Diabolical, de 2015) é uma dessas produções sortudas que vem com a máquina do marketing da Netflix e prestígio conquistado por eles nesses últimos anos com suas produções originais de qualidade (ou no mínimo, interessantes). Por exemplo, em 2016, o filme Hush – A Morte Ouve de Mike Flanagan, foi um que ganhou um chance ao sol exatamente por causa da empresa, e mostrou-se uma decente surpresa. Partindo desse pressuposto, mesmo com certo atraso, fui lá conferir o que Clinical tinha a oferecer, exatamente com o pensamento padrão de que: se a Netflix investiu, deve ser bom.

Pois bem, o prólogo é deveras interessante, nos apresentando a Dra. Jane Mathis (Vinessa Shawn), psiquiatra especialista em terapia de confronto – onde pacientes são confrontados a explorar e falar sobre seus medos e traumas como parte da recuperação – brutalmente atacada por uma de suas pacientes, a jovem Nora (India Eisley), ao tentar se matar usando um caco de vidro, acometida por uma terrível lembrança que lhe veio a tona, ferindo a médica gravemente pouco antes de tentar abrir sua própria jugular às vésperas do Natal.

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Sessão de terapia

Elipse temporal, um ano se passou e Mathis está tentando reconstruir sua vida, namorando um policial (papel de Aaron Stanford, de Viagem Maldita, onde coincidentemente ambos também interpretam um casal), fazendo terapia para superar o acontecido, tomando remedinhos e se afastou de casos problemáticos, praticando apenas com pacientes triviais, o que vai deixando-a cada vez mais entediada com o trabalho. Certo dia ela recebe a ligação de um tal Alex (Kevin Rahn) pedindo sua ajuda para superar um transtorno de estresse pós-traumático ao ter seu rosto completamente desfigurado em um acidente de trânsito, que ele recusava a se lembrar.

A partir daí, Clinical vai navegando em águas calmas entre o drama, o suspense que aguça a curiosidade do espectador sobre o que de verdade aconteceu com Alex e suas reais intenções, além do motivo do surto de Nora, e pitadas de elementos sobrenaturais por conta de supostas aparições de moça com seus longos cabelos pretos, olheiras profundas e roupa de hospital, ao melhor estilo fantasma do J-horror, brincando com a dubiedade do que é real e alucinação/ paranoia de Mathis, ainda mais porque a garota sobreviveu a tentativa de suicídio (e isso já é deixado claro logo no começo da história).

O thriller psicológico vai se estendendo até seu terceiro ato, de forma simples e sem querer inventar muita firula, atendo-se ao arroz com feijão desse tipo de narrativa. Daí vamos chegar ao bom e velho “vida da psiquiatra virando um inferno, se metendo em problemas e ter sua sanidade questionada” até chegar ao manjado plot twist bem do óbvio que você já vai pescando no decorrer da trama, e bem, o filme descamba para o típico suspense do Supercine.

Clinical é aquele tipo de filme que, se não tivesse esse selo Netflix e lançado em uma sexta 13, passaria batido em qualquer outra mídia que ele fosse lançado (cinema, direct to video, VOD), e que passado uma semana, você nem vai lembrar que o assistiu, de tão irrelevante. Um suspense que não acrescenta absolutamente nada na sua vida, com roteiro plausível e raso, atuações medianas, direção sem correr riscos e um excelente trabalho de maquiagem de Jason Collins (que me remeteu ao rosto de Mason Verger em Hannibal), que já ganhou um prêmio do Hollywood Makeup Artist and Hair Stylist Guild, escolhido pelos próprios profissionais da indústria, por American Horror Story: Hotel,

Diagnóstico: Não serve nem como terapia ocupacional.

2 receituários para Clinical

O que tenho vontade de fazer quando ouço: "só assisto se tiver na Netfllix"

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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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