Review 2017: #38 – Bottom of the World

As penitências serão pagas!


Lembra daquele velho ditado “aqui se faz, aqui se paga”? Alguns filmes representam muito bem espírito de vingança. Para citar alguns exemplos com esta temática temos o Cabo do Medo, a Trilogia da Vingança de Park Chan-Wook, Kill Bill volumes 1 e 2 e tantos outros. Porém a redenção das personagens em cada uma destas parte do ódio.

Bottom of the World – ou “A Profundeza do Mundo”, em tradução literal – bate pesado no âmago de todos. Alex (Douglas Smith) e Scarlett (Jena Malone), um casal que está viajando de carro em direção a Los Angeles, resolve parar numa típica cidadezinha interiorana dos EUA para descansar e de quebra, aproveitar por uma noite o peculiar recinto no qual se hospedam. Ao partir, Scarlett começa a sentir um mal súbito que a mesma descreve “como se estivesse caindo em queda livre para o nada” e implora para que Alex volte à cidade, pois esta é a única certeza da moça de que ela melhore. Após a segunda noite no  rancheiro hotel, o rapaz acorda e sua namorada simplesmente sumiu. A busca por ela começa, assim como pela verdade que o cerca. Tudo isto com um background envolvendo um stalker sinistro, um padre e seus sermões, devaneios e uma confissão.

Um bom e efetivo suspense não precisa – e não deve – dar respostas óbvias. Por alguns momentos este filme se torna deveras estranho e sem sentido nenhum, mas por algum desconhecido motivo, tal qual a sensação da moça protagonista, você continua assistindo e matutando o que será que pode estar acontecendo.

Você disse… COBRA?

Uma cena destas acontece entre o monólogo do stalker com Alex, no meio do deserto, o qual fará efeito somente em seu último ato. Apesar de sua narrativa ser “linear”, o modo fragmentado de contar a história faz com que se perca propositalmente, mas que te adentra à mente do personagem. Seu ritmo lento possui um propósito e lhe prepara para um final impactante e surpreendente. O diretor Richard Sears soube dosar a tensão com a curiosidade do espectador, oferecendo uma experiência satisfatória, sem inventar muita pergunta para pouco motivo.

As atuações também não deixam a desejar e são muito convincentes. Ted Levine (Viagem Maldita, O Silêncio dos Inocentes) faz uma participação mais que especial e muito significativa ao longa. Garanto que seus olhos penetrantes o farão se sentir acuado. Como de praxe, desta nova safra do horror no geral, a cinematografia é belíssima, pois o cuidado com a pós-produção e edição mostra que o longa foi realizado com muito esmero. Prova disto é o incômodo sentimento de não ver nenhuma pessoa andando pelas ruas junto com uma música provocante e sinistra. Seria sonho ou realidade?

O longa trata da questão da vingança e traça uma linha tênue entre vilão, vítima e carrasco. Para toda ação há uma reação. Admitir a responsabilidade e consequências de seus atos é libertar-se das amarras que o prendem a evoluir como pessoa. Bottom of the World é um exercício e uma lição para os mais céticos de que, o mal feito ao próximo será cobrado, mesmo que o inquisidor seja seu próprio subconsciente.

4 dúvidas para Bottom of the World

Quero uma casinha igual a essa


Guilherme Lopes
Guilherme Lopes
Mineiro de nascimento e paulista de criação, vê nos filmes de terror e afins a diversão e bode expiatório para não cometer atrocidades na vida real. Não se engane com sua carinha de anjinho: ele não rebobinava as fitas antes de devolver à locadora.

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