Review 2018: #56 – Summer of 84

E a saga do throwback dos anos 80 continua…


Não que o saudosismo dos anos 80 seja novidade, mas fato é que Stranger Things abriu uma porteira no throwback de produções audiovisuais ambientadas na década que nunca termina, com forte apelo nostálgico com a galera dos seus 20 e tantos anos e os 30+, outrora a molecada que assistia aos clássicos filmes da Sessão da Tarde.

De lá para cá, It: A Coisa resolveu se aproveitar desse conceito, e agora nessa linha, temos Summer of 84, a segunda incursão com essa pegada oitentista do trio de realizadores François Simard, Anouk Whissell e Yoann-Karl Whissell, os mesmos do neocult Turbo Kid.

Aliás, o que eles fizeram para com os filmes de ação dos anos 80, eles fazem para os filmes de terror/ thriller, usando da boa e velha trama de um grupo de garotos no high school que vivem no subúrbio americano durante as férias de verão, se deparando com uma série de assassinatos de jovens, onde tudo aponta que o vizinho de um deles, um policial, seja o serial killer.

De lá para cá, a fita se prende na investigação dos quatro púberes, Davey, Eats, Woody e Curtis, tentando descobrir se sua teoria está correta, em meio ao comportamento padrão típico do adolescente médio americano daqueles idos: paixonite pela vizinha que era babá, problemas de relacionamentos com os pais, hormônios em ebulição e a busca pela primeira transa, e aventuras com os amigos rodando de bicicleta nas tardes de calor.

Garotos nada perdidos!

Ou seja, nada de novo de front e Summer of 84 se vale apenas pela nostalgia e pelo clichê, bem mais contido e procurando ser menos uma metralhadora de referência de cultura pop (como é o caso de Stranger Things, que, basicamente se pauta apenas nisso), mas ainda presente na medida, em um filme com um ritmo bem lento e que vai se arrastando até seu terceiro ato, quando aos 15 minutos finais, a coisa pega no breu, como dizia meu falecido pai.

Não é por nada não, mas você não espera por aquele desenrolar e muito menos o diálogo final do serial killer com seu nêmese, que é deveras sensacional, alterando o status quo do tipo de resolução padrão desses filmes e pegando bem mais pesado. Aliás, interessante ver também todo o desfecho dos jovens personagens e o peso melancólico que o acontecido traz a eles e a toda comunidade, que tem sua rotina e moradores afetados drasticamente.

Outro ponto que não dá para deixar de citar é a sensacional trilha sonora, composta pelo produtor Le Mattos – também o responsável por Turbo Kid – e seus já “famosos” sintetizadores monocórdios, total na estilão retrowave, que me agrade um monte, em particular, inspiradíssimo por John Carpenter. E a já clássica cena dos garotos pedalando suas BMX sobre o som de “Cruel Summer”, do Bananarama, exatamente como Daniel Sam o fez em Karatê Kid, que aliás, foi hit nos cinemas exatamente no verão de 84.

No mais, mais do mesmo, e pelo sentimento despertado em Summer of 84, pode mandar mais saudosismo dos anos 80 que (ainda) tá pouco.

3 walkie-talkies do GI Joe para Summer of 84

Leite tipo A (de assassino!)


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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