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Review 2017: #33 – The Belko Experiment

Um dia de matar no escritório da firma


Para quem não sabe, James Gunn, hoje mais conhecido como o diretor de Guardiões da Galáxia e um dos nomes mais quentes do Marvel Cinematic Universe, é um verdadeiro filho da Troma, a produtora de Lloyd Kaufman e Michael Herz, talvez o maior celeiro de bagaceiras trash que sem tem notícia. Iniciou sua carreira escrevendo o roteiro de Tromeo & Juliet, mas só conseguiu decolar ao roteirizar Madrugada dos Mortos, aquele remake de Despertar dos Mortos de Romero, dirigido por Zack Snyder, e em seguida, debutar na direção com Seres Rastejantes.

Ou seja, Gunn sempre teve um pézinho lá no terror, como bem podemos ver, e depois de atingir aquele patamar estelar que só um filme de super-heróis da Marvel Studios consegue proporcionar, ele teve um tempinho para um back to basics e escrever The Belko Experiment (que originalmente dirigiria, mas teve problemas de agenda, além de passar por um divórcio complicado no momento), crítica social capitalista produzida por ninguém menos que ele, Jason Blum, e dirigida por Greg McLean, o mesmo de Wolf Creek – Viagem ao Inferno (além de sua sequência e série de TV), Morte Súbita e mais recentemente, A Escuridão, também para a Blumhouse Pictures.

Em tempos de aprovação da reforma trabalhista e que somos cada vez mais escravos de nosso trabalho, onde o patrão, o cliente, ou quem quer que seja, tem quase total controle sobre nossas vidas e de nossas famílias por conseguinte, devido a um vínculo empregatício muitas das vezes abusivo, o plot básico do filme subverte os horrores da rotina de escritório, e apesar de originalidade não ser seu ponto principal, constrói metáforas do inferno real do mundo corporativo.

Um grupo de funcionários americanos que trabalham no escritório de uma multinacional de recursos humanos em Bogotá, são presos no local e obrigados a matar uns aos outros para sobreviver, ordenados por uma voz misteriosa vinda do sistema de comunicação interna. Se as regras desse jogo bizarro não forem cumpridas, um implante em suas nucas, originalmente um rastreador colocado subcutaneamente como medida de segurança para a alta taxa de sequestros na capital da Colômbia, explodirá suas cabeças.

Além da já alardeada inspiração no nipônico Batalha Real, The Belko Experiment também tem lá suas ideias emprestadas de um experimento do comportamento humano similiar conduzido pelo psicólogo Stanley Milgram nos anos 60, chamado “Experiência de Milgram”, que tinha como objetivo verificar a obediência à autoridade sobre a capacidade do sujeito para prejudicar outro ser humano, ecos do comportamento nazista durante a Segunda Guerra.

Hey, eu não te conheço do MCU?

O que mais chocou a conclusão final da análise do bom doutor, foi, segundo palavras do próprio: “a extrema disposição dos adultos em obedecer quase todos os limites do comando de uma autoridade”. Pois bem, a voz monocórdia que ordenava ao funcionários da Belko que matassem ou ser mortos, apesar de representar sérios conflitos morais em alguns personagens, como o protagonista, Mike Miltch (John Gallagher Jr.), também encontra seus adeptos, obviamente vindo do cargo de liderança, representada pelo Diretor da companhia, Barry Norris (Tony Goldwyn), preocupado apenas consigo mesmo, reflexo perfeito da patronagem que impera nesse tipo de ambiente executivo, inclusive não tardando a angariar alguns capachos para seu lado, aqueles mesmos da índole duvidosa que poderiam cometer algum tipo de abuso moral, sexual ou puxaria quaisquer tapetes para subir na escala hierárquica.

Pois bem, com todos os estereótipos de um ambiente corporativo, do tarado, ao pai de família ao sujeito doido da manutenção, vividos por um ótimo cast de coadjuvantes – Michael Rooker (The Walking Dead), John C. McGinley (Stan Against Evil), Sean Gunn (Guardiões da Galáxia), Josh Brenner (Silicon Valley) e David Dastmalchian (Homem-Formiga) – The Belko Experiment é aquele típico filme que diverte pelo seu absurdos, com cavalar dose de influência de Gunn (que vai da estética visual até a trilha sonora com versões de clássicos do naipe “California Dreamin’” e “I Will Survive” em espanhol) e pitadas de humor negro rasgado, repleto de violência estilizada.

Falando nisso, entramos na parte que funciona como versão gore de Como Enlouquecer Seu Chefe de Mike Judge, junto de The Office, afinal, estamos falando de toda a selvageria e egoísmo humano que surge em momentos de pressão e luta pela sobrevivência, metáfora do canibalismo do ambiente capitalista, onde todo mundo quer se dar melhor que o outro, não importe os meios. Então espere de cabeças explodindo até o uso de instrumentos de escritório como armas, tipo uma guilhotina de cortar papel ou um suporte para durex.

Para levar como metáfora –  mas obviamente não exerce uma função demasiadamente filosófica, ficando só nos conceitos de uma crítica velada –  ou para entreter com o exagero e violência, The Belko Experiment é aquele experimento perfeito para assistir num domingo à noite entediado, antes de voltar a encarar o batente na firma na segunda de manhã. Só não fique cheio de ideias…

 

3,5 cartões de ponto para The Belko Experiment

As coisas tão pegando fogo no trampo!

 


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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