Review 2018: #64 – Parque do Inferno

Um slasher honesto e simplão


Todo ano, na noite do dia 31 de outubro, os espíritos dos mortos caminham entre os mortais, assim como toda sorte de demônios e bruxas se infiltra entre os vivos. Nos resta então vestir máscaras monstruosas que nos tornam irreconhecíveis diante dos olhos dos seres do além. É com esse tom macabro que as crianças norte-americanas se divertem no Halloween, sempre vestidas a caráter, pedindo doces e ameaçando travessuras.

O Dia das Bruxas, como chamamos por aqui, aparece um pouco em terras tupiniquins através das escolas de inglês, das festas temáticas e do espírito dos fãs de filmes de terror, sempre em busca de uma desculpa qualquer para maratonar os filmes de John Carpenter ou vestir máscaras de seus assassinos favoritos sem muita preocupação com o olhar julgador do próximo.

É também tradição, lá nos States, aproveitar o período para lançar filmes de terror, muitas vezes situados nessa fatídica noite, como é o caso de Michael Myers, que retornou pela milésima vez no mês passado. Além do próprio Halloween, de David Gordon-Green, outro filme que se faz valer da mesma data e que me agradou bem mais, apesar do atrasado lançamento aqui no Brasil, é Parque do Inferno.

Dirigido por Gregory Plotkin (Atividade Paranormal: Dimensão Fantasma), Parque do Inferno não traz consigo nenhum hype especial. Salvo um cameo do eterno Candyman, Tony Todd, e a presença Bex Taylor-Klaus, da série Pânico, da MTV, não há rostos conhecidos que por si só possam atrair público. Também não é uma sequência, um reboot e muito menos é tratado como “o filme mais assustador do ano” e nem nada do tipo. Digo mais, é um filme que ensina uma lição muito boa sobre expectativas.

Trata-se de slasher bem temático, com a simplicidade de enredo que o gênero utiliza como marca registrada. Um grupo de amigos vai até um parque itinerante famoso e ultra macabro. Lá, tornam-se vítimas de um assassino mascarado, que utiliza-se da própria ambientação para se esconder em plena vista. Claro que o grupo contém todos os integrantes descritos na cartilha: a menina santinha, o bonitão gente boa, a amiga safada, o brother meio burro, meio babaca e coisas assim.

Funhouse of 1000 Corpses

Um dos grandes prazeres que temos em assistir filmes slasher é acompanhar o “como”, mais que os “porquês”. Onde e em que momento o assassino atacará novamente? Qual será o método de execução? Claro que o próprio matador precisa ser ameaçador ou convincente em seu papel de carrasco, para que tudo funcione. O grosso dos filmes slasher tem essas características como suas únicas qualidades. Raramente passam de diversão descompromissada.

O que me fez gostar tanto de Parque do Inferno é o quão despretensioso ele é. Não busca reinventar o estilo, nem imbuí-lo de provocações sócio-políticas que possam elevá-lo. Ele é apenas o que parece ser: um slasher que abraça outras fitas do estilo, formando um clubinho de serial killers e mass murderers mascarados destinados a viver à sombra de Jason e Michael, assim como a grande maioria dos assassinos lá dos anos 80.

Plotkin faz uso do parque macabro da melhor maneira possível, criando uma série de cenários muito mais divertidos de se assistir que a tradicional floresta . Em cada um dos labirintos, um tema surge para aterrorizar os personagens, criando uns abatedouros assustadores, um pouco na linha do que fez Tobe Hooper em Pague Para Entrar, Reze Para Sair ou Rob Zombie em A Casa dos Mil Corpos e 31.

Vale ressaltar que a estética do filme da vez é bem mais limpa e moderninha. Apesar de ter uma das mortes mais grotescas do ano, Parque do Inferno não se aproxima em nada da sujeira e do tom cru dos filmes de Hooper e Zombie. A pegada adolescente acrescentada pelos personagens – millennials típicos – também o afasta do cinema desses dois mestres acima citados e claro, vai causar um incômodo imenso em quem detesta jovens.

Contextualizando Parque do Inferno como um filme de Halloween, de censura acessível e temática mais jovem – como todo slasher fez em sua própria época – é perfeitamente compreensível que tais personagens existam. Isso não os faz menos entediantes, mas ao menos torna suas mortes mais… divertidas (o tipo de coisas que podemos dizer sobre filmes, não é mesmo…).

Pois, pague para entrar (ou aguarde sair na Amazon Prime), mas não crie expectativas demais, e sairá sem precisar rezar pra esquecer.

3.5 tickets para Parque do Inferno

“E aí me falaram que o Halloween novo era um filmaço e eu fiquei tipo, quê?”


Daniel Rodriguez
Daniel Rodriguez
Fã de horror em suas diferentes formas, principalmente cinematográfica. Incapaz de adentrar igrejas, pelo risco de combustão espontânea, dedica sua vida pagã a ensinar inglês, escrever sobre o gênero e, mais recentemente, fazer seus próprios filmes.

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