Review 2018: #18 – I Remember You

Terror islandês. Fórmula americana.


Incomum nos depararmos em um terror vindo da Islândia, certo? Mas não é nada incomum encontrar produções de diversas regiões do mundo que se valem de fórmulas de filmes tipicamente americanos para se tornar mais palatável para o mercado internacional. I Remember You é um desses casos.

Veja bem, isso não é um demérito, apenas uma contestação. Dirigido por Óskar Thór Axelsson, nome que vem ganhando força no horror e suspense da ilha escandinava (ele é diretor de alguns episódios da série Trapped, disponível na Netflix), I Remember You, ou Ég man þig em seu título original (duvido você a pronunciá-lo corretamente!) é um típico thriller sobrenatural em todo seu desenvolvimento, que aposta numa série de clichês fáceis, construção de atmosfera, um mistério a ser resolvido e narrativa não linear, para prender seu espectador.

Freyr é um psiquiatra chamado pela polícia para ajudar na investigação de um suposto suicídio de uma velha senhora em uma igreja, que se enforca e em seu corpo são encontradas várias cruzes entalhadas. Sua morte tem uma estranha conexão com o desaparecimento de um garoto na ilha há muitas décadas. O próprio Freyr sofre de um drama pessoal: seu filho também desapareceu e o caso nunca foi solucionado. Em algum momento, lá para frente, obviamente haverá uma conexão entre os crimes, com uma pitada de sobrenatural para azeitar a história.

Paralelo a isso, um grupo de três jovens – um casal que perdera recentemente um filho em um aborto e gerou certa crise conjugal recente e uma amiga de ambos, que logo já percebemos ter algo não explícito com o rapaz – mudam-se para uma ilha isolada, sem comunicação ou outros moradores, a fim de reformar uma antiga casa abandonada para transformar em um empreendimento. Logo, o famoso “coisas estranhas” passam a acontecer, e sacamos que o logradouro é mal assombrado.

Cantinho da disciplina

Sabe lá em cima quando falei da tal fórmula americana? Pois bem, todo o filme é construído por Axelsson em um esquema de investigação de Freyr e sua amiga detetive, que vão levando a pistas que envolvem o desaparecimento de seu filho e, muito antes dele, do garoto que sofria bullying pesado na escola, naquele estilo “fantasma de garoto vingativo”, com direito a aparições, coisas mudando de lugar, jumpscares e tudo mais. E ah, um plot twist final, claro!

Sim, há uma reviravolta, que já vimos diversas vezes em uma centenas de filmes com a mesma temática. Apesar da “surpresa” e da escolha narrativa entrecortada que é bem interessante na real, não há de novo no front. O que é uma pena, em se tratar da raridade de um filme islandês, que poderia trazer qualquer tipo de mitologia ou aspecto cultural do gélido país nórdico da Aurora Boreal. Mas é completamente ocidentalizado e feito sob medida, de forma redonda e burocrática.

Bom, o fato é que I Remember You não é um filme ruim, longe disso, ele tem lá seu clima, seu suspense, sua dose de sobrenatural, uma pegada meio procedural e um final, mesmo que clichê e previsível, que segue uma cartilha padrão aceitável. Mas também, não é nada que você vá falar na roda de amigos: NOSSA ASSISTI UM FILME ISLANDÊS DE TERROR INCRÍVEL, como acontece com outras diversas produções escandinavas do gênero.

3 submarinos verdes para I Remember You

Quase uma Deborah Karr!


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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