Review 2018: #30 – Os Estranhos: Caçada Noturna

Eclipse total do coração


Se toda sequência que levasse 10 anos para chegar aos cinemas fosse como Os Estranhos: Caçada Noturna, o mundo seria um lugar muito melhor de se viver. Ou não, se você fosse um dos caçados pelos maníacos mascarados do filme.

Foi lá atrás, em 2008, após o enorme sucesso de Os Estranhos nos cinemas – quase uma versão americana de Eles – que Bryan Bertino anunciou a continuação, que pareceu nunca sair do papel. Após uma série de quiprocós, o roteiro original escrito por Bertino (que inclusive trazia novamente a volta de Liv Tyler, em uma ponta só para ser assassinada no começo do filme, à lá Sexta-Feira 13 Parte 2) foi reescrito por Ben Ketai e a direção acabou ficando a cargo de Johannes Roberts, que gerou torções de narizes, pois afinal até então, não tinha nenhum trabalho digno de muita nota no CV, tipo Floresta dos Condenados, Do Outro Lado da Porta e Medo Profundo.

Porém o que Roberts entregou a Os Estranhos: Caçada Noturna foi deveras salutar, num excelente trabalho de nível estético, e talvez o ponto mais gritante, deixou de lado o thriller presente no primeiro, e, falando em Sexta-Feira 13, deu a fita um ar muito mais slasher, principalmente ao personagem Man in the Mask, que tem até um quê de Jason Voorhees, conforme dá pra perceber no exagero – proposital – do final do longa.

Aliás, é bom que se deixe registrado aqui para a posteridade, que a fatídica cena da piscina, foi A MELHOR SEQUÊNCIA DO GÊNERO deste 2018, disparado. Impressiona a capacidade técnica de Roberts – algo nunca dantes visto, pelo menos em seus filmes anteriores – ao colocar Man in the Mask em confronto com Luke, personagem de Lewis Pullman e filho mais velho da família caçada da vez, em uma piscina de motel de beira de estrada tipicamente americano, repleta de neon, ao som de Bonnie Tyler. Aliás, decreto que será impossível desassociar a queridinha dos karaokês, “Total Eclipse of the Heart“, da tal cena em questão!

Acho que ninguém nunca tinha ousado colocar a canção sofrência em uma cena – belamente filmada e fotografada, diga-se de passagem – de confronto e assassinato!

Turnaround bright eyes

Não só isso, há todo um clima soturno oitentista descarado na produção, com sua trilha sonora minimalista e monocórdia e uso e abuso de músicas cafonérrimas, como a citada no parágrafo de cima e até “Making Love Out of Nothing at All” do Air Suply. Funciona para o cacete! Fora isso, há a aposta na matança desenfreada que o trio, composta ainda pelas igualmente creepies mascaradas, Dollface e Pin Up, e mortes das bem gore, sempre com requintes de crueldade no talo.

Aliás, bola dentro de não tentar ficar explorando nenhuma viés dos serial killers, nem se preocupar em qualquer explicação, e aparentemente, nenhuma ligação com o anterior, já que a sequência não trata de acontecimentos diretos e inerentes a Os Estranhos e nem se trata de uma continuação direta. A intenção aqui é fazer a adrenalina correr nas veias, e nos brindas com mortes sádicas, sangria desatada e altas doses de suspensão da descrença.

Os Estranhos: Caçada Noturna pode sofrer de certa frivolidade e desagradar bonito quem esperava algo mais próximo do suspense psicológico do original, ou mesmo, quem não estiver a fim de desligar a chavinha com os absurdos, situações inverossímeis e furos do roteiro que mais parece um queijo suíço.  Mas, se no fim das contas, a proposta era essa, a resposta para a pergunta que fica é: por quê, não? Como eles mesmos respondem ao serem indagados do motivo de cometer ato tão vil, sem motivo, só pelo prazer da ultra violência.

E pelo prazer do espectador, claro.

4 Total Eclipse of the Heart para Os Estranhos: Caçada Noturna

Moço, sabe onde tem um Posto Ipiranga?


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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