Review 2018: #51 – Os Parecidos

Mais que bela homenagem aos sci-fi dos anos 60!


Os throwbacks há anos vêm ganhando espaço nas mais variadas produções cinematográficas, sejam elas ligadas ao horror ou não. O mais comum é dar de cara com referências aqui ou acolá, fazendo com que o espectador tenha a sensação nostálgica de reconhecer determinada cena ou música, de acordo com sua bagagem cultural.

É aí que Os Parecidos entra em cena e homenageia com louvor o sci-fi sessentista.

Com uma fotografia predominantemente em sépia, quase preto-e-branco, praticamente emulando a vista de fotos antigas nas casas de nossos avós, somos transportados a uma terminal de ônibus, numa noite tempestuosa, onde um grupo de pessoas são obrigadas a aguardar o transporte atrasado há horas. Inicialmente temos quatro pessoas: Mártin, o senhor do caixa que vende bilhetes; uma senhora xamã que não fala coisa com coisa; Rosa, uma moça que trabalha no lavabo feminino; e Ulisses, um rapaz inquieto que deseja apenas sair daquele recinto o mais rápido possível.

Após mais duas pessoas chegarem ao local de forma aparentemente aleatória – um estudante de medicina e uma grávida temerosa por sua integridade física -, dois personagens-chave são introduzidos: Gertrudis e seu filho com distúrbios mentais, Ignácio. É a partir daí que a ação começa a tomar forma…

A crescente tensão se dá não somente pelo enclausuramento inesperado numa estação de ônibus e a tormenta que não pára um segundo, mas também por um repentino ataque epilético de Rosa no banheiro e Mártin com o rosto enfaixado e espingarda em mãos, ambos acusando Ulisses de ser o próprio diabo e de que todos os problemas ali estão sendo causados por ele.

Juro que não sou culpado!

A ficção científica é realmente o gênero que mais te dá liberdade para adentrar em mundos, possibilidades e ações nunca imaginadas pelo homem. Seja desde a clássica série Além da Imaginação nos longínquos anos 50 até a mais recente Black Mirror, a chance de que uma situação distópica tome forma e se torne realidade é a chave para divertir ou amedrontar.

Em Os Parecidos, o diretor Isaac Ezban (um dos participantes da antologia México Bárbaro) consegue, num pequeno espaço, expandir uma história que se mostra inventiva ao decorrer da trama sem perder o foco em nenhum momento. Muito disso carregado pelas ótimas atuações de TODOS os atores, atrizes e ator mirim. Isso sem levar em contas as referências…

Ah, as referências! A estrutura clássica da série apresentada por Rod Serling passa não apenas pelos ágeis 90 minutos de película pelos quais parece apenas um episódio na TV de tubo preto-e-branco, mas também pela questão que temos um narrador que nos introduz à história e a fecha, o que deixa o filme muito mais charmoso! Outra referência presente no longa nos remete ao clássico A Aldeia dos Amaldiçoados. Sem muito spoiler, o espectador  reconhecerá num certo HQ em posse de Inágcio o filme dos anos 60, além de outra peça chave que manipula todas as peças da história.

Como também não poderia deixar de ser, a obra de Ezban também trás uma pesada crítica ao que somos e como nos comparamos ao outro. Se aos olhos da multidão parecemos ser iguais, o que realmente nos diferencia? Seja qual for a resposta, Os Parecidos, disponível na Netflix, deixa no ar mais uma e bastante pertinente pergunta: será que somos realmente diferentes?

4 xerocópias para Os Parecidos

Melhor não ver o que acontece filho


Guilherme Lopes
Guilherme Lopes
Mineiro de nascimento e paulista de criação, vê nos filmes de terror e afins a diversão e bode expiatório para não cometer atrocidades na vida real. Não se engane com sua carinha de anjinho: ele não rebobinava as fitas antes de devolver à locadora.

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