Review 2018: #44 – Ghost Stories

Nosso cérebro vê aquilo que queremos que ele veja: filmes bons!


Que 2018 está numa disputa ferrenha para se tornar um ano memorável na história do cinema de terror, não dá para discordar. E outro exemplar de peso para embasar essa lista é o britânico Ghost Stories. Aliás, senhoras e senhores, que PUTA filme.

Eu ando com muito pé atrás com plot twists finais. Acho que virou uma espécie de recurso faceiro aos longas, que muitas das vezes acaba se tornando uma forçada de barra para tentar reverter o status quo ou surpreender o espectador, às vezes parecendo que não há um elemento criativo ou roteiro que se sustente, havendo a necessidade de um choque anafilático para tentar atestar alguma qualidade do mesmo, ou gerar buzz.

Mas é numa dessas reviravoltas de roteiro que Ghost Stories, escrito e dirigido pela dupla Jeremy Dyson e Andy Nyman, tira seu coelho da cartola. Baseado na peça encenada pelo League of Gentlemen no West End de Londres, também escrita por Dyson, toda a construção do longa vai te direcionando já para um honesto filme sobre fantasmas e investigações sobrenaturais, até chegar ao seu final que te deixa boquiaberto.

Sim, boquiaberto é a palavra porque ele é daquele tipo de filme, escola O Sexto Sentido da vida, que o faz imediatamente voltar para o começo e assistir novamente, só para captar todos os detalhes deixados para trás na trama, e acredite, eles estão incrivelmente lá, desde maneirismos, falas, situações metafóricas e trejeitos dos personagens, até mesmo os efeitos sonoros. Plot twist do bem feito, não entediantes, óbvios e clichês, tipo exemplos recentes como O Segredo de Marrowbone ou I Remember You.

Fantasma nada camarada

Eu já estava gostando do clima, da atmosfera de Ghost Stories, que até como um filme convencional sobre fantasmas, para mim já estava funcionando. Mesmo que esquemático e pisar em terreno seguro, até usando de forma sapiente os malfadados jumpscare, se divide em pequenas histórias com um fio condutor, que seria um professor/ apresentador de televisão cético que resolveu dedicar a vida a desmascarar falsos médiuns e contatos sobrenaturais truqueiros, provando que essa coisa de encosto, non ecsiste.

Tratando-se de uma produção made in UK, claro que as antigas antologias da Amicus me vieram logo à mente. Inclusive em alguns dos belíssimos cartazes do filme. Claras referências estéticas e de formato também. Em outros tempos, a figura do Prof. Phillip Goodman (interpretado pelo próprio diretor/roteirista Andy Nyman) poderia muito bem ter sido vivido pelo lendário Peter Cushing.

Na trama, Goodman é provocado pela sua antiga inspiração e referência de trabalho, Charles Cameron – que desaparecera há muitos anos – a desvendar três casos que ficaram sem solução para ele: um segurança noturno que teve um contato paranormal em uma noite de trabalho; um jovem garoto problemático com pais super controladores que supostamente atropelou um demônio; e um milionário corretor da bolsa – interpretado por Martin Freeman – que experimentou uma intensa atividade de poltergeist em sua casa durante complicações na gravidez de sua esposa.

Como disse, o filme se apoia no convencional até o final do terceiro ato, quando dá um giro 360º, virando do nada uma viagem escapista quase existencial, de ansiedade, culpa, medo da realidade, jogando um monte de imagens, informações, metafísica e metalinguagem, que te pega de jeito até a revelação final, saindo do senso comum que era desenvolvido até então, mostrando que a dupla te guiou certinho para onde eles queriam exatamente, para provar que nem tudo é aquilo que você vê, e que o cérebro enxerga o que ele quer. Tagline do filme, que inclusive imprimiu cartazes, press kits e comerciais de TV com o nome escrito errado: “Ghost Storeis”.

Bem bolado, diria o poeta.

O plot twist de Ghost Stories, e toda sua, porque não, genialidade de construção e apreço aos detalhes, só fez reforçar sua corrida por fora para as listas de melhores filmes de terror do ano

4 investigações paranormais para Ghost Stories

Luz no fim do túnel!


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

1 Comentário

  1. Celle disse:

    Parece bem interessante.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: