Review 2018: #21 – Um Lugar Silencioso

IMPORTANTE: Assista ao melhor filme de terror até então em um lugar silencioso!


Antes de tudo, quero começar esse texto com um aviso: o título Um Lugar Silencioso não remete apenas ao local onde vive a família Abbott no mais completo silêncio, isolados em uma propriedade rural em um futuro apocalíptico não muito distante, após uma grande parcela da humanidade ter sucumbido ao ser caçada por terríveis criaturas que se guiam pelo som. É também o local e a forma, que você deve assistir ao melhor filme de terror do ano até então.

Isso porque a atmosfera é imprescindível para se viver toda a experiência acachapante que é assistir ao longa de John Krasinski, que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira. Você precisa entrar no clima que o longa permeia, e assim poder se envolver por completo, mas para tal, É OBRIGADO a estar em um, hã, lugar silencioso também, para sofrer na pele o drama familiar da dificuldade de comunicação, viver a iminência do medo no ar, e aproveitar o excelente uso dos efeitos sonoros (principalmente das criaturas), da música e a edição e mixagem de som, mesclados com o silêncio total, deixando se envolver pela extrema tensão lancinante e desespero perene, daqueles capazes de provocar uma gastrite nervosa e fazer roer todas as unhas dos dedos.

Ou seja, a primeira dica é evitar as salas multiplex em shoppings em horários que estarão lotados de adolescentes, pessoas mal educadas que ficam conversando, gente que não tem a menor empatia com o próximo e acha que cinema é lugar de fazer zona e ficar mexendo no celular. Infelizmente, perfil de grande parte do público que frequenta as sessões de filmes de terror hoje em dia.

Conseguindo se safar, a segunda dica é estar preparado para praticamente quase 1h30 do mais puro estresse, podendo deixar os nervos em frangalhos, respiração ofegante e taquicardia. E aproveitar um dos melhores filmes de criaturas dos últimos tempos. E olha que estamos falando de um ano bom para o subgênero, tendo em vista que em apenas três meses, já fomos presenteados com The Ritual e Aniquilação, duas produções que estrearam diretamente na Netflix.

Ajudado pelas atuações potentes de Emily Blunt e das crianças Noah Jupe e Millicent Simmonds, que levam quase que a metragem inteira praticamente sem diálogos, conversando por sinais e esgueirando-se pelas pontas dos pés tomando o máximo de cuidado possível para emitir o mínimo de ruído, Krasinski – mais conhecido por seus papéis em comédias, vejam só – merece todos os créditos em apostar no terror primal, em uma estrutura narrativa básica, acertando em todos os pontos chaves da cartilha de como se fazer um survival horror funcional.

Shhhhhhhhh!

Em apenas seu segundo longa como diretor, onde também atua e escreve o roteiro junto como Bryan Woods e Scott Beck, evoca o melhor estilo Eu Sou a Lenda de Richard Matheson, sem querer inventar moda, parecer pretensioso e acabar pecando pelo excesso, provando até como o malfadado jumpscare pode ser um recurso inteligentíssimo para se assustar, quando utilizado de forma correta, ainda mais em uma filme onde o uso do som é sagrado. E olha que estamos falando de uma produção da Platinum Dunes de Michael Bay!

Um Lugar Silencioso aposta em uma dose descomunal de aflição lancinante, principalmente da metade do filme para frente, que, sem exageros, se torna um verdadeiro trem descarrilado com uma sequência de acontecimentos atrás da outra, sem dar tempo sequer do espectador recuperar o fôlego. Sabe a expressão: “saiu da panela para cair na frigideira”? É bem isso! E antes das coisas começarem a dar ruim, apesar da brutal tragédia logo em seus primeiros dez minutos, aposta suas fichas no drama humano e em elementos emotivos carregadíssimos, para criar identificação com os personagens antes de jogá-los na batalha por sobrevivência.

Como se não bastasse todas as qualidades, o motivo de maior louvor e seu maior acerto, é que em momento algum tenta explicar o que são aqueles monstros ou de onde surgiram, e nem como a humanidade foi para o vinagre, tirando alguns recortes de jornal aqui e ali. Sem nenhum pingo de didatismo e sem julgar a inteligência do público.

E falando nas criaturas, vale também destacar toda a concepção de seu visual artrópode, com tímpano ultra desenvolvido, agilidade super humana, sedentos de sangue e virtualmente indestrutíveis, que parecem um cruzamento do xenomorfo, com o Pumpkinhead e o Demogorgon, trabalho classe A misturando animatrônicos com CGI, sob supervisão de Jacob Buck pela Industrial Light and Magic, que tem na bagagem os efeitos especiais de Transformers e Círculo de Fogo.

Um Lugar Silencioso é daquele tipo de filme de terror extremamente correto que acerta em tudo e dá-se gosto de assistir, aflora as emoções, e figura facilmente como mais uma daquelas excelente produções da nova safra do gênero nesta última década, com pleno potencial para se criar uma franquia e quem sabe, até uma expansão de universo e mitologia. É só o público saber fazer o barulho que ele merece.

5 aparelhos auditivos para Um Lugar Silencioso

Nem dá pra cantar no banho…


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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