Review 2018: #02 – Sobrenatural: A Última Chave

Quarto filme só comprova: é a melhor franquia de terror dos anos 2010


Quando Sobrenatural chegou aos cinemas em 2010, o quarteto que estampava os créditos no pôster do filme já era de se tirar o chapéu, e hoje, oito anos depois, consolidaram-se como responsáveis por praticamente ditar os rumos do cinema de terror mainstream da década.

“Dos criadores de Jogos Mortais e dos produtores de Atividade Paranormal“, alardeava a campanha promocional aproveitando o bonde de dois dos maiores hits cinematográficos do gênero nos anos 2000. Respectivamente, estamos falando de James Wan e Leigh Whannell e Jason Blum e Oren Peli.

O efeito positivo, tanto de bilheteria quanto crítica, da luta dos casal Lambert, auxiliado pela médium Elise Rainier, para livrar o espírito do filho das garras do assustador Lipstick-Face Demon (aquela criatura satânica que parece o Darth Maul, que dá uma má impressão da porra, sabe?) , credenciou James Wan a dirigir o arrasa-quarteirão Invocação do Mal (e por conseguinte, Velozes e Furiosos e Aquaman) e pavimentou de vez o caminho de sucesso da Blumhouse Productions como a mais importante produtora de filmes de terror da atualidade.

Hoje, com o lançamento do quarto filme da série, Sobrenatural: A Última Chave, dá pra se dizer sem erro que é a melhor franquia do gênero dos anos 2010. Por entregar quatros filmes de qualidade, cada um deles com seu mérito e consciente expansão da história, mostrar que o jumpscare pode sim ser usado como recurso criativo e não parecer apenas susto barato, introduzir o conceito do “The Further“, uma espécie de dimensão sobrenatural fantasmagórica azulada que é creepy as hell, e principalmente, adicionar um bestiário original e verdadeiramente assustador ao panteão do horror, digno dos mais tétricos pesadelos do além-túmulo.

O Homem das Chaves, a entidade maligna da vez deste quarto filme, está aí para não me deixar mentir…

Talvez o grande sucesso de Sobrenatural se deva a duas pessoas: Lyn Shaye, que transborda carisma como Elise, a psíquica que aparece em todos os filmes da série, junto com seus “sidekicks“, a dupla alívio cômico Specs e Tucker; e Leigh Whannell (que inclusive interpreta Specs e dirigiu o terceiro filme), quem escreveu todos os quatro, sendo evidente o carinho que tem por sua criação (vale lembrar que Wan saiu do barco depois do segundo capítulo). O australiano conseguiu criar um fio condutor da trama entre todos eles, dando a devida importância a jornada de Elise, sem parecer em nenhum momento somente sequências caça-níqueis. Tanto que a terceira e quarta parte são prequelas, fundamentais para a construção do todo.

Abre-te Sésamo!

Procurando aprofundar ainda mais o passado da personagem, trazendo à tona o que a fez ser uma figura tão central na franquia, Sobrenatural: A Última Chave começa já com os dois pés no peito, nos levando de volta para a década de 50, quando a personagem ainda era uma menina que vivia com pai, mãe e irmão mais novo em uma casa mal-assombrada em uma cidadezinha no Novo México, próximos a uma penitenciária com corredor da morte, onde o patriarca trabalhava.

Começando a manifestar seus poderes paranormais naqueles idos, Elise era constantemente abusada fisicamente pelo pai, que a espancava para que parasse de “ver pessoas mortas a todo momento”. Em um desses castigos, ela acaba presa em um porão e ainda muito nova, é seduzida por um espírito zombeteiro para, com seu poder, abrir as portas que trazem essas criaturas do “The Further” para nossa realidade. Tudo isso nos dez primeiros minutos de mais puro cagaço.

Muitos anos mais tarde, após Elise relutantemente salvar a vida da jovem Quinn em Sobrenatural: A Origem, ela recebe um chamado desesperado de um comprador da residência em que viveu sua infância traumática, para ajudar a se livrar dos espíritos que ainda insistem a assombrar o logradouro. É a vez da senhorinha não só confrontar os fantasmas de praxe, mas também aqueles de seu passado, o que fará com que ela acabe descobrindo antigos segredos de família – alguns um tanto obscuros e outros que acalentam o coração – e ainda, numa sacada de mestre, conectá-la diretamente ao ocorrido com o pequeno Dalton Lambert no “filme que deu origem a série”, como diziam antigamente.

Sobrenatural: A Última Chave abusa na fórmula do cinema pipoca de terror, mas que diabos, funciona, porque é bem feito, bem construído, tem um roteiro interessantíssimo com suas reviravoltas, personagens adoráveis, entidades insidiosas deveras assustadoras, e jumpscare de dar gosto que vai fazer nego pular alto da cadeira, e não tão somente pelo barulho explosivo do som, mas pelo conjunto da obra com a atmosfera que o filme é trabalhado.

Sobrenatural deveria servir de cartilha para todo diretor, produtor e roteirista do cinema de terror comercial. Ah, se toda franquia do gênero fosse assim…

Quatro apitos para Sobrenatural: A Última Chave

Todas as franquias de horror dos anos 2010 tão bem atrás de você, Elise!

 


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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