Review 2018: #46 – Puppet Master: The Littlest Reich

Os bonecos da morte estão de volta


Em 1989 o produtor Charles Band lançava pela Full Moon Features o primeiro filme que deu origem a cinessérie Mestre dos Brinquedos, ou Bonecos da Morte, como ficou conhecido o título no Brasil. O enredo do filme original partia da história de Andre Toulon, um criador de marionetes francês que aprendeu com um feiticeiro egípcio o segredo para dar vida a seus bonecos e que, por conta disso, era perseguido por sedentos nazistas buscando conhecer essa fórmula, a fim de concretizar seus nefastos propósitos.

Apesar de aparentemente já revelarem que estavam longe de se passarem por meras e inofensivas marionetes, o clã de bonecos do Mestre dos Brinquedos aterrorizaram muitas crianças e adolescentes nas sessões de Cinema em Casa no canal SBT, quando o filme era exibido às claras tardes na TV aberta. Por apresentar características dos filmes oitentistas e produções de baixo orçamento, a franquia nunca chegou ao mainstream, porém, isso não foi páreo para que os bonecos pudessem alcançar a cultura trash/horror e a série render onze sequências (doze, se considerarmos o crossover Puppet Master vs Demonic Toys), além de proporcionar um enredo com diversas reviravoltas, visto que à partir do terceiro longa, a história e, até mesmo a índole dos bonecos muda drasticamente.

E um recente reboot intitulado Puppet Master: The Littlest Reich acabou de ser lançado há pouco, mais precisamente em 17 de Agosto de 2018, nos EUA.  

Puppet Master: The Littlest Reich com, pasmem, roteiro de S. Craig Zahler (Rastro de MaldadeConfronto no Pavilhão 99) entrega o que os fãs da série há tempos aguardavam: muitos bonecos matando muitas pessoas das mais cruéis, escatológicas e bizarras formas possíveis, ou seja, tudo aquilo que poderíamos esperar de um longa de horror trash com muitas pitadas de humor negro e gore, ao mesmo tempo em que traz diversas críticas aos estereótipos e foge totalmente do politicamente correto.

O novo clã de bonecos enfezados e, como se não bastasse isso, agora eles são nazistas!

Afinal, não é à toa que o filme recebeu classificação unrated, sendo exibido apenas em alguns festivais de horror, lançado somente em alguns cinemas restritos e distribuído em VOD por diversos sites e plataformas (Amazon Prime, PS4, entre outros).

O novo longa inicia-se no ano de 1989 em Postville, Texas, com um “novo” Andre Toulon (Udo Kier), ou Mestre dos Brinquedos (agora um nazista fanático), entrando em um bar. Após um insensível diálogo, Toulon ofende a barwoman e sua namorada as quais, obviamente se tornam as primeiras vítimas de seus bonecos, ou melhor, seus pequenos “Reich’s”, estabelecendo desde cedo no longa quão horríveis e bem arquitetadas serão as mortes que estão por vir. Passando para os dias atuais, somos apresentados à Edgar (Thomas Lennon) um escritor e desenhista de quadrinhos que, recém saído de um divórcio e retornando à casa dos pais, descobre que seu falecido irmão possuía um dos bonecos que pertencia ao famoso Toulon (uma nova versão do Blade original), guardado em seu quarto.

Com sua nova namorada Ashley (Jenny Pellicer) e seu chefe/amigo, o judeu Markowitz (Nelson Franklin), Edgar dirige-se a uma convenção de entusiastas e colecionadores das marionetes de Toulon na esperança de vender o boneco encontrado. Após fazerem um detalhado tour pela antiga casa do nazista, ministrado pela policial (Barbara Crampton) que há 30 anos atrás havia sido a responsável pela morte de Toulon, o derramamento de sangue logo tem-se início com o regresso dos protagonistas ao hotel que seria sede da convenção, revelando que o local esconde no mínimo 45 pequenos bonecos nazistas mortais, e desta vez as mortes estão tão memoráveis e além dos limites, que são capazes até mesmo de provocar reações nos entusiastas de horror mais contidos e dessensibilizados.

Com aparências diferentes dos bonecos originais, porém mais insanos e alucinados do que nunca, as marionetes de The Littlest Reich são marcantes por trazerem características peculiares e únicas, como por exemplo: Happy Amphibian, Kaiser, Autogyro, Mr. Pumper, Pinhead, Junior Fuhrer, além de vários outros novos e inéditos bonecos aos quais somos apresentados. Uma vez iniciado o massacre no interior da mansão do mestre Toulon, o filme atinge um ritmo frenético de entretenimento trash/gore com muito humor negro que cessa somente nos minutos finais restantes do longa.

Com uma sutil, porém não despercebida referência ao Bonecos da Morte original, trazendo a inscrição na porta de um veículo do Bodega Bay Inn, hotel que foi cenário central do desenvolvimento da história dos primeiros filmes da franquia original, Puppet Master: The Littlest Reich entrega o que os sedentos fãs da franquia ansiavam com a promessa de que os novos bonecos de Toulon, uma vez despertados vieram para ficar, e nós podemos esperar por muito mais!

5 facadas do Blade para Puppet Master: The Littlest Reich

Até o pequeno Junior Fuhrer apareceu para “debutar”!


Pat Mendes
Pat Mendes
Fascinada pelo gênero terror, desde os seres criptídeos passando pelos monstros e criaturas, considera como alguns de seus filmes de cabeceira: Gremlins, A Experiência e Olhos Famintos; gosta de ler, assistir filmes/séries e falar sobre horror. Administradora das páginas “Casa dos Gritos” e “Ash vs Evil Dead Brasil” no Facebook.

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