Review 2018: #35 – Primal Rage

Oh-mais sinistro Pé-Grande dos cinemas


Que Hereditário é o filme de horror do ano, ninguém em sã consciência discorda. Mas a grande verdade é que 2018 está se mostrando o ano dos monstros. Tem megalodonte, urso-que-grita-igual-gente, besta-fera-que-reage-ao-som, verme maldito, capiroto celta, lobisomem-BR, javali fortemente nervoso, urso-polar-meio-demônio esquimó, Predador caçando criança, formiga gigante, vilão do Homem-Aranha e freira-Marilyn Manson pra todo lado.

É no meio desse caldeirão fervente de bicho brabo que surge Primal Rage, filme que chegou pra mostrar que o Pé-Grande não é só real, como também muito sangue no olho.  Primeiro e único trampo como diretor/roteirista do criador de efeitos especiais Patrick Magee, Primal Rage tem ares de projeto de paixão.

Magee vem trabalhando na construção da fantasia de Sasquatch definitiva já há bastante tempo. Em 2014, tentou emplacar o filme através do Kickstarter por meio de uma campanha mal sucedida. Porém, como  bom brasileiro que ele NÃO é, persistiu até conseguir realizar. E olha, o resultado não é tão ruim como estão pintando por aí.

Antes de tudo, fica o alerta de baixo orçamento. Imediatamente a inexperiência dos atores salta aos olhos e os vários momentos mostrando um carro solitário na estrada ao som de um música instrumental genérica fornecem aquela vibe de filme indie, que chega a escorrer pelas bordas do monitor/televisão.

Então por uma boa meia-hora, ocorre uma exposição marota que introduz os personagens, a começar pelo casal conturbado Ashley (Casey Gagliardi) e Max (Andrew Montgomery), o Xerife cético com raízes nativo-americanas interpretado pelo já falecido Eloy Casados e uma turba incalculável de caipiras caçadores.

Aliás, inexperiência permanece uma palavra-chave durante o filme, que tem uma narrativa um pouco confusa e personagens com motivações estranhas e, por vezes, incompreensíveis. A edição faz pouco pra ajudar nesse aspecto. Mas no fim das contas, nada disso importa quando o Pé-Grande atira a primeira flecha. Isso mesmo, é um SASQUATCH ARQUEIRO!!!! E fica melhor!

Se sangra, pode morrer.

Essa criatura, cuja existência continua sendo discutida até os dias de hoje, tem origem nos mitos nativos norte-americanos e atrai diversos entusiastas até as densas florestas mais ao norte dos Estados Unidos. A maioria dos relatos sobre o Pé-Grande o descrevem como uma espécie de símio de grande porte, quase como um gorila bípede, de inteligência questionável, naquele mesmo visual imortalizado pelo famoso vídeo Patterson-Gimlin .

Magee toma um caminho bem diferente ao lidar com a criatura, praticamente transformando o bichão em um Predador, daquele que só um Schwarzenegger da vida conseguiria derrotar. E para embasar essa nova versão do monstro, trouxe pra brincadeira a lenda do Oh-Mah, que nada mais é que o nome dado ao Sasquatch por algumas tribos.

Segundo a mitologia do próprio filme, o Oh-Mah seria a forma alcançada por um chefe de tribo após a morte, uma criatura bestial e primitiva, porém dotada de inteligência para cunhar e portar armas típicas de seu povo e cujo intento principal seria a proteção da floresta. Praticamente um Chuck Norris em O Defensor.

Então, seguindo a cartilha deixada pelo caçador espacial, o Oh-Mah se mescla a natureza e, abusando do modo stealth, caça os caçadores. Importante notar que a locação é muitíssimo bem explorada nesse aspecto. Como um bom entusiasta do Pé-Grande, fiquei desconfiado dessa nova abordagem, mas me entreguei as graças da criatura da primeira vez que ela esmagou um crânio com as próprias mãos.

O design do monstro é absolutamente fantástico e digno de ser conferido. Prefiro guardar a surpresa pra quem estiver disposto a encarar o amador… inexperiência do elenco e cineasta. E digo mais, a surpresa não para aí… o filme ainda guarda umas bizarrices fenomenais pro terceiro ato!

A equipe de maquiagem vai ainda mais além e garante alguns baldes de sangue e mortes pra lá de grotescas, no melhor estilo Victor Crowley de Terror no Pântano. Pensando por esse lado, o enredo de Primal Rage é uma amálgama de outros filmes que também se passam em matas densas.

Percebe-se que este não se trata de outro Um Lugar Silencioso ou The Ritual, mas é uma fita digníssima, especialmente para os mais entusiastas e empolgados com aquele tipo de filme bem anos 80, recheados de atores canastrões e efeitos práticos maravilhosos e Oh-Mais sinistro (HA!) Pé-Grande de todos os tempos.

3.5 crânios destruídos para Primal Rage

Bicho sangue no zói !

 


Daniel Rodriguez
Daniel Rodriguez
Fã de horror em suas diferentes formas, principalmente cinematográfica. Incapaz de adentrar igrejas, pelo risco de combustão espontânea, dedica sua vida pagã a ensinar inglês, escrever sobre o gênero e, mais recentemente, fazer seus próprios filmes.

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