Review 2018: #03 – Vende-se Esta Casa

Nada acontece feijoada, até o “plot twist” ousado dos 20 minutos finais


Vende-se Esta Casa tem a fórmula perfeita para o público mainstream atual do cinema de terror detestar e xingar muito nas redes. E preciso confessar que achei bem ousado o que eles fizeram em sua conclusão, viu?

Bom, antes de tudo, vale dizer de prima que ele não é nenhuma obra prima do gênero, é um filme bem mediano, antes de qualquer juízo de valor a minha pessoa. Dito isso, explico que a produção original Netflix que chegou à rede de streaming no último fim de semana é arrastado que chega a dar sono, abusa de todos os clichês possíveis e imagináveis de drama familiar acometendo mãe e filho que se mudam para um casarão isolado nas montanhas supostamente mal-assombrado, e conta com o carismo zero de Dylan Minnette, o Clay de 13 Reasons Why, que parece repetir o papel de “adolescente” com cara de cão largado na chuva a projeção toda, e que por sua vez, é a mesma cara do Alex em O Homem nas Trevas.

Você está lá lutando contra ser abraçado por Orfeu ou a vontade de ficar vendo Stories no Instagram, marcar uns pins no Pinterest, ou conversar com o crush no WhatsApp enquanto o filme desenrola leeeeeeentamente na sua televisão, nada acontece feijoada. Até que, em seus últimos 20 minutos finais, no mais completo do nada, se transforma num tenso e frenético thriller – com requintes de torture porn – e vejam só, se torna uma grata surpresa, principalmente em seu desfecho.

Como falei lá em cima, Naomi (Piercey Dalton) e seu filho Logan (papel de Minnette) se mudam para a casa da irmã nas montanhas após um trágico acidente em um posto de gasolina que matou o patriarca da família. Enfiados em dívidas até o pescoço e com a casa hipotecada, eles aceitam a proposta, mas com uma condição: o casarão está à venda, e todos os domingos, das 11h às 17h, eles precisam sair do local para que ele esteja aberto à visitação, os “open house” como eles chamam lá nos EUA.

O homem na casa!

Bem, disso seguimos a cartilha de um local ermo, os dois vivendo um drama de grana e o luto pela perda enquanto são novos na cidade, uma vizinha sinistra com um comportamento estranhíssimo que vive aparecendo para rolar uns jumpscare, supostas aparições, barulhos na casa, objetos sumindo ou se movendo no lugar, um porão esquisito que parece levar a um calabouço medieval…

Tudo sendo construído numa atmosfera quase minimalista, para levar o público a crer que estamos falando de mais um filme com um quê sobrenatural. Justo, só que o problema é que enquanto isso, Vende-se Esta Casa não é instigante ao ponto de prender a atenção do espectador, fazer com ele fique cada vez mais e mais imerso, intrigado, perguntando-se o que realmente está acontecendo por lá, e que esse processo de slow burning crie uma escalada de tensão e suspense.

Na verdade, quando o “plot twist” explode em seu terceiro ato, você simplesmente solta um: “Mas, hein?”, pois é pego totalmente de surpresa, volta a prestar a devida atenção e parece que o filme se tornou outro, não criando uma unidade com o que vinha sido construído até então. Claro defeito de ritmo dos diretores/escritores de primeira viagem, Matt Angel e Suzanne Coote.

Mas, simplesmente não dá para reclamar pelo fato da ousadia e alegria de ambos dali a frente, compensar todo o resto. Não apenas por acelerar a taquicardia e a dose de violência, transformando-o num thriller de sobrevivência, mas também, pelo destino que reserva aos seus protagonistas e o final completamente em aberto, preferindo ignorar o status quo e as conclusões extremamente didáticas e mastigadas do gênero nos últimos tempos.

E isso meus amigos, é de se tirar o chapéu, falando de uma produção tão enlatada.

Mas se você é daquele tipo que não gosta de filmes arrastadíssimos e odeia aqueles finais que NÃO vai entregar exatamente aquilo que você quer e, principalmente, não vai pegar na sua mão e te levar para o MOBRAL, passe longe da visitação desta casa.

 

3 chamas piloto que vivem se apagando para Vende-Se Esta Casa

Algumas razões porquê ir embora dessa casa!

 


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

1 Comentário

  1. Alex Teixeira disse:

    Fuçando na internet descobri o canal de vocês, mas infelizmente acabou. Existe a possibilidade de vocês voltarem com os vídeos? Passei a tarde rindo ao balde assistindo aos Horrorcasts do canal. Que pena que não tem mais. Mesmo assim recomendo assistir todos os vídeos.

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