Review 2018: #23 – Rampage: Destruição Total

Destruição dos jogos arcade para o IMAX


A magnânima obra do cinema contemporâneo Rampage: Destruição Total nasce de um jogo Arcade homônimo, lá da década de 80. Assim como a maioria dos jogos da época, era dotado de grande simplicidade. Monstros gigantes – um gorila, um lagarto e um lobo – se revezavam para destruir cidades, enquanto liquidavam forças militares. Não é nada difícil inferir a origem dos monstros, ou pelo menos de dois deles, reminiscentes de King Kong e Godzilla.

Também não precisa de muito esforço para percebermos um retorno à forma do cinema de monstros, subgênero tão presente no horror desde os tempos mais primórdios e que já há muito não dava as caras em tanto peso. No entanto, existem algumas características bem peculiares nesse novo contexto.

De um lado, temos uma ressurgência de monstros colossais, liderados pelo novíssimo Godzilla e os Kaiju de Guillermo del Toro. Nessa vertente, mais grandiosa, temos ainda Colossal, os desdobramentos da franquia Círculo de Fogo, o universo compartilhado pelo rei dos monstros com Kong: Ilha da Caveira que já anunciam para muito em breve, outros monstrengos como Mothra e King Ghidorah.

No extremo oposto, é observável um interesse coletivo por monstruosidades em menor escala, porém pra lá de criativas e bem únicas em sua concepção. Só em 2018, até esse início de abril, temos um TOP 3 facilmente identificável, que se faz valer de monstros extraordinários. Falo de O Ritual, Aniquilação e Um Lugar Silencioso. É nesse último grupo que os filmes de criatura mais se aproximam de suas raízes do horror, prezando por atmosfera, medo e creepiness acima de tudo mais.  

Simpatia e efeitos especiais de primeira linha são os principais componentes do Gorila Albino George

Rampage se enquadra no primeiro grupo. Apesar de ancorado no horror, em sua gênese, aproxima-se muito mais do blockbuster tradicional atual. Há uma estrutura narrativa clara e muito bem desenhada, apesar de extremamente banal, que coloca o protagonista, interpretado por Dwayne Johnson, em rota de colisão com monstruosidades de proporções bíblicas.

Tudo começa com um experimento científico que dá errado, assim como várias outras histórias trágicas por aí. Um grupo de pesquisadores cria uma substância capaz de editar o DNA de seres vivos, acrescentando genes específicos de outros seres. Um dos genes favoritos dos pesquisadores, por exemplo, era oriundo de tubarões. Aparentemente, os peixões nunca param de crescer enquanto estiverem vivos. Uma pequena infusão desse gene, associado com otras cositas más,  transformou animais pacatos e singelos em máquinas de destruição em massa imensas.

Um dos animais afetados foi o sagaz gorila albino George, que aparenta ser uma espécie de melhor amigo do personagem de The Rock. Juntam-se ao Mini-Kong, um lobo com espinhos e diversos truques legais na manga e um crocodilo de armadura que, se fosse um pouco maior, seria inimigo para  Jaegers.

Esse combo The Rock/Monstros Gigantes tem um resultado mais que óbvio. É um longa extremamente leve e previsível, quase que apropriado para todas as idades, salvo algumas mortes horríveis. O visual dos monstros e as cenas de ação e destruição total promovidas por eles são bastante empolgantes. O carisma do ator que lidera a parada toda tem um certo mérito inegável, que arrasta multidões por uma boa razão. Já o resto…

Com as expectativas no lugar, Rampage: Destruição Total pode garantir uma diversão descompromissada e sem qualquer tipo de profundidade para aqueles dispostos a aceitar certas condições e com tolerância para diálogos e piadas da pior estirpe.

3 prédios desabando para Rampage: Destruição Total

Um amor chamado kaiju


Daniel Rodriguez
Daniel Rodriguez
Fã de horror em suas diferentes formas, principalmente cinematográfica. Incapaz de adentrar igrejas, pelo risco de combustão espontânea, dedica sua vida pagã a ensinar inglês, escrever sobre o gênero e, mais recentemente, fazer seus próprios filmes.

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