Review 2017: #08 – Resident Evil 6: O Capítulo Final

Tiro, porrada e bomba nos zumbis. Ah, vá.


Não deu para fugir. Falamos durante a semana sobre diversos assuntos relacionados ao universo de Resident Evil em nosso ESPECIAL RE, tudo por conta de um motivo principal: a estreia de Resident Evil 6: O Capítulo Final – sexto episódio da saga nos cinemas – que estreia nesta quinta-feira.

A franquia, que começou lá em 2002, inspirada nos jogos da Capcom, tenta buscar um final e traduzir respostas talvez inexplicáveis. Deixo claro logo de cara que o texto a seguir foi feito por um grande fã dos jogos e até mesmo dos filmes de RE (sim, nós existimos!), mas que convenhamos, as sequências para o cinema deixam a desejar cada vez mais… :/

O filme se inicia com uma curiosa introdução, que além de relatar os acontecimentos anteriores de sobrevivência de Alice e cia como de costume, também traz curiosidades sobre a infância de sua protagonista, sempre vivida durante toda a série por Milla Jovovich, além de explicar (ou não) algumas dúvidas deixadas no ar em eventos passados. Para que em seguida, a trama comece pra valer com a heroína acordando na cidade de Washington, local onde o quinto filme termina, mas agora sozinha em um ambiente destruído.

Depois de encontrar criaturas horrendas e ao mesmo tempo bobas, ela busca algum tipo de arma para se defender (ao melhor estilo primeira fase de um jogo), lembrando que seus poderes foram excluídos, mesmo depois de Albert Wesker ter implantado o T-Virus novamente, ou seja, parece que não houve efeito ou foi puro truque do bom doutor. Durante sua busca ela encontra uma nova versão visual da “Rainha Vermelha”, a icônica inteligência artificial que sempre protegeu os interesses da empresa, pelo menos em parte. A rainha informa relatos sobre o que aconteceu na cidade e quais são as novas intenções da famigerada Umbrella Corp. Em meio ao caos e algumas notícias nada animadoras, Alice é avisada por ela sobre uma suposta cura, mas que está na antiga colmeia em Raccoon City (quando a esmola é muita, o santo desconfia) e assim começa toda a batalha pela salvação do mundo em 48 horas, tipo Jack Bauer.

Cada macaca no seu galho...

Cada macaca no seu galho…

Rumo à devastada Cidade Guaxinim onde tudo começou (e tudo vai se complicar mais ainda), nossa protagonista sofre diversas emboscadas e descobre coisas importantes para o futuro do filme, sempre escapando dos perigos em cenas de um tantão de efeitos especiais, terror calcado no jump scare exagerado feito à base de barulhos nada convincentes e MUITOS cortes na edição de videoclipe – típico do trabalho de Paul W.S. Anderson – que acabam com todo o tipo de sustos e adrenalina que a produção para as telonas poderia oferecer.

Aliás, esses elementos de direção são comuns em todos os filmes da série, despontando como um fator negativo junto com outros clichês, como muita ação desnecessária, nomes de personagens confusos e nada fiéis, além do efeito bullet-time usado a exaustão (que ano é hoje, 2000?) mas sem necessidade e em proporções desconfortáveis, cansando o telespectador já no meio do filme de tanto exagero.

Continuando sua busca, antes de seguir com o seu propósito de encontrar o antídoto na antiga sede da Umbrella, a personagem de Jovovich encontra outros sobreviventes, entre eles, sua amiga Claire Redfield, que faz parte de trajetórias de filmes anteriores. Isso faz com que algumas dúvidas do enredo geral passem a ser esclarecidas e por conseguinte, uma batalha entre os sobrevivente e alguns membros da empresa do guarda-chuva, que conta com cenas “quentes” e momentos até interessantes, mas nada muito relevante, além de descobrirmos que a tramoia é muito mais complexa e que Alice precisa ser ousada e meticulosa se quiser mesmo salvar a Terra, tudo entre sobreviventes, clones e alguns personagens no mínimo curiosos que ela encontra na colmeia. Até Anderson coreografar sua batalha final que é no mínimo piegas e as respostas sobre a Umbrella e sobre todo o universo de RE chegarem de formas confusas e contraditórias.

Esteticamente falando, o filme, assim como seus antecessores, abusa de forma negativa do CGI, peca no roteiro, esquece o fator horror, além do costumeiro final acelerado e capenga. Um detalhe importante nesse filme é a quantidade de zumbis, que agora são de certa forma um exército controlado. Mesmo em grande escala e com uma estética convincente, são meros figurantes, ficando em último nível de importância dentre a história e o resto dos muitos monstros exibidos. Todavia eles fazem parte das cenas mais legais do filme. SDDS de zumbis nos filmes de zumbis…

De forma pessoal, até vejo os filmes de Resident Evil com diversos pontos positivos, incluindo o foco na ação e sci-fi, tornando-o interessante para a galera que curte tiro, porrada e bomba dos filmes no estilo Mad Max, garantindo a diversão na certa, ainda mais se não esperar nada mais que isso. Não é Cidadão Kane, afinal. Isso além de ter uma personagem primária diferente dos jogos e usá-la como protagonista em todos os filmes (ainda mais sendo a carismática Milla Jovovich) e criar novas histórias diferentes, porém acho que falta introduzir mais personagens dos joguinhos eletrônicos e elementos que costurem o roteiro cinematográfico com os plots dos games em si, como se fosse um universo transmídia expandido. Mas falta MUITO para que o lado positivo sobressaia de todos os erros da série. Uma boa direção e edição, mais terror, menos clones e histórias paralelas que recriassem o fator medo constante que não tem na contraparte cinematográfica, elemento crucial da franquia survival horror, poderia ajudar.

E será mesmo que Resident Evil 6: O Capítulo Final é mesmo um CAPÍTULO FINAL? Bom, só o resultado na bilheteria poderá dizer. Mas quem sabe não temos um novo filme ou mesmo uma série (como anda se cogitando), no estilo Code Veronica, com Claire Redfield em busca de respostas? Vamos aguardar e continuar fugindo de zumbis e procurando uma cura enquanto isso…  

     

3 clones da Milla para Resident Evil 6: O Capítulo Final

Desolé

Desolé


Rafael Hysper
Rafael Hysper
Um tanto jornalista, fotógrafo e amante das artes, principalmente cinema e coisas com zumbis. Divide seu tempo como DJ e produtor musical, além de pesquisador de música e cultura pop. É #TeamMarvel, mas seu personagem preferido é o Batman e o jogo favorito, Zelda (claro!).

1 Comentário

  1. Fabricio disse:

    Odiei a camera tremida exagerada, mas fora isso foi um filme ok. Espero que tenha o reboot mas que seja survival horror.

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