Review 2018: #57 – Upgrade

A ilusão é sempre mais interessante do que a realidade


A I.A. começa a apresentar o nome dos envolvidos. E por entre os nano microcosmos cibernéticos, formam-se veias eletrônicas o qual nos é apresentado o universo de Upgrade.

Ao som de classe do blues interpretado por Howlin’ Wolf tocado por um disco em meio à uma oficina clássica de fundo de quintal, vemos Grey (Logan Marshall-Green) tentando consertar um Firebird ‘68 para seu cliente, ao contrário de sua esposa Asha (Melanie Vallejo) que vive e defende toda a tecnologia de um futuro não tão distante.

Um passeio que parecia ser tranquilo acaba se tornando trágico e mortal… Uma escolha que mudará para sempre a vida de Grey… Uma motivação: vingança.

O diretor Leigh Whannell – a mente criativa por trás das franquias Jogos Mortais e Sobrenatural (lide com isso, James Wan)  – trás toda a sua visão original e autoral assinando também o roteiro e produção. Este sci-fi com toques de um neo-noir, policial e thriller conseguem emular um equilíbrio perfeito sem pesar  nem para um lado ou outro, o que beneficia e amplia o público: do gore pontual até a ação!

O maior acerto de Upgrade é seu roteiro. O filme não perde tempo e seu ritmo acelerado beneficia o storytelling pois, além da trama bem amarrada e inteligente, ela também é eficaz. O espectador é beneficiado pela diversão e imersão à história. E este benefício vem de duas influências bem claras e bem feitas:

Modo Daniel-San ativado!

Blade Runner – O Caçador de Andróides e Geração Proteus são homenageados de forma belíssima aqui. Desde a ideia dos Aprimorados até os carros e concepção hi-tech desse futuro distópico, lembram quase que imediatamente as obras de Philip K. Dick. É interessantíssimo ver como estas duas obras se entrelaçam para que Upgrade seja concebido.

Os efeitos especiais são muito bem feitos e enchem os olhos de quem acompanha a história. Nada que beire uma distante realidade, mas que seja plausível. A dupla Grey e Stem fazem aquela baguncinha ao melhor estilo Dr. Jekyll e Mr. Hyde, e pode apostar que quando a besta cibernética surge, sai da frente pois o duelo é quase que em vão.

Ao contrário do que os autores do “pós-horror” dizem, o fantástico sempre foi crítico e político acompanhando o cenário global atual. A tecnologia é a “vítima” da vez e Whannell mostra que a modernização do ser humano está cada vez mais evidente. As relações interpessoais estão escassas. Isso fica bem evidente numa cena em que o VR vive a vida de algumas pessoas que sentem-se melhores na ilusão do que na dificuldade do cotidiano. E há coisas que definitivamente as máquinas não fazem por nós, como sentir.

Mas e se as máquinas quisessem ter esta sensação?

Mais uma prova de que qualidade não se mede com dinheiro, a dupla de longa, data Jason Blum e Leigh Whannell, acerta em cheio em proporcionar um ótimo divertimento com pouca grana envolvida e alta rentabilidade.Upgrade entrega o que promete: história, ação, efeitos especiais, gore e uma pitada de crítica aos bitolados em tecnologia.

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Guilherme Lopes
Guilherme Lopes
Mineiro de nascimento e paulista de criação, vê nos filmes de terror e afins a diversão e bode expiatório para não cometer atrocidades na vida real. Não se engane com sua carinha de anjinho: ele não rebobinava as fitas antes de devolver à locadora.

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