Review 2017: #50 – O Bar

Completamente tenso e altamente divertido


Há dias em que consigo passar horas zapeando pelo catálogo da Netflix sem sequer conseguir me decidir por algo pra assistir e, muitas dessas vezes, acabo me deparando com filmes esquecíveis, o que me faz usar esse serviço de streaming apenas para fins bem específicos, ou seja: aqueles que já ouvi falar bem ou que me indicaram previamente.

Qual não foi minha surpresa ao abrir o site (para procurar o excelente Jogo Perigoso, vale mencionar) e me deparar com o O Bar na lista dos lançamentos do mês. Numa rápida olhadela pelas informações do filme, dou de cara com o nome do diretor: Álex de La Iglesia. Esse, meus caros, foi o incentivo que eu precisava para dar o play.

Quem já conhece o trabalho do cineasta espanhol deve ter uma noção do que esperar de uma obra do cara: personagens peculiares em situações inusitadas, uma dose de horror inserido em atividades corriqueiras, críticas a sociedade e aos costumes, e muito humor. Assim como nos ótimos O Dia da Besta e As Bruxas de Zugarramurdi, meus favoritos do cara, o ritmo acelerado da narração e os diálogos sagazes nos deixam totalmente entretidos na obra.

O filme começa numa manhã corriqueira no centro de Madrid, onde pessoas acabam tendo suas vidas interligadas de maneira misteriosa dentro do bar de Amparo (Terele Pávez). A jovem Elena (Blanca Suarez, que acho a cara da Paola Oliveira) está ali tentando carregar seu celular, pois está prestes a ter um date com um desconhecido que conheceu em algum aplicativo de pegação. Além dela, também estão no bar Nacho (Mario Casas), o típico hipster barbudo publicitário, uma senhora viciada em máquinas de caça-níqueis, um mendigo loucão, porém religioso que só, um ex policial deprimido, entre outros personagens.

Entrando pelo cano.

O clima cotidiano logo é quebrado quando um dos clientes é atingido por um tiro ao sair do bar, e cai morto no chão. Em pânico, o pessoal começam a discorrer entre as hipóteses do que está acontecendo, e tudo fica ainda mais confuso quando um segundo cliente, que sai pra tentar ajudar o primeiro, também é baleado. As ruas, antes tão movimentadas, ficam subitamente vazias, o que aumenta o clima de isolamento dos sobreviventes. A coisa fica ainda ainda mais estranha quando eles percebem que, totalmente do nada, os dois corpos sumiram da calçada, sem deixar vestígios.

Aí a situação começa a ficar insustentável, com aquela desconfiança e paranoia que sempre acomete as pessoas quando colocadas numa situação de pânico e privação de informações, já que nenhum telefone ali tem sinal, e até mesmo as emissoras de TV locais parecem ignorar o acontecido. A tensão cada vez mais evidente, e o ambiente claustrofóbico contribuem para que as pessoas comecem a mudar suas personalidades, tomando atitudes jamais imaginadas por elas e fugindo completamente dos clichês comportamentais.

O filme é completamente tenso, mas altamente divertido, e em muitos momentos você se pega roendo as unhas para logo em seguida, rir com situações de um humor extremamente ácido. A pouca violência gráfica, (usada com parcimônia, ao meu ver, justamente com a intenção de ser incômoda quando houver), e as situações exageradas e caricatas podem não agradar os mais exigentes mas, como disse no começo da análise, quem já conhece a obra de Álex de La Iglesia e se identifica com esse tipo de fita vai achar O Bar um dos filmes mais incríveis do ano.

 

4 doses de antídotos para O Bar.

Partiu bar! #sextou


Niia Silveira
Niia Silveira
Mentalidade de Jack Torrance num corpinho de Annie Wilkes. Foi criada em locadoras e bibliotecas e se apegou ao universo do horror ainda pequena. Não cresceu muito em estatura de lá pra cá, mas sua paixão por sangue e desgraça aumenta a cada dia.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *