Review 2017: #51 – A Babá

Comédia de horror besteirol adolescente despretensiosa.


Sabe aquela típica comédia de horror adolescente, exemplo de diversão descompromissada, com todo um clima throwback Sessão da Tarde, e mais, repleto de gore? Isso é A Babá, nova produção original da incansável Netflix, que estreou em sua grade de programação na última sexta-feira 13.

Dirigido por McG, sim, aquele mesmo de As Panteras e O Exterminador do Futuro: A Salvação e escrito por Brian Duffeld, da Série Detergente Divergente, A Babá é um caso de estudo perfeito daquele tipo de filme que você fica “zapeando” no serviço de streaming procurando alguma coisa sem pretensão nenhuma para assistir para tapar um buraco de 90 minutos livres em sua vida. E que no final, até consegue lhe surpreender positivamente, contanto que você entenda sua proposta desde o início.

Para começo de conversa, estamos falando de uma produção voltada para o público adolescente, então não espera nada mais que um apanhado de clichês, personagens completamente estereotipados, humor bem do sem graça em muitas das situações em uma história mais velha que andar pra frente. Isso com piadas de situação totalmente adoles, mesclado com uma cacetada de referências da cultura pop, trilha sonora afiada e elementos visuais e narrativos usados em cena, além da edição, que conversam perfeitamente com essa geração Z.

Só que além de tudo isso, temos lá seu humor negro afiado vez ou outra, momentos de tensão típicos de um slasher e thriller de sobrevivência e muito, mas muito sangue sendo despejado, mostrando que mesmo sem qualquer pretensão, o filme bebe claramente na fonte de clássicos como A Morte do Demônio, atualizado para uma geração posterior à Garota Infernal.

Bonitinha, mas ordinária!

Naquele emaranhado de clichês e personagens estereótipos que falei lá em cima, a trama traz o adolescente Cole (Judah Lewis, moleque para se prestar atenção) que passa uma noite sozinho em casa com a gostosíssima babá, Bee (vivida por Samara Weaving – que você pode lembrar da participação rápida na série Ash vs Evil Dead, ou então por ser sobrinha do Hugo “Agente Smith/ Priscila/ Elrond/ Caveira Vermelha” Weaving.

A garota é literalmente a mina dos sonhos: loira, linda, alta, bronzeada, corpo escultural, mega gente boa e fã de ficção científica. Obviamente o meninão é apaixonado por ela. Mas, por trás desta perfeição toda, esconde-se o fato de que ela faz parte de uma seita satânica e precisa do sangue de um inocente para realizar um ritual descrito em um antigo grimório. E parece já ser expert no assunto.

Ou seja, Cole passa a ser perseguido por Bee e o grupinho que faz parte de seu culto e precisa sobreviver a todo custo. Enquanto isso, tome gente tendo o crânio perfurado por facas, cabeças explodindo com tiro de dose, enforcamentos, empalamento e escatologia com banhos de sangue aos borbotões, mostrando que mesmo sendo um filme teen, tem uma dose considerável de violência gráfica, além de uma série de paródias ao próprio subgênero, ao melhor estilo O Segredo da Cabana.

Veredicto? Não espere muita coisa de A Babá. Mas não o critique por ser exatamente da forma que é e voltado para uma faixa etária que talvez você não faça mais parte. Não seja essa pessoa. A proposta é bastante clara e cumpre exatamente aquilo que promete, e que diabos, não tem mal nenhum em gastar dois neurônios assistindo a um filme que ainda entrega um splatter caricato, sacaneia os próprios lugares-comum e remete uma deliciosa sensação saudosista da época em que a juventude podia se deliciar com esse naipe de terror adolescente.

3 rituais para A Babá

Negócio arriscado!

 


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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