Review 2018: #54 – A Primeira Noite de Crime

Era uma vez, um futuro distópico não tão distante assim…

 

Foi em 2013 que chegou aos olhos dos fãs de horror Uma Noite de Crime, um filme que trazia uma ideia um tanto quanto intrigante: o que aconteceria com a sociedade se, durante um período de 12 horas, todos os crimes fossem legalizados? Todos, até mesmo homicídio. Se a punição não viesse até você, você mataria? O longa, apesar de ter uma crítica morna, fez um sucesso estrondoso com o público, gerando uma franquia que além de chegar ao seu quarto título, também gerou uma série de televisão.

A Primeira Noite de Crime nos mostra como foi criado a ideia do período chamado de Expurgo, as fatídicas 12 horas onde qualquer crime é liberado. Uma organização chamada NFFA (New Founding Fathers of America) realiza um gigantesco estudo sociológico e conclui que a melhor forma de reduzir a taxa de criminalidade é realizar um experimento onde, durante doze horas, qualquer crime é legalizado.

O local escolhido para a realização do Projeto Expurgo é Staten Island, um distrito Nova Iorquino. A classe mais alta da cidade se retira da região e a cidade é cercada e fechada pelas autoridades, deixando no local apenas a classe baixa, formada por cidadãos que protestam contra a realização do projeto.

Nya (Lex Scott Davis) é uma jovem negra de classe baixa que protesta contra o Expurgo, além de tentar ganhar a vida honestamente após se envolver na atividade que movimenta os menos favorecidos do local o tráfico. Seu ex-namorado Dmitri (Y’Lan Noel) é o chefe do tráfico da cidade e Isaiah (Joivan Wade), irmão de Nya, trabalha para ele.

Após um incidente onde um viciado esfaqueia Isaiah no seu ponto de vendas, o jovem decide se candidatar para uma entrevista do governo, que está recrutando pessoas pela modesta quantia de cinco mil dólares para participar do experimento. O jovem, com a ideia de se vingar do tal viciado que o esfaqueou sem ter que se preocupar em ser preso, se voluntaria. Porém, na hora em que o experimento começa, ele percebe que as coisas não são bem do jeito que imaginava.

 

Observando as pesquisas das intenções de votos…

Beleza, se você já assistiu Uma Noite de Crime, não espere nada de novo aqui. O prequel segue a mesma cartilha que o diretor James DeMonaco (que retorna apenas como roteirista, deixando a cadeira para Gerard McMurray) criou lá em 2013. Ação frenética, mortes vindas do lado mais sádico do ser humano e aquele nível de tensão crescente em meio ao caos, onde as pessoas buscam apenas a sobrevivência. O roteiro ainda tem um furo ou outro e o longa não tem tanto brilho por investir em mais do mesmo, mas salva a poderosa crítica entranhada.

O roteiro joga em tela debates políticos e morais que são de revirar o estômago. Até onde chega o descaso dos governantes com o seu país? Ou melhor dizendo, com as classes baixas? Será que eles realmente se preocupam como tanto alardeiam em propagandas e campanhas? Algum exemplo político mais recente, em pleno ano eleitoral, que alardeia o liberalismo e a meritocracia lhe vem à mente, por acaso?

Nós também somos testemunhas do fanatismo que impera até hoje na nossa sociedade, que mostra o quanto o ser humano é sujo, preconceituoso e o quanto de ódio ainda dita regras. Até que ponto chega o extremismo político para tentar “melhorar” a situação do país? Não só isso, mas a moral de uma pessoa? Independente da índole e dos princípios que você carrega consigo com tanto orgulho, numa situação extrema de sobrevivência, fica a pergunta: você seria capaz de matar? Mesmo com uma criação boa, sabendo discernir certo do errado, se fosse necessário puxar o gatilho para que você seguisse vivendo, você o faria?

É pertinente que esse longa tenha sido lançado e que ele aborde tantas questões, como preconceito, extremismo, moral, ética, a política e os demônios de cada um, em um momento estratégico que vivemos uma época tão caótica não só no Brasil, com a dicotomia e discurso de ódio por conta do pleito eleitoral que se aproxima, mas basicamente no mundo todo.

