Review 2018: #62 – Operação Overlord

Sem AC/DC, é muita conversa pra pouco zumbi


Nos meses que antecederam o lançamento de Operação: Overlord, especulou-se que o mesmo seria a quarta parte na “franquia” Cloverfield. Considerando que a tal franquia nada mais é que um grupo aleatório de filmes com uma pegada sci-fi forçosamente conectados, todo mundo embarcou na ideia de que o novo filme da Bad Robot também seria membro dessa família. Mas nunca foi. Se você, assim como eu, tinha expectativas de ver monstros gigantes e alienígenas por aqui, sinto lhes dizer, mas terão que se contentar com zumbis nazistas.

“Mas pera lá, zumbis nazistas são do cacete!”. Sim, caro leitor, tens razão. Se existe uma combinação que me agrada nesse mundo do terror é a mistura com nazismo, guerra e coisas do tipo. Gosto tanto que montei esse TOPE NOVE aqui listando algumas obras de diferentes mídias que colocam o militarismo frente a frente com forças do mal em diferentes momentos históricos.

Em Operação Uberlord, um pequeno destacamento de soldados fica a mercê do destino após uma incursão em território inimigo resultar em um altíssimo número de baixas entre os aliados. Apesar do infortúnio e da situação claramente desfavorável, eles buscam levar a missão original a cabo, com o auxílio de moradores locais.

Como se o fascismo já não fosse ruim o suficiente, os nazistas desse universo – e os de vários outros, quiçá até do nosso – são adeptos da experimentação com cadáveres e forças do além. Afinal de contas, para sustentar um Reich de 1000 anos, precisa-se de soldados que vivam 1000 anos. Descobrindo essa verdade, os soldados americanos percebem que existe uma outra missão talvez ainda mais importante para se concluir nesse local.

A ideia do super-soldado está presente em incontáveis mídias: nos quadrinhos da Marvel, tanto o Capitão América quanto seu arqui-inimigo, o Caveira Vermelha, são frutos de experimentos extremos com seres humanos no período da Segunda Guerra. No mangá e anime japonês Hellsing, os protagonistas precisam lutar contra um novo Reich composto por vampiros e ghouls. Nos videogames, o castelo Wolfenstein mostrou-se o local perfeito para todo tipo de experimento doentio e diabólico. A lista continua…

“Que tipo de aberração é essa?” “Não sei, mas disse que o nazismo é de esquerda”

As semelhanças entre Overlord e Wolfenstein (me refiro aos jogos mais antigos) é tamanha, que não seria nem um pouco surpreendente se se tratasse de uma adaptação direta para o cinema. Uma mistura de ação, muito tiroteio, prédios antigos e rústicos que mais parecem labirintos, monstros nascidos de experimentos científicos macabros, vilarejos dominados por nazista, explosões, lança-chamas…

Falando assim fica até fica a impressão de que o filme está mais para ação do que para o terror. Há uma linha tênue que separa os dois gêneros, já que é difícil não haver troca de tiro e explosão em um filme baseado na Segunda Guerra Mundial. Independente disso, o que mais me chama atenção é que, por vezes, o gênero que parece dominar e ditar o ritmo do filme não era nem ação, nem terror, mas aventura. O próprio diretor descreve o filme como “Indiana Jones no ácido”.

A pegada aventuresca com momentos de muita ação e um bocado de gore, tornam Operação Overlord uma fita divertida, dessas pra assistir no cinema, sem muito investimento, naquele sabadão entediante. Eis o grande problema: ele é incapaz de ser qualquer coisa mais que um entretenimento simples e passageiro. Como o pato, que anda, voa e nada, e faz tudo isso de modo desajeitado, o filme de Julius Avery não se dá totalmente bem como aventura, pelo excesso absurdo de diálogo e violência explícita; não surpreende como filme de ação, tão esparsas são as cenas de confronto; e nem brilha como horror, já que, apesar de sanguinolento, tem personagens bobos e inocentes, que dão um tom leve e que contradiz a própria natureza brutal da guerra.

Onde já se viu um filme com todos esses elementos narrativos em que ninguém parece realmente correr risco de morrer?

Essa nova produção de J.J. Abrams só mostra que o figurão não é tão incrível como se espera, que para mim, Halloween não é a única grande decepção do ano, e que ainda é possível se iludir com trailers em 2018. Mas vá lá, essa última informação é totalmente minha culpa.

2.5 soros de alcatrão para Operação Overlord

“Au revoir, Shoshanna!”

 

 

 


Daniel Rodriguez
Daniel Rodriguez
Formado em psicologia, professor, futuro roteirista e fã incondicional do terror, tanto no cinema, quanto na TV, literatura e quadrinhos. Mais que estudar o gênero, quer ser um historiador do horror para sua geração e futuras. E ao contrário do estereótipo do mineiro quieto, adora alimentar uma treta.

2 Comentários

  1. José disse:

    Assisti ontem uma excelente surpresa e recomendo aqui no site , assistam ” Monster Party ” (2018) e preparem-se para a festa !

  2. Rodrigo Ramos Rodrigo Ramos disse:

    Vi hoje e me diverti demais! Filme simples e honesto que funciona demais!

Deixe uma resposta para Rodrigo Ramos Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: