Review 2017: #61 – Jogos Mortais: Jigsaw

Pra quê um novo Jogos Mortais?


John Kramer, o infame assassino que tecnicamente não é um assassino, conhecido na boca pequena como Jigsaw, merece um estudo de caso. Assim como os inescrupulosos produtores e responsáveis pela franquia Jogos Mortais.

Digo isso uma vez que o movie maniac mais popular do século XXI morreu logo no terceiro filme da cinesérie, só que mais QUATRO filmes foram realizados depois do sujeito já comer capim pela raíz, lançados religiosamente todo ano, a fim de espremer o bagaço até o máximo, e trazer armadilhas cada vez mais escalafobéticas e uma escalada de mortes mais gráficas que a anterior.

Bem, na real são CINCO filmes agora considerando Jogos Mortais: Jigsaw, tentativa de ressuscitar a franquia para uma “nova geração” após sete anos de hiato, e que estreia nos cinemas brasileiros esta semana.

Sabe quando você tem a certeza absoluta que já viu de tudo e que mais nada poderia ser acrescentado a uma história que começou com um dos melhores filmes independentes do gênero da década – responsável por colocar James Wan no mapa de Hollywood e popularizar o torture porn – e ficou cada vez mais enfadonha, arrastada e um repeteco sem fim?

É o que acontece com essa nova incursão cinematográfica de Jigsaw, ou melhor, de um suposto copycat que voltou a ativa depois de 10 anos. Claro que em todo momento a pulga atrás da orelha será: mas John Kramer está realmente morto? Mesmo que tenhamos visto sua jugular ser aberta por uma serra e seu cadáver objeto de autópsia no começo do quarto filme, por sinal, uma das mais emblemáticas e pesadas cenas da série.

Jogos Mortais: Jigsaw, poderia muito bem não ter existido que não faria a menor diferença na vida de ninguém. Quer dizer, até que tem uma coisa ou outra lá que acrescenta ao cânone no plot twist final, marca registrada desde o original, e pode agradar aos fãs mais fervorosos. Mas ao mesmo tempo, o desenrolar dessa nova trama traz algumas novas informações sobre a condição de Kramer que meio que tiram o crédito da motivação que levou o personagem a se tornar o manipulador que coloca suas vítimas em jogos, hã, mortais para que passassem a valorizar a vida e se arrepender de seus erros, e junto com isso, vem recheado de alguns buracos tanto neste roteiro, quanto dos outros longas.

Fala que você não estava com saudades dessas fitinhas?

Pior ainda, que depois do terceiro filme – onde a série acabou pra valer, depois é só ladeira abaixo, principalmente com a entrada do Detetive Hoffman como o vilão da vez e sua atuação nível Cigano Igor – talvez um dos únicos motivos que fazia os espectadores retornarem às salas de cinema no Halloween seguinte era o festival de sangue, tripas, desmembramentos, decapitações, empalamentos e toda sorte de tortura pornográfica e gore desenfreado.

Já esse oitavo filme, nem isso tem direito, com direito a mortes off screen e nenhuma cena que realmente cause embaraço, embrulho de estômago e mal estar por conta da violência para quem já é escolado, salvo o excelente trabalho de maquiagem e efeitos práticos dos cadáveres. Mas cá entre nós, difícil conseguir alcançar o nível de brutalidade e sanguinolência que o próprio torture porn e o new french extremity elevaram a novos patamares entre meados e fim da década passada.

O ponto positivo é que não abusa mais daquela irritante e frenética edição de videoclipe que acompanhou a franquia e era algo tão anos 2000, abandonou de vez a fotografia verde-azulada característica e verdade seja dita, apesar das falhas, roteiro insosso e emaranhado de clichês, de todas as tentativas de ressurreições de franquias que aconteceram esse ano, como O Chamado 3, Leatherface e Olhos Famintos 3, Jogos Mortais: Jigsaw é a mais aceitável.

A dúvida agora é se teremos uma nova continuação, para amarrar algumas pontas soltas deixadas no final – como sempre – ou, quem sabe, o surgimento de uma nova franquia interminável. O filme já faturou mais de 94 milhões de dólares de bilheteria mundial – contra um orçamento de 10 milhões – mais que o sofrível Jogos Mortais 6, mas ainda longe do que já arrecadou outrora, em seus tempos áureos.

Viver ou morrer, que a Lionsgate faça a escolha.

 

3 armadilhas para Jogos Mortais: Jigsaw

Armadilha inspirada no Aríete do He-Man!


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

1 Comentário

  1. Deyvson Silva disse:

    Olá Marcos
    Queria saber porque acabaram os o horrocasts com o Bruno, eu adorava eram otimos, sinto falta.
    Um abraço de um grande fã de filmes de terror e do seu canal.

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