Review 2018: #43 – Megatubarão

Uma besteira do tamanho de um megalodonte


Eu nem sei por onde começar a resenhar um filme como Megatubarão. Afinal, o que esperar de um longa PG-13 com um tubarão pré-histórico de CGI de 25 metros de comprimento, Jason Statham no papel principal e a produção de Lorenzo di Bonaventura, o mesmo de Transformers?

Ah, bem, respondi minha própria pergunta: Um Transformers, ou Velozes e Furiosos, ou “Insira qualquer título de filme com o The Rock”, embaixo d’água, com um tubarão mastodôntico. Ou seja, Megatubarão é uma besteira gigantesca, cavalar, do tamanho do extinto megalodonte, quase um filme da Asylum anabolizado e com 150 milhões de dólares de orçamento.

Mas quem se importa, se essa é a sua intenção desde o começo? Ou realmente você tinha a expectativa de algo diferente?

Dito isso, é apertar aquele botãozinho de desligar o cinéfilo conceitual que existe dentro de você e aproveitar a galhofa, o absurdo, o exagero, o descompasso, mesmo que o filme não o faça e insista em entregar para você uma peça cinematográfica séria (é aí que, além do caminhão de dinheiro, ele se diferencia dos Sharknados da vida).

Diacho, estamos falando de um entretenimento pipoca puro, feito com a cartilha embaixo do braço dos padrões cinemão de Hollywood, que foi feito de cabo à rabo, não, de focinho à cauda, para agradar em cheio o público típico que frequenta os cinemas no verão americano e abocanhar, com o perdão do trocadilho, um caminhão de renmimbis, uma vez que ele se passa todo no sudeste asiático e tem uma penca de chineses no elenco, inclusive, vejam, só, a mocinha! Jogada de mestre para recuperar a grana investida na megapopulosa China.

O roteiro, todo esquemático, cheio de obviedades, furos, clichês e personagens estereotipados no talo, está lá só para mostrar mesmo a batalha Statham vs Meg (ou Mega, como ele é chamado na versão PT-BR). Um grupo de cientistas, financiado por um bilionário padrão, descobre que as Fossas Marianas não é o local mais profundo do planeta, e sim, há uma espécie de névoa que cobre recantos inexplorados das profundezas onde habitam formas de vida marinha nunca antes descobertas.

A expedição de exploração ao local inóspito dá ruim, e Statham, com o fortuito bíblico nome de Jonas, é o maior expert do mundo em resgate submarino – que virou um bêbado inveterado após ter sido afastado e dado como doido por ter sido obrigado a escolher por deixar alguns companheiros morrerem durante o malfadado resgate de um submarino, que vejam só, foi atacado por alguma criatura gigantesca não identificada que só ele viu.

Não olhe agora

O herói careca marombado canastrão (mas pencas carismático) é chamado às pressas para ajudar o time preso nas profundezas – que inclui sua ex-esposa – e o resgate liberta o Carcharadon Megalodon, o maior tubarão – AND predador marinho – que se tem conhecimento. Bom, não preciso dizer que daí pra frente, tudo é a mais pura paia, pano de fundo para um filme de ação rocambolesco e inverossímil típico.

O que é uma pena de verdade, é tanta patifaria e pouco horror e gore, ainda mais sabendo agora, pelas declarações pistolas do diretor John Turteltab para o Bloody Disgusting, sobre os cortes imposto por estúdio de produtores. “Eu estou tão desapontado que o filme não é mais sangrento. Minha esposa está satisfeita e estou feliz de meus filhos poderem ver o filme, mas o número de horríveis e nojentas mortes sangrentas que tínhamos planejado e não pudemos fazer é trágico. Havia muita coisa foda que não sobreviveu ao corte final”.

Aliás, foi o mesmo motivo que Eli Roth, originalmente responsável pela direção do longa, se afastou da bomba. Adivinha o que ele alegou? Começa com “diferenças” e termina com “criativas”. Mas convenhamos, o maluco queria manter o orçamento de 150 milhões de Trumps, e ainda fazer um filme Rated R. Tá bom, Roth…

E se tem um filme que demorou para sair do papel – literalmente, já que é baseado no best-seller de Steve Alten – é Megatubarão. O projeto estava fossilizado desde 1997, quando a Disney tinha planos de produzi-lo, mas pisou no freio para não concorrer com Do Fundo do Mar, também da Warner Bros., lançado no verão de 1999. Depois, ficou no limbo aquático.

Eu mesmo, em minhas memórias mais recônditas, lembro de, pelo menos lá em 2006, ler algo sobre Roth estar ligado ao longa, e de uma sessão de perguntas e respostas com Alten em algum fórum da Internet da vida, dizendo a célebre frase, que a “Meg comia tubarões brancos de café da manhã”.

Sim, no livro é uma fêmea.

Pois bem, esse animal nada cordial pré-histórico vai abocanhar as salas multiplex, e vai ser exatamente aquele tipo de filme esdrúxulo que você está esperando, com quase nada da violência que uma produção estrelada pelo peixes assassinos demanda, saiba disso. Mas, se a intenção é sair dando risada do ridículo, e se você for fã de filmes toscos de tubarão exibidos no SyFy, vai por mim, ele não é tão desgraçado e muito mais assistível. E você vai se divertir grandão com Megatubarão.

2,5 populosas praias chinesas para Megatubarão

Aperitivo


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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