Em tempos que figuras como Donald Trump, e um certo candidato brasileiro que não se pronuncia o nome, são idolatrados por serem declaradamente extremistas, apresentando propostas de governo totalmente retrógradas e nojentas. É de fazer qualquer um pensar e perceber a merda que vivemos atualmente, onde a galera basicamente pega discurso pronto na Internet, vocaliza, potencializa, e acha que isso é o suficiente para decidir o futuro de um país.

Depois de assistir o longa e de refletir, fiquei com um certo embrulho no estômago pois a única coisa que passava na minha cabeça era: e se esse futuro distópico não estivesse tão distante assim? Do jeito que andam as coisas, não seria de se impressionar se logo ali viéssemos a sentir na pele uma espécie de Expurgo. O jeito é esperar pra que siga somente na ficção.

3 #EleNão para A Primeira Noite de Crime

Aquele rolê da hora pra comemorar a liberação das armas


Angelus Burkert
Angelus Burkert
Psicopata em formação. Pegou gosto pelo cinema de horror após ir até a sessão de VHS de terror na locadora e olhar todas as capas de filmes possíveis. Fã confesso de música e games, provável que não mude nada com o passar dos anos, exceto o amor pela carnificina.

13 Comentários

  1. George disse:

    Achava que o blog analisava filmes de terror, não precisam demonstrar a sua escolha política.
    o certo candidato brasileiro que teve o nome omitido defende a legalização de armas para legítima defesa
    e por pouco não morreu após receber uma facada. extremismo é invadir propriedades, queimar a bandeira nacional,
    sugerir desobediência civil e outras coisas realmente nojentas

    • Lucas disse:

      amigo, se tu curte um gênero que em toda sua história criticou a moralidade desse candidato que você tanto defende, é melhor você jair repensando seus conceitos. e o blog não é de agora que se posiciona politicamente, e não tem nada de errado nisso. afinal a gente encontra política em tudo quanto é lugar e precisa sim se posicionar. aposto que na real o problema pra ti nem é o blog se posicionar, e sim o blog ter uma posição contrária a sua rs.

    • Renan disse:

      Eu já vim ler os comentários esperando encontrar exatamente isso kkkk cara, se posicionar politicamente é direito de todas as pessoas (e advinha, esse blog é gerido por pessoas!!), é nisso que consiste a democracia, você está “revoltado” pela posição ser contrária a sua mas da mesma forma que você veio de livre e espontânea vontade aqui pode simplesmente sair caso não esteja te agradando.

      Boa noite

      #elenão

    • João Paulo disse:

      O artigo 220 da Constituição Federal de 1988 garante a liberdade de imprensa para veículos de comunicação.

      Apesar de singular – singular pois democracias de verdade não admitem preso político e juízes que contrariam instâncias superiores – o Brasil AINDA não retirou da constituição o artigo 220, portanto, o autor do texto e o site pode publicar a crítica como quiserem.

      Eu me sentiria mais assistido no que diz respeito a “legítima defesa” se o candidato, seja ele qual for, falasse menos em armas e mais em educação de qualidade.

      #elenão, #elenunca, #bichaspretascontraofacismo

  2. Roberta disse:

    Melhor classificação ever! Sempre amei o site, agora o respeito ainda mais. #elenão #elenunca

  3. Gabriel disse:

    Este site é o melhor que existe no mundo . Amei essa crítica hehhe

  4. Marcos Brolia Marcos Brolia disse:

    Ai que orgulho que eu tenho dos meus colaboradores e dos meus leitores! <3

    • Rodrigo Ramos Rodrigo Ramos disse:

      Amo esses leitores e esses colaboradores! O Angelus mandou benzaço nesse texto! Parabéns!!!

      #elenão #elenunca

  5. Lordinaldo disse:

    Ele não!

  6. E. Berserker disse:

    Acabei de ver o primeiro episódio da série, e vou procurar esse filme!

    #EleNão PORRA!

  7. Wanderson Ligier de Jesus disse:

    O posicionamento político só seria errado se fosse aleatório, mas não foi o caso. O autor da crítica fez um link entre a situação política atual (não apenas do Brasil) e o conceito do filme, que é realmente um filme assumidamente politizado.

  8. jessica disse:

    #elenão #elenunca

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