Review 2018: #26 – What the Waters Left Behind

A versão hermana de O Massacre da Serra Elétrica encontra Quadrilha de Sádicos


Todos estamos de olho no quanto a produção cinematográfica de gênero tem evoluído no Brasil nos últimos anos, principalmente no cinema de terror, que alcança talvez a melhor fase em toda sua história de audiovisual. Mas ainda assim, estamos, infelizmente, anos luz da qualidade do que é feito no resto da América do Sul.

Argentina, Uruguai e Chile, por exemplo, nessas últimas décadas, tem entregado algumas produções interessantíssimas, premiadas, e que catapultou diretores latino americanos para Hollywood, vide o caso de sucesso do uruguaio Fede Alvarez, protégé de ninguém menos que Sam Raimi.

É de terras portenhas que chegou recentemente ao catálogo da Netflix a produção What the Waters Left Behind (que em tradução literal seria “O que as águas deixaram para trás”), título internacional de Los olvidados (que em tradução literal seria “Os esquecidos”), nova película dos irmãos Luciano e Nicolás Onetti.

Nome em ascensão no horror argentino, a dupla mira suas câmeras para uma homenagem rasgada ao transgressor cinema de terror americano dos anos 70 com sua versão de O Massacre da Serra Elétrica encontra Quadrilha de Sádicos. Quase um rip off, bebem na fonte dos finados Tobe Hooper e Wes Craven do jeito que manda o figurino, igual já beberam na fonte do giallo de Dario Argento em seu longa anterior, Francesca.

Tudo bem, a grosso modo, What the Waters Left Behind, é mais um daqueles cópia + cola dos dois filmes supracitados, survival horror cheio de gore, torture porn, sexismo, brutalidade gráfica, insanidade familiar congênita e canibalismo. Mas isso não tira o mérito de sua produção caprichada, que satisfaz os fãs do cinema latino americano e os apreciadores de violência desmedida no geral.

Por que todo mundo elogia a carne argentina?

A trama se desenrola quando um grupo de documentaristas vai até o vilarejo de Epecuén, que fica a seis horas da capital Buenos Aires, outrora ponto turístico argentino, agora local de uma terrível tragédia na década de 80, onde uma forte tormenta fez com que seus balneários de água salgada transbordassem, superando o muro de contenção e inundando as ruas do povoado com mais de 10 metros de água, provocando uma fuga em massa, com os moradores deixando os poucos bens que conseguiram salvar.

Depois de 30 anos, toda a água se esvaiu, restando um cenário desolado apocalíptico, com restos oxidados de carros, móveis, casas em ruínas e todos os pertences deixados para trás. De fato, a fotografia estourada, granulada e suja, à lá filmes de Rob Zombie, de Facundo Nuble é impressionante e transmite toda a destruição necessária e ambientação deveras pertinente para um filme de terror desse naipe, onde os pobres cineastas comerão o pão que o diabo amassou perseguidos por uma família que continua sobrevivendo no local desde a inundação.

Bem, como disse lá em cima, originalidade não é o forte, uma vez que temos até uma cena de jantar, como no clássico de Hooper, e um cenário desértico que remete muito ao outro clássico de Craven – porém com uma pegada muito mais próxima de Viagem Maldita, a refilmagem de Alexandre Aja – mas, vale a pena conferir o trabalho dos diretores em prestar a devida “homenagem” e manter o nível de loucura e sanguinolência no talo, além da boa construção de atmosfera, devido à paisagem tétrica.

Para aquela noite que você estiver zapeando na Netflix e quiser assistir a um bom e violento filme de terror, e de lambuja, apreciar o que tem sido feito de interessante no gênero por nossos irmãos do Cone Sul. E torcer para que um dia, cheguemos lá.

3,5 tangos para What the Waters Left Behind

Una tortura porno


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